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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

1ª Volta: Reflexão



Deixamos a linha de água à quarta jornada, na histórica vitória perante a Académica, arrancando aí para a nossa melhor série do campeonato, sete pontos em três jogos. Algo parecido só recentemente, na primeira vitória fora (à sétima tentativa) seguido da vitória com o Arouca. Olhando para a tabela, mérito enorme para a nossa eficácia, não do ponto (temos apenas um empate), mas dos três pontos. 'Finais' foram todas ganhas.
Pior série tem início em Guimarães, resumindo-se a três pontos conquistados (Penafiel) em dezoito possíveis. Ainda assim, nunca estivemos mais de três jogos sem vencer.

Primeiro ponto: estávamos (para muitos ainda continuamos) no primeiro lugar de candidatos à descida devido ao baixo nível do plantel e equipa técnica. A pouca experiência e o salto de duas categorias num só ano são os principais motivos apontados por tudo que é comentador/jornalista/opinador desportivo. Junte-se ainda o asco que muito revelam e a vontade não camuflada de nos ver de novo por baixo. Por isso, o primeiro ponto é também o de maior realce: 16 pontos, 13º lugar. União, atitude, humildade, apoio, Cultura Axadrezada. Boavista.





Julgo que há a consciência generalizada, pela nossa parte, adeptos, das dificuldades desta temporada. Sobretudo, para formar um plantel do zero com pouquíssimos recursos (mesmo comparando com as equipas com os mesmos objetivos que nós), para unir um grupo de jogadores a trabalharem juntos pela primeira vez, para formar uma equipa competitiva.  Por isso faz todo o sentido dar mais tempo que o normal à equipa, como o que foi pedido.
Mas isto é ponto assente. Não pode nem deve ser pedra de arremesso (nem servir de desculpa a tudo que possa ser melhorado) a quem critica ou não concorda com algo que se passa ou com opções que se vão tomando. Por outro lado, deve controlar e travar um pouco a crítica exacerbada e destrutiva que se vai vendo por aí, por vezes tão descabida e tão pouco consciente do que é, realmente, arrancar para uma temporada desta exigência sem uma equipa previamente formada e minimamente evoluída.

E começamos por aí, pela evolução da equipa. Evolução individual também como prioridade, ora pela idade e inexperiência de alguns, ora pela importância no próprio coletivo. Então, como fazer crescer um grupo de jogadores como estes que temos? Como lhes dar experiência e ritmo de jogo? Alinhavar desde logo um onze tipo? Ir testando soluções e posições, dando competição aos jogadores, tirar o máximo partido das características de cada um, adaptar o onze inicial às caraterísticas do jogo?
Somos a equipa, em todo o campeonato, que mais jogadores utilizou e a que mais distribuiu os minutos pela maioria deles. Terá sido uma estratégia para o primeiro terço da época, talvez o mais indicado dadas as condições tão específicas com que formamos o plantel. Feio à vista, mas útil em termos de preparação a médio prazo. Desde forma física até intensidade de jogo de alguns, muita coisa tem melhorado desde que começamos a temporada. Em parte, graças a essa forma de trabalhar o grupo. Atrapalhará alguns aspetos na evolução coletiva, na evolução do onze, digamos assim? Também me parece que sim, e tenho até a ideia que foi um dos motivos para alguma estagnação no crescimento da equipa em certos momentos nesta primeira parte da temporada.



Olho para a forma como jogamos e o que mais me preocupa é a consistência. A insegurança, a permissividade que denotamos, as facilidades que muitas vezes concedemos aos adversários. O mau posicionamento na ocupação de espaços, a falta de compensação defensiva, o 'bloco' que vezes a mais não funciona. Erros, erros atrás de erros, como muitas vezes diz o treinador. Próprio de quem está a crescer, verdade, mas mais que a tempo de corrigir e melhorar alguns desses aspetos.
Volto a dizê-lo: no início da época não estaria à espera de todos estes problemas no setor defensivo. Até olhando aos primeiros sinais: Lucas tem caraterísticas interessantes para um central (estaríamos nós mal habituados?), Ervões parecia ter tudo para ser o 'patrão' que precisavamos, Sampaio desde muito cedo se revelou um promissor defesa. Santos já todos conhecíamos. Na direita, o polivalente Beckeles e Dias, que vinha rotulado de jogador com experiência; do lado contrário, Correia nunca  enganou, Afonso um dos que mais confiança se depositava.


O que temos hoje?

Surpreendeu a maior parte dos adeptos a continuidade de Carlos Santos, principalmente pela lentidão que lhe é característica. Evoluíu bastante se olharmos ao que era quando cá chegou. Melhor tempo de entrada à bola, mais incisivo, consegue não se expôr (no que depende de si...) em demasia ao principal problema, a velocidade. Mas não chega. Até admito que, em certo tipo de jogos, seja um jogador útil. Não tenho dúvidas, assim como não as tenho em relação a ser um bom jogador de balneário, bom para o grupo. Mas o problema é mesmo esse: não é para a maioria dos jogos, não é para se formar uma defesa consistente e, partindo daí, alinhavar o resto da equipa.
O problema adensa-se quando temos um puto de vinte anos como companheiro de setor. Promissor, não duvido. Mas puto, e transformado em chefão da defesa, com a experiência que uma dezena de jogos lhe conferem. Sampaio tem tudo para ser um grande valor nosso, mas tenho para mim que o ideal para ele e para nós, seria tê-lo emprestado a uma segunda liga e tê-lo prontinho para o onze na próxima temporada. Bem sei que soa descabido (e é, olhando ao que precisamos no presente), mas é só para perceberem do que eu acho que é feita a nossa defesa. Lentidão e inexperiência. Têm a palavra Lucas e Ervões e, claro, o treinador, responsável na sua evolução. E aqui mais alguém tem a palavra, a direção. É evidente que precisamos de um defesa central, e para Petit o pedir é porque é mesmo fundamental.
Na direita, outro foco de contestação: Dias/Beckeles. Dias é o lateral mais experiente que temos, o que melhor fecha dentro, o que mais apoio dá ao central do seu lado (temos bons exemplos nestes dois últimos desafios) e este será um dos motivos porque é aposta na maioria dos jogos. Há ainda outra condicionante, a derivação do hondurenho para zonas mais adiantadas. Beckeles, quando tivermos a nossa dupla de centrais mais atinada, poderá ser opção mais vezes na lateral, julgo eu. Mais possante, melhor técnica, com mais possibilidades de dar maior profundidade à lateral direita.
Na esquerda, tivemos dois galos. Primeiro, a lesão de Correia; depois, a aposta falhada em Julián (apesar das boas intenções do argentino) ou o tempo que foi preciso para Afonso crescer e ganhar de novo confiança (ou músculo?) depois da negra exibição na sua estreia esta temporada.


Texto vai mais longo que o previsto; amanhã, reflexão sobre o meio campo e ataque.


Força Boavista!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Três Pontos a Voar



Mais do que injusta, uma derrota ingrata. Quarta no Bessa, contra, em teoria, as quatro melhores equipas que por cá passaram. Mostramos alguns dos defeitos que teimamos em não corrigir (ou em melhorar o suficiente para não os pagarmos tão caro), estivemos por cima boa parte do desafio, reagimos bem a determinados momentos do jogo, falhamos onde os outros falharam menos, na eficácia. Sobretudo, embora a superioridade individual e técnica do adversário fosse evidente, fica a esquisita sensação que a vitória esteve ali ao alcance, e que pelos problemas que vamos repetidamente evidenciando, nos fugiu das mãos. Não pela falta de entrega, pela falta de concentração ou vontade, mas pela falta de qualidade de jogo ou de acerto nas acções ou de mera consistência coletiva, como quiserem.


Alterações (ou dizer surpresas?) no onze, duas: Beckeles e Brito fora dos convocados, Dias e Julián diretos para a titularidade. No meio campo as mesmas três peças: Idris e Tengarrinha a lado à frente da defesa (meia novidade, já que tem sido Idriss a jogar a trinco), Diego Lima como médio mais solto. Centrais Sampaio e Santos. 

Boa entrada no jogo, compactos e boa pressão ao meio campo adversário. Aguentamos bem a reação ao nosso golo madrugador: não permitimos aproximações com perigo à nossa baliza (apesar dos livres e cantos concedidos), tivemos as melhores oportunidades para ampliar (por Julián e Diego Lima), muito embora a menor iniciativa de jogo. Mais uma vez, um golo sofrido de bola parada, em que continuamos sem conseguir acertar. E sofremos tanto na pele...
Voltamos a entrar mais fortes na segunda metade, mais pressionantes e, principalmente, mais perigosos que o opositor. Duas boas oportunidades e, de novo, uma transição rápida do adversário depois de uma perda de bola no meio campo a deixar-nos a correr (literalmente) atrás do prejuízo. E não é por acaso que, em todo o campeonato, só por duas vezes conseguimos recuperar de desvantagens. As dificuldades para criar espaços no último terço foram enormes, o que se evidencia ainda mais quando o adversário se vê em vantagem. Sem o conseguir encostar nem atordoar o suficiente para forçar desequilíbrios, insistimos no jogo direto mas sem resultados práticos. Aquele vergonhoso mói-mói que tantas vezes assistimos nos últimos anos não é característica exclusiva das divisões mais baixas do nosso futebol, ajudando a que o fim chegasse até antes dos 90+3'.


Algumas notas:

Opções. Concordei com a permanência do trio de meio campo (e olhando ao passado recente), embora fosse provável que o jogo exigisse algo mais 'batalhador'. Olhando ao que o jogo pedia no final da primeira parte, corrigiu-se e bem com a entrada de Carvalho no lugar de Lima. Ao contrário do que possa parecer, não foi uma opção defensiva. Talvez menor criatividade e menor poder de conduçao de bola, mas mais fibra e capacidade de trabalho num miolo que pedia isso mesmo. Com efeitos práticos: foi talvez a nossa melhor fase no jogo (a entrada na segunda parte). Os problemas vieram logo a seguir. Um duplo erro de leitura, na minha opinião. Primeiro a permanência do 'amarelado' Idriss, depois a saída de um elemento do meio campo (com a passagem de Tengarrinha para lateral), já em desvantagem. Ganhou-se alguns centímetros e muitos quilos para o futebol direto, abriu-se a frente de ataque, mas perdemos capacidade de recuperação, de controlo e de circulação de bola, sequer de tentar fazer a diferença com incursões ofensivas dos nossos médios. Tivemos, então, menos oportunidades para atacar, embora com mais avançados. Até pode fazer algum sentido tentando dar melhor sequência à nossa principal arma para atacar, o futebol direto, mas foi, de facto, infrutífero.

Jogadores. Quem vai lendo aqui os textos deve achar um pouco repetitivo, mas cá vai outra vez: as características da dupla de centrais estará na origem de muitos dos nossos problemas. Por eles próprios, pela cobertura que o meio campo é obrigado a dar-lhes, pela falta de consistência e, por vezes, até de confiança que revelam. Muito embora a evolução normal dos últimos tempos.
Verdadeiro teste para Afonso, que teve um adversário complicado pela frente. Passou e bem, bom jogo do jovem lateral, à imagem dos últimos tempos. Mais à frente, Julián ajudou a esclarecer que é extremo. Pelo menos, melhor que lateral.

Idriss em bom plano na sua principal função, em destruir tudo que possa chegar com algum perigo às imediações da área. Menos vertical na pressão que Tengarrinha, foi um pouco vítima quando o meio campo também se perdeu. Como disse acima, boa entrada de Carvalho, continua a melhorar na intensidade, sofreu como o companheiro de setor na última meia hora.

Habitualmente, temos enormes dificuldades em desequilíbrios individuais no último terço. Zé Manuel e Brito têm sido dos que mais ajudam a desbloquear as defesas contrárias, e foram baixas a sério para este desafio. Léo não deixou de mostrar a rapidez e boa técnica que tem, assim como voltou a repetir vezes a mais más e tardias decisões. Apanhou pela frente um estreante em jogos de Primeira Liga, mas nem por isso conseguiu ser mais consequente. Porque insiste em insistir e não em jogar prático e fácil quando as coisas começam a não correr bem.
Um avançado vive de golos, morre de desperdícios. Foi uma pena aquele falhanço no início da segunda metade, em que poderíamos dar outro rumo ao jogo. Em tudo o resto, foi um Uchebo igual ao que temos visto: lutador e isolado no meio dos centrais.


Pelo que se viu hoje, mais uma vez, continuamos as melhorias em alguns aspetos, assim como com os problemas, principalmente, na consistência.
Teremos os próximos seis jogos, em teoria, contra cinco das seis melhores equipas do campeonato. Próximos 18 pontos em disputa. Preocupante, olhando para os quatro pontos que nos distanciam da linha de água e para o que mostramos para fazer frente a equipas mais fortes, em casa e fora. Difícil? Como desde o início se previa, muito. Têm a palavra o treinador e os jogadores. Nós cá estaremos - pelo menos na sua maioria - para apoiar dentro do campo como até aqui. E para criticar, claro, como qualquer bom e preocupado adepto.




Força Boavista!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Venham Eles: Estoril



Dezanove pontos! Metade do campeonato com quase dois terços do objetivo cumprido seria excelente. Serão dos mais difíceis opositores que teremos no Bessa, mas, até olhando às perfomances e momento atual das equipas, é um adversário ao alcance, estando nós ao nível do melhor que já nos exibimos neste campeonato.

Dado importante: é o primeiro de uma série de desafios no Bessa contra equipas 'europeias', equipas que foram à Europa nesta época ou estão em posição de a garantir para a próxima. Seguem-se Braga, Rio Ave, Porto e Vitória. Junte-se deslocações à Luz e a Coimbra e teremos o nosso ciclo infernal. Ao contrário da primeira volta é preciso pontuar nestas próximas batalhas, sob pena de pagarmos caro (na classificação!) alguma mão cheia de derrotas. Nada melhor do que começar com uma vitória...
A distância para os perseguidores é perigosa: em caso de derrota poderemos descer três posições (e duas se empatarmos), ganhando subimos um lugar (apesar de com os mesmos pontos que o Estoril).



Olhando para a nossa equipa, na defesa não devem haver mexidas, mantendo-se a dupla de centrais (ou vamos ter Ervões?), Beckeles na direita e o regresso de Afonso à esquerda.
No meio campo, a grande curiosidade prende-se com Cech (que deixou boas indicações em Alvalade) e se poderá ser opção ou não. No caso de o ser e a titular (no meio campo, pois também poderá sê-lo na lateral esquerda, se bem que não acredito que Afonso perca a titularidade) veremos quem lhe dará o lugar (não sei se será boa altura para tirar Diego Lima da equipa, apesar de o jogo convidar a um meio campo mais trabalhador e cauteloso). Mas aqui é a habitual incógnita, em que parece que só Idris tem lugar cativo.
No ataque, não podendo contar com o nosso jogador mais utilizado, Zé Manuel, temos Brito, Léo e Uchebo. Será surpreendente algo diferente deste trio.

Do adversário, parece-me claro que são uma equipa perigosa e com boas soluções no meio campo e ataque; na defesa, têm uma baixa importante na lateral esquerda, ao que parece com dificuldades para a colmatar.
São a equipa que menos perdem fora de casa depois dos três primeiros classificados: têm apenas duas derrotas, sendo de longe a que mais empates têm (5).
Nota para o reencontro com José Couceiro (depois do seu mais que provável regozijo pela nossa descida), aquele para quem o Boavista Campeão Nacioal e a representar Portugal na Champions deveria ser uma vergonha para os portugueses. Lembram-se disso? Por mim é daquelas merdas que não se esquecem nem perdoam no mundo do futebol. Aconteceu ainda antes da polémica em 2004, entre ele e o nosso presidente e em que envolveu processos judiciais, depois das suas declarações acerca da suspeição que rondava o Boavista. É recebe-lo... bem.

 
Força Boavista!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Eliminados



Adivinhava-se difícil, mesmo perante uma equipa b do sporting (muito parecida com aquela que foi ganhar a Guimarães) e encarando nós o campeonato e o próximo jogo no Bessa como máxima prioridade. Beckeles, Idris, Lima, Léo e Brito fora dos convocados, Cech, Carvalho e Uchebo no onze, dois ex juniores utilizados, outros dois no banco.

Desde muito cedo (duas jogadas de perigo ainda antes dos dez minutos) e vezes a mais não conseguimos evitar o desposicionamento nem a inferioridade numérica em zonas perigosas para a nossa baliza. Demo-nos mal com a velocidade do adversário, demoramos a acertar marcações e compensações nas laterais, sequer a tentar pressionar suficientemente alto para podermos respirar e organizar um pouco melhor. Depois da meia hora conseguimos reequilibrar, uma ou outra boa incursão no ataque e, surpresa, um lance perigoso através de uma bola parada.
Entramos melhores e mais confiantes na segunda parte, sobretudo no controle dos espaços e do perigo junto à nossa área. E o pouco que lá chegou foi bem resolvido. O golo surge numa altura em que até tinhamos algum domínio na partida (também fruto da expulsão), voltando depois a ser bem evidentes os problemas em incomodar o último terço do adversário, embora alguns momentos de boa posse de bola.

Algumas notas:

É difícil escolhermos dois titulares dos quatro centrais que temos. Talvez se juntassemos o melhor das duas duplas conseguíssemos melhorar alguma coisa. E como estamos em janeiro...

Cech, bem vindo. Jogou no meio campo e para quem já não o fazia há meio ano, não foi nada mau.

Perto do Julián todos pareciam Carrillos. Teve momentos... péssimos.

Chegou a vez de Gouveia, a fazer lembrar o que Anderson Correia fez em dois ou três jogos: arriscar e perder em zonas proibidas. Cumpriu em quase todos os outros lances, falhou naquele que não pode nem deve falhar. 

Quincy pareceu mais rápido, embora as coisas não lhe tenham saído nada bem. Com ele parece que vemos um pouco de futsal em campo de onze. A técnica está lá, se ele vai tirar proveito ou não, é aguardar.

Nota positiva para a combatividade (e alguma lucidez e objetividade em alguns momentos) dos três da frente.


Derrota que custa a digerir, como quase todas. Uma vitória, ou pelo menos um empate, poderia ser uma boa injeção de moral, e não estivemos tão longe quanto isso de o conseguir. Hipotecamos as hipóteses de chegar às meias finais, próximos desafios (com ambos os Vitórias) a serem aproveitados para se evoluir, coletiva e individualmente, como se tem feito até aqui. Nada de novo.


Força Boavista!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Ponto.


Lembro-me de gozar com os amigos andrades a propósito da piscina olímpica, acerca dos apoios camarários de então e de a dita só ter água quando São Pedro assim queria. As obras demoraram anos, sem nunca se terem concluído. Podem saber mais aqui.

Não faltarão argumentos para esclarecer a cedência da piscina de Campanhã ao fc porto. Compreensível até certo ponto. São um dos clubes nortenhos com maior tradição nas modalidades aquáticas (sim, tinham piscinas, ainda antes da construção do Municipal e até competem em pesca submarina...).

Mas haverão então mais entidades com igual possibilidade de recorrer aos fundos comunitários para a realização das obras nas infraestruturas em Campanhã e contribuir assim para uma descentralização que tantos apregoam? Não é difícil supor que sim, nem será preciso dar o bom exemplo do Salgueiros.




Mais difícil de explicar, perceber e aceitar, são os apoios dados pela Câmara Municipal do Porto ao recém criado clube PortoVólei, mesmo tendo em conta que este surge do desaparecimento de um outro clube portuense e campeão nacional feminino da modalidade.
Não se discute a envergadura desse apoio, discute-se sim a EXISTÊNCIA do mesmo.

O Voleibol Feminino do Boavista é uma das modalidades que mais orgulha os Boavisteiros. Por vários motivos: pela história, títulos, pela intensa paixão com que os muitos adeptos acompanham a modalidade, pelas centenas de jovens atletas que, ano após ano, competem nos mais variados escalões de formação que o Clube dispõe. Acima de tudo, um enorme serviço social prestado pelo Boavista, ao longo dos últimos 32 anos.
Não é segredo das dificuldades que o departamento atravessa, e atravessou nos últimos anos, quer pela conjuntura social, quer pelo momento do Clube, assim como não é segredo os inúmeros pedidos de ajuda que o departamento tentou, entre os quais à edilidade portuense, para... sobreviver.
O que chegou, o que nos ajudaram? Nada. Zero. Crise. A situação, obviamente, causou enorme revolta nos responsáveis Boavisteiros, os que lutam diariamente para a existência e crescimento da modalidade.



Nada contra a colorização da imagem da cidade. A política é que não pode ter uma só cor. Ou melhor, não pode ter cor. Somos todos nós, não só os mais ricos, os  maiores, os que mais concordância acarretam ou os que mais votos garantem dentro de dois ou três anos.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Derrota na Madeira


Na prática, e sendo sempre mau perder, mantemos a distância para a linha de água (5 pontos), encurtamos para os perseguidores, assim como para o lanterna vermelha (7 pontos). Uma derrota na próxima jornada poderá significar uma queda de 3 lugares na classificação.

Surpreendeu-me um pouco a abordagem ao jogo, um pouco na linha do que se havia feito nos dois jogos anteriores, em casa, frente a Belenenses e Arouca, pese embora o desafio ser fora do Bessa e contra uma equipa em crescendo e com outros argumentos. Apresentamo-nos em campo para discutir os três pontos de uma forma declaradamente mais ofensiva, deixando de lado a mentalidade [extra-]defensiva com que encaramos os dois últimos jogos fora (que tinham resultado numa vitória e numa derrota pela margem mínima). 
Ou seja, Beckeles a defesa direito, Idris e Tengarrinha no meio campo, deixando-se Lima (mesmo tendo jogado como médio), Quincy, Léo e Zé Manuel como homens mais ofensivos.

Até terá sido compreensível a estratégia, numa tentativa de dividir o jogo e procurar chegar à vantagem primeiro, tirando depois partido de uma maior frescura física. Em causa parece ter ficado a consistência defensiva, que tantas dores de cabeça nos tem dado. Isto, claro, tentando tirar a pulsação à partida através dos números e resumos.


Ficam as estatísticas e as imagens da NacionalTV (o nosso golo e os lances perigosos do adversário).


De novo muitos problemas no eixo da defesa, olhando aos lances que o adversário consegue ter vantagem nessa zona do terreno. Não é segredo que o mercado de janeiro nos poderá ser útil para podermos fortalecer aquele que será o setor mais frágil da equipa.



Uma derrota com poucas implicações na classificação, graças ao que de bom temos feito. O que resulta é num jogo de maior responsabilidade frente ao Estoril, em nossa casa, até olhando ao futuro próximo e os jogos muito difíceis que nos esperam. É uma daquelas finais, mais uma.


Há que acreditar no grupo, não há motivos para deixar de o fazer. Força Boavista!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Cech



Fiquei algo surpreendido com a contratação do internacional eslovaco. Nem daria muita importância se fosse só notícia ou boato, pois acharia que Cech não seria para o nosso bolso, nem nós lhe poderíamos oferecer condições para ele assinar.

Tenho uma ideia muito positiva, a lateral esquerdo mas também a médio. Foi nesta última posição que jogou (julgo que na maioria das vezes) em Inglaterra, onde esteve 3 épocas no WBA (perto de 70 jogos). Passou pelo Trabzonspor (onde foi pouco utilizado, 20 jogos em duas épocas) antes de rumar a Itália na temporada passada (começou a titular, fez onze jogos numa época desastrosa para o Bologna). Estava sem clube, veremos como está fisicamente, mas é provável que não demore tanto tempo a recuperar a forma como outros que temos no plantel.
Some-se mais de 50 internacionalizações e temos um dos jogadores mais experientes do plantel, que muito jeito nos poderá dar. 

No nosso caso, será útil em qualquer posição. Do lado esquerdo, seja na lateral ou na ala (a lesão de Correia veio diminuir as opções), seja no meio campo, que poderá ser alternativa a Tengarrinha, Carvalho ou mesmo a Diego Lima. Palpita-me que poderá tornar-se peça no nosso meio campo, mas vamos esperar para ver o que pode saír dali.


Veremos também se será o único a reforçar o plantel ou se virá mais alguém. Apesar de termos quatro opções para o eixo da defesa, é um dos setores que mais problemas nos tem dado, e Petit confirmou-o há dias falando da redução do plantel.
Das dispensas, dizer que foram normais, mais ou menos as esperadas. Cid, Gouveia, Luís Neves e Yoro foram poucas vezes utilizados, precisam de rodagem e minutos numa equipa (e campeonato) onde possam dar o contributo. Especial curiosidade para ver a colocação que se consegue para o extremo, dos quatro talvez aquele que mais prometa num futuro próximo.



Força Boavista!

16



Vitória tão importante quanto justa. O adversário era direto, a linha de água estava mais próxima e nós, como tem sido hábito nesta época, cerramos os dentes e ganhamos mais uma final, mais um daqueles desafios que é proibido perder e que até valem um pouco mais que os três pontos."Ganhamos", nós. Nós todos, dentro do campo e fora dele, dada a importância dos adeptos no momento mais importante do jogo.

Curiosidade acerca do onze e postura da equipa para este embate frente ao Arouca. A estratégia dos últimos dois jogos para o campeonato - Setúbal e Moreira de Cónegos - havia sido mais defensiva. Bem mais, como todos se lembrarão. Como disse Petit depois da vitória em Setúbal, uma mudança radical, sobretudo na mentalidade e na abordagem aos jogos. Assumiu-se - e bem quanto a mim - que parte do problema está cá atrás e na forma como somos permissivos no momento defensivo (e não só no setor recuado), pagando caro quando queremos 'esticar' um pouco mais o nosso jogo. Linhas recuadas na tentativa de reduzir o erro ao mínimo; dois trincos, dois alas com prioridade defensiva, para blindar ainda mais; e acima de tudo: a intenção de, começando na expetativa, controlar e ir crescendo com o jogo e com o que ele pode ou não dar.
Correu bem em Setúbal, não tão bem em Moreira. Positivo, se tivermos em conta que a equipa do sul será, presentemente, um concorrente [mais] direto. Na derrota, até conseguimos reagir bem, depois do pior que pode acontecer a uma equipa que adopta este tipo de estratégia, sofrer um golo cedo. Não nos 'desconcertamos' (como já aconteceu várias vezes depois de sofrermos cedo na primeira parte), conseguimos reagir e discutir o jogo até final, apesar das dificuldades em sermos mais consequentes no último terço. E aqui vale a pena dizer outra coisa: foi um daqueles jogos em que as bolas paradas tiveram um papel decisivo, como vai acontecendo aqui e ali durante a longa temporada. Eles [só] criaram perigo (e marcaram) por aí, nós não, apesar do idêntico número de oportunidades. Num aspeto - repito - em que já estivemos bem melhores (principalmente no plano ofensivo).

Mas lá está, de novo, aquela que tem sido a nossa imagem de marca desta temporada: a 'eficácia' do ponto. Depois de cinco derrotas nos seis jogos anteriores, seria primordial ir buscar pontos na dupla deslocação. E fomos.

Ainda antes da primeira vitória do ano, estreia na fase de grupos da Taça da Liga. Se nos lembrarmos do jogo no Restelo de há dois meses e do desequilíbrio de forças que ficou então patente, acho que podemos dizer que acabamos por fazer um jogo bem conseguido, também olhando às diferentes prioridades que ambos os treinadores parecem dar à competição. Estivemos por cima em muitos momentos do jogo, conseguimos criar as melhores oportunidades e fomos a equipa que mais próximo esteve da vitória. Sem ser brilhantes, fomos práticos e de concentração ao máximo, contra uma equipa, convenhamos, para já mais evoluída.



Retomando o jogo com o Arouca. Tengarrinha, Lima e Afonso, as principais novidades. Sobretudo, diferença no meio campo e na forma como abordamos o jogo: meio campo menos robusto (só com Idris a trinco), deixando Tengarrinha e Lima como médios com maiores responsabilidades de contruir jogo. Lateral direita normalizada, com Beckeles a defesa e dois alas. Alas mesmo, com [maiores] preocupações ofensivas quando comparando com os últimos dois desafios.


Não sei se terá sido o melhor jogo da temporada, como diz Petit, não tenho dúvidas é que foi a melhor reação a um golo sofrido, dos melhores trinta minutos que fizemos esta época e da maior superioridade frente ao adversário que alguma vez mostramos nesta Primeira Liga. Daí a justiça do resultado.

Até entramos melhor no jogo, a controlar mais e com maior intenção de chegar perto da baliza adversária, toada que mantivemos toda a primeira parte. Erros individuais permitiram alguns sustos perto da nossa área, apesar de nunca nos desconcentrarmos em demasia nem nos desequilibrarmos depois das perdas de bola. Justa a vantagem ao intervalo.
Dez minutos da segunda metade, tivemos a postura que se adivinhava, de maior expetativa, sem permitir grandes aproximações ao nosso último reduto. Voltamos a sofrer na pele a falta de jeito nas bolas paradas.
A partir daqui partimos para uma excelente meia hora. Pressionamos e encostamos o adversário, ganhamos segundas bolas e carregamos a área contrária, quase não permitindo contra ataques que pusessem em perigo a nossa baliza. Marcamos um, falhamos algumas situações, matamos o jogo já nos descontos, sem nunca ter deixado de o controlar, mesmo com a vantagem mínima.


Algumas notas:

Ervões apareceu em bom plano no jogo da Taça da Liga, mas a escolha voltou a recaír na nossa dupla de centrais mais eficaz ou menos batida, Sampaio e Santos. Não foram perfeitos, mas voltaram a entender-se bem e sendo minimamente eficazes perante a carga de trabalho a que foram sujeitos.
Na esquerda, finalmente a estreia de Afonso na Liga, também ele depois de uma boa exibição contra o Belenenses. Esforçado, sempre concentrado e dado a poucos facilitismos, fechou bem a lateral esquerda. São dois jogos que prometem, veremos como correm os próximos. Para já, muito melhor que a aparição nas Aves. 
Do lado oposto, aquele que deve ser dono e senhor do lugar, Beck. Só não o é pela utilidade noutras posições, a ala defensivo (como nos dois últimos jogos) ou a para dar consistência ao meio campo (como o fez e bem, quando Dias entrou para lateral).
Idris, está ligado aos dois lances mais perigosos do Arouca na primeira parte, assim como a inúmeros desarmes que conseguiu fazer na zona intermédia e o habitual e útil auxílio aos centrais. Vendo bem as coisas, um jogo à Idris.
Sinceramente, não entendi bem a saída de Tengarrinha da equipa (processo de evolução da equipa?), voltou nestes dois últimos desafios e, para não variar, em bom plano. Foi também bem susbtituído por Carvalho, quando foi preciso refrescar e dar outro tipo de soluções de passe ao meio campo. 
Melhor Diego Lima da época, depois dos sinais positivos em Moreira e, principalmente, no jogo perante o Belenenses. Muito mais intenso na disputa da bola, mais interventivo no momento defensivo (mesmo sem bola, neste teve um papel de maior responsabilidade no meio campo, sendo daí mais um terceiro elemento que um segundo no ataque), rematador, mais perto de receber a bola e distribui-la em boas condições. Gostei, veremos o que nos trazem os próximos desafios.
Zé Manuel continua a sua evolução, conseguiu aquele que provavelmente terá sido o seu melhor jogo na Primeira Liga. É continuar, acredito mesmo que não fica por aqui.
A juntar ao português que nos acompanha do CNS, Léo continua em bom plano. Não tão bem como em Setúbal, onde jogou numa posição e função diferentes, mas a fazer uso do poder de desequilíbrio que tem. Segura bem a bola, passa bem, por vezes continua a decidir tarde e mal, mas foi, sem dúvida, uma exibição positiva.
E eis as razões porque temos um suplente de luxo, Brito. Voltou a entrar bem, fez-nos ser mais perigosos mesmo no pouco tempo que jogou e fechou o jogo. O banco não lhe faz mal, claro (e fará a alguém deste plantel?!).
Uchebo, mais um golito. Um golo, muita luta, muito trabalhinho e desgaste infligido à defesa contrária. Já o tinha dito aqui, gosto de o ver descaír para as alas (e aí desequilibrar, como temos visto), apesar da sua altura, o que normalmente convida a um estilo de jogo mais posicional. É verdade que o jogo aéreo não parece ser a sua especialidade, apesar de por vezes exagerarmos no jogo direto que dele exigimos resposta. Não maravilhou, mas foi-nos bastante útil, não só pelo golo decisivo.



Em suma, vitória crucial. Décimo segundo lugar, quatro equipas entre nós e a linha de água, que está a cinco pontos. Não é muito, mas temos tudo para continuar a evoluir, mantendo esta atitude.
Visita à Madeira no próximo domingo, às 18h e sem tv.


Força Boavista!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Venham Eles: Vitória de Setúbal



Visita a Setúbal, a um ponto do adversário, mais próximos da linha de água (3 pontos) e a necessitar não só de pontos mas de uma exibição convincente. Quando digo convincente, digo a dar mostras de alguma consistência e estabilidade, principalmente defensiva.
Temos, apesar do jogo direto em excesso, mostrado alguma evolução quando temos a bola e procuramos chegar perto da baliza adversária. As opções vão aumentando, a confiança e entrosamento também, o que é bom para a equipa. Viu-se no Restelo, na meia dúzia de golos nos dois jogos em casa, mesmo (vá, com algum esforço) nas derrotas no Funchal e Sporting.
O problema maior é mesmo a insegurança no setor recuado quando não temos a bola nem recuamos em excesso, a permeabilidade excessiva do nosso meio campo e defesa, o mau posicionamento a as falhas de concentração, e as facilidades que os adversários cedo encontram para alvejar a nossa baliza. E consoante o seu êxito, vamo-nos mantendo ou não no jogo, quase sempre acabando por ter que reagir às adversidades.

Ora por lesões, castigos ou mesmo por opção, não conseguimos estabilizar a dupla de centrais, o que em nada ajuda ao ganho de estabilidade pela equipa. Ervões e Sampaio, ambos disponíveis, para Setúbal? Ou Santos, o nosso defesa com menos golos sofridos? Lucas, não acredito.
Temos, há já algum tempo, a agravante de não poder contar com Correia, um dos indiscutíveis, veremos se finalmente estará de regresso. Julián não faz esquecer Afonso, quanto mais o brasileiro. Se bem que mais ofensivo quando comparado com o português, tenho muitas dúvidas se será tão melhor a defender (a principal missão de um lateral) que Afonso, pelo menos o suficiente para fazer os últimos seis ou sete jogos (e mesmo com algumas prestações positivas pelo meio).
Mais certo será o regresso de Beckeles à lateral direita (aquela expulsão é talvez a maior razão de queixa que temos a respeito das arbitragens), o que é positivo.

No meio campo, coisas positivas e outras nem tanto. Desde logo Reuben Gabriel, que dá mostras de ser uma opção viável, o que no nosso caso vale ouro. Como já discutimos aqui, Tengarrinha e Anderson já formaram uma boa dupla no meio campo. O brasileiro tem demorado a aparecer, mas fê-lo bem nos últimos três jogos, jogando como o médio mais solto, o primeiro a pressionar os defesas contrários e oferecendo qualidade de passe não só no meio campo mas também no último terço. Estranho é a ausência de Tengarrinha, impedindo a repetição da dupla. Serão incompatíveis segundo o treinador? Precisará o meio campo, além do músculo de Reuben, do peso e altura a mais que tem Idris quando comparado com aquele que tem sido um dos nossos melhores jogadores, Tengarrinha?
Veremos em Setúbal, mas eu gostava de ver o regresso da dupla. Com o português, se não a médio centro (recuando Gabriel), pelo menos a trinco (onde também já jogou esta temporada). Mesmo que se perdesse, na teoria, maior capacidade de proteção ao eixo da defesa.

No último terço, como disse acima, tem-me agradado alguma evolução que vimos mostrando. O excesso de jogo direto não é só culpa do trio da frente, como é óbvio. Brito, Zé Manuel, Leozinho e mesmo Quincy dão mostras que podem ser os desequilibradores que precisamos, juntando a Uchebo que, sem dúvida, poderá tornar-se num jogador útil, não só pela estampa física, poder no jogo aéreo e presença na área, mas também pelo que pode fazer quando descai para as alas. Mantendo Carvalho no onze e tendo Pouga recuperado, pode ser algo mesmo bastante positivo.



Em suma, é pegar e baralhar. Coisas positivas temos, negativas e a precisar de melhorias evidentes também. O tempo ajudou, ajuda sempre, mas, claro, há já algum tempo que está a ficar curto. As boas prestações nos jogos em casa, nas 'finais' que tínhamos que ganhar, as más dos adversários mais diretos, tem catapultado a equipa para uma classificação satisfatória, o que até só pode ter sido bom, em termos de estabilidade e confiança.

É horinha de, como diz Petit (há três meses, é certo, mas diz), ir buscar pontos fora de casa. E, digo eu, a oportunidade é de ouro, olhando para a classificação e calendário (o Setúbal é e vai ser do nosso 'campeonato', ao contrário do adversário seguinte na visita a Moreira de Cónegos). 


Força Boavista!


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Carlos, és o Maior!



Vitória tão justa quanto sofrida, num jogo em que, à exceção dos primeiros 15 minutos, fomos sempre superiores, mais perigosos e os que mais procuramos os três pontos. É certo que algum do perigo chegou de bola parada (melhoramos tendo em conta os últimos desafios, principalmente nos livres), mas não fosse a inspiração do guarda redes adversário poderíamos ter chegado à vantagem muito mais cedo (e então explorando as costas da defesa contrária, como parecíamos aptos a faze-lo).
Em relação ao último jogo, só os centrais foram diferentes. Olhando para o trio de meio campo e à própria postura da equipa, Petit abordou o jogo privilegiando a consistência defensiva (em teoria, semelhante ao Restelo), deixando o ataque aos três habituais. No meio campo, Idris o médio mais recuado e posicional, Ruben e Tengarrinha mais adiantados e com mais responsabilidades na construção de jogo da equipa.

Primeiros quinze minutos os mais equilibrados (diria até fruto da nossa entrada de maior expetativa e mais cautelas), findo os quais conseguimos ter maior domínio e maior capacidade de luta, encostar por vezes o adversário, conseguindo jogar no seu meio campo e controlando as suas investidas.
Mantivemo-nos por cima durante a maior parte do tempo, apesar das maiores dificuldades depois da saída de Tengarrinha e enquanto não entrou Bobô. Com a linha de quatro avançados e dois médios, acrescidas dificuldades de ganhar segundas bolas, apesar de em parte disfarçadas pela boa entrada de Leo. Com Bobô, conseguimos ser mais perigosos, mais eficientes a criar perigo e a forçar desequilíbrios através do jogo direto. O golo é justíssimo, repito, por aquilo que fizemos e lutamos, pela superioridade que mostramos em relação ao adversário.  


A verdade é que nos sentimos confortáveis: jogo afastado da nossa grande área, proteção na zona central e, dado o posicionamento do meio campo, reduzindo as hipóteses de nos desequilibrarmos. Mesmo que isso se ressinta em termos ofensivos, será a melhor forma de sermos mais competitivos por agora (pelo menos com adversários mais ou menos deste calibre).
Ruben e Tengarrinha cumprem na circulação de bola e fazem o que podem para tentar arranjar espaços no último terço (o golo surge de um centro na ala do nigeriano) nas vezes que conseguem aí chegar, mas revelam-se muitas vezes curtos nesse aspeto quanto têm também de preencher os espaços e procurar ser eficientes na recuperação de bola. A eles, juntam-se algumas investidas (e contidas) dos laterais, quer por Beckeles, quer por Julián. No resto, preferência total pelo jogo direto, tentando aproveitar as caraterísticas dos jogadores da frente, apesar de sentirmos dificuldades acrescidas dado o tal pouco apoio do meio campo (e natural, dado o passe longo e rápido).
Uchebo é por vezes útil nessas situações (e não só no meio, tem a virtude de descaír bem para as alas), Zé Manuel também consegue tirar partido da sua força e dar sequência em alguns lances. Junte-se Brito e alguns desequilíbrios conseguidos pelas suas arrancadas, e temos o nosso jogo ofensivo. Pouco agradável à vista, provavelmente ainda curto para a maioria dos jogos que se avizinham, mas mais que suficiente no jogo de ontem.


Algumas notas:

Beckeles agarrou em definitivo o lugar. Mais uma boa exibição, apesar da jogada de maior perigo do adversário ter nascido na zona dele. Comparando com Dias, neste momento traz mais segurança e robustez à lateral direita.
Continuo a não concordar com a não entrada de Afonso, apesar de Julián não estar disposto a dar-me razão. Apesar do opositor rápido e de algumas dificuldades iniciais, conseguiu cumprir bem na maioria dos lances.

Gostei do Rúben, pode ser muito útil no nosso meio campo. Já tinha gostado na semana passada, pareceu mais entrosado e melhor no jogo da equipa. Veremos os próximos tempos, mas promete (o que até pode não ser bom, o último que prometeu assim foi Carvalho).

Ao contrário do jogo no Restelo, levamos um ponta de lança para o banco e em boa altura o fizemos. Bobô foi-nos útil no jogo aéreo e direto, e graças à garra que imprime em cada lance ainda conseguiu algumas recuperações forçando o alívio do adversário. Ele e Leo (que voltou a entrar bem), mexeram e bem com o jogo.

Carlos Santos a garantir-nos os três pontos, quem diria? Já o disse e não o escondo: acho-o lento para a primeira Liga, apesar de reconhecer a sua evolução: no posicionamento e sobretudo na abordagem que faz aos lances, expondo-se menos às situações em que se torna mais vulnerável. Esteve bem neste jogo, justo prémio o golo da vitória (e no segundo jogo a titular, zero golos sofridos...). 



Em suma, vitória fundamental que nos permite respirar um pouco melhor e preparar, pelo menos com mais tranquilidade, os próximos desafios. E, quem sabe, começar a poder jogar um futebol mais apoiado, acompanhado da consistência defensiva que tanta falta nos tem feito.

Vem aí o Oriental, jogo para ganhar e, espero eu, jogo que contribua para o tal entrosamento que nos faz falta.


Força Boavista!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Derrota. Terceira. Seguida. Calma. Foi Eficácia. Tiros. E Jogadores Novos.



O discurso politicamente correto. Lúcido, talvez:

Eficácia? Correto. No passe, no posicionamento, no remate, em quase tudo. Falta de eficácia nas acções, coletivas e individuais. Facto. Três ataques perigosos do adversário, três golos. Primeiro remate que não dá golo aos 37 minutos...
A nós, duas situações de golo oferecidas (sim, as duas melhores oportunidades na primeira parte são passes dos jogadores azuis), marcamos um. Zé Manuel tem uma grande arrancada, faltou alguém meter o pé e encostar. Mais uma quantidade de bolas paradas que de aproveitamento foi zero, num aspeto em que regredimos imenso nos últimos desafios.
Mas admito, na primeira parte, a espaços, deu ideia de algum discernimento, algum sentido prático no jogo, vontade e confiança em alterar o rumo.

Segunda parte, adivinhava-se a postura do adversário, na expetativa de explorar o contra ataque e as nossas costas, mais balanceados para o ataque à procura do golo que nos recolocasse na disputa dos pontos. Brito a passe soberbo de Tengarrinha, jogada de Leo cruzamento sem emenda, livre do mesmo e mais umas quantas bolas paradas para o teto.



O pior é o que não produzimos. Defensivamente pagamos caro pelo facto de sermos tão macios e tão pouco eficazes a cobrir os espaços, a compensar a pressão que se faz ao portador da bola. Também foi assim no primeiro e terceiro golos, ambas as jogadas com os centrais a dobrarem nas laterais e enormes lacunas e passividade no eixo central. No segundo golo, tudo explicado quando se ultrapassa três defensores com aquela facilidade, no tal espaço central em frente à defesa onde temos apresentado imensas dificuldades nos últimos jogos.
No ataque, é o jogo direto que impera. Exceção para a lucidez de Tengarrinha, a técnica de Brito e a força de Zé Manuel a conseguirem alguns desequilíbrios. Melhoramos, aqui e ali, numa ou noutra transição bem conseguida, em raras boas receções de Uchebo, falhando invariavelmente no último passe (por vezes, no último passe para o último passe...). Bolas paradas, again, e à exceção do perigo no livre direto de Leo, todas não aproveitadas.

Nota positiva para Beckeles, a jogar na lateral pela primeira vez como titular. Quanto ao atestado de incompetência passado ao Afonso, sinceramente ainda estou para perceber (salvo se estiver lesionado) o que ganhamos com o argentino que não o consigamos com o português.


Tremenda desilusão, admito. E sim, já jogamos com os primeiros oito classificados, e quando os adversários estavam ao alcance, vencemos. Já evoluímos e mostramos coisas positivas, como aqui foi falado nos posts sobre os jogos, mesmo naqueles que perdemos. Não esquecendo a cereja do Dragão, volto a dizer que o que me preocupa mesmo é o que não produzimos. E sim, sim e sim, sei que a equipa ainda se está a entrosar, que ao terceiro mês de competição ainda estreamos vários jogadores, que a defesa, o meio campo e o ataque ainda tem elementos em busca da melhor forma e outros lesionados.

Mas é preocupante o caralho de futebol que praticamos e a consistência que, definitivamente, não conseguimos ter (e alterando os centrais, as laterais, o meio campo).
Por mim, que meti a cabeça no cêpo pelo Petit, acho que o próximo jogo é fundamental para o futuro. E para percebermos se temos futuro.

 


Siga. É para rebentar o Penafiel. Ganhar ou ganhar, jogar bem ou jogar bem.


Força Boavista!

domingo, 26 de outubro de 2014

Mau. Péssimo



Adivinhava-se um jogo difícil, não só pelo adversário mas também pela pressão acrescida sobre os nossos ombros, resultado das últimas prestações. O estado de graça terminou, o apoio existe mas não é incondicional, como é óbvio. É a fase em que a equipa e os jogadores também têm que puxar pelos adeptos. Cedo se viu o quão complicado seria evitar a derrota, cedo percebemos que ia ser mais na força e no coração, que propriamente pela maturidade ou qualidade.


Entramos razoavelmente bem, a pressionar, ganhando luta no meio campo e a conseguirmos alguma boa posse de bola com boas combinações nas alas, talvez a nossa melhor fase no jogo. Mas cedo se viu das dificuldades, não só pela incapacidade em chegar com perigo ao último terço mas sobretudo a segurar a forte transição ofensiva do adversário. É certo que o golo é a primeira chegada com perigo do Paços à nossa baliza, mas não o primeiro lance perigoso nem a primeira ameaça após roubo de bola aos nossos médios. Voltamos a errar em demasia no meio campo, já de si descompensado e expondo, para não variar e quase fatalmente, o eixo da defesa, apesar da intenção contrária de Petit. A entrada surpresa de Gouveia pode ser explicada por aí, na tentativa de proteção à zona central, libertando mais Tengarrinha e Anderson para, além de pressionarem mais alto, poderem desequilibrar no passe mais à frente. O problema é que se abdicou demasiado cedo dessa intenção e, quanto a mim, da pior maneira, desfazendo aquela que será a melhor dupla que poderemos apresentar no meio campo. Passamos por enormes dificuldades, mesmo com mais uma solução ofensiva, mas sem apoio de retaguarda nem consistência para podermos pegar no jogo e tentar encostar o adversário. Muito menos com alguma sequência à solução mais vezes encontrada, o futebol direto. Continuamos permissivos, sem fluidez na posse, cada vez mais os jogadores a denotarem pouca confiança não só neles mas no próprio sistema e nas soluções que não oferece. A agravar, o receio do erro cada vez mais evidente, não só no passe mas sobretudo no posicionamento de cada um, na linha de passe que não surge, nas opções de ataque que não aparecem no lugar e hora certos.
Não tombamos mais cedo no jogo graças a Mika e à ineficácia alheia (um Paços que, apesar de ter qualidade, esteve a milhas no jogo de ontem), e ainda tivemos um último respiro, um pequeno assalto de confiança e fé que quase nos dava um imerecido mas bem vindo empate.  


Algumas notas:

Nem seria preciso a sua boa entrada no desafio (apesar do segundo golo surgir por ali...), mas custa perceber como Beckeles não calça mais vezes. Ainda mais num meio campo a três, como foi apresentado por Petit, dando-se preferência à inexperiência de Gouveia (estreia na Primeira Liga e em jogos oficiais este temporada). Até acho que o jovem tem valor e teve uma atuação positiva, enquanto teve forças e embora com dificuldades (como outro qualquer teria, na forma como estava aquele meio campo), mas, ainda assim, custa explicar a ausência de Beckeles.

A outra surpresa foi Julián, na lateral esquerda. Fico na dúvida se Afonso está mal fisicamente ou se foi mesmo opção. Verdade que não foi (só) por ali que tivemos problemas, nem o extremo foi demasiado permissivo quando comparado com o lateral de raíz do lado contrário. Mas é uma pena estas situações (o afastamento de Correia...) não servirem para se dar mais minutos e experiência àquele que é um dos nossos melhores valores, Afonso.

Zé Manuel, Brito. Na linha do que tem mostrado, apesar de poucos momentos de desequilíbrios. Zé Manuel mais vítima do sistema (pareceu perdido no meio do ataque e nas solicitações que foi alvo), Brito a tentar inverter no meio da inferioridade numérica perante o adversário.

Porque nem tudo foi mau, gostei do Uchebo. Pouco entrosado é certo, ainda com decisões demasiado individualistas, mas mostrou que pode ser uma excelente opção. Além de homem área (pela estatura e posicionamento nas bolas aéreas), descai para as alas e safa-se no um para um, mesmo na finta desengonçada.
Tengarrinha, de novo. O melhor, de longe. Um ou outro erro ou mau passe, mas muita clarividência, vontade, concentração. Admito mais uma vez, para mim uma enorme surpresa a qualidade que apresenta no seu jogo. Lance que descreve um pouco a nossa atuação e a dele próprio: minuto tal, Tenga recupera no meio campo, desamarca-se para receber mais à frente na ala, vai à linha e cruza, mesmo sabendo que nenhum companheiro de equipa estava a menos de quinze metros dele e todos longe da área. E resigna-se, estarrecido no chão...
Ainda no lado positivo, Quincy mostrou o mesmo da semana passada e eu também digo o mesmo. Pés tem ele, falta saber como vai ser do ritmo e como Petit conseguirá tirar o melhor partido das suas qualidades. Ontem está no golo e em mais um par de jogadas perigosas.  
Leozinho também foi uma (pequena) agradável surpresa, apesar dos poucos minutos e de uma ou outra má decisão. Fura bem, não tem medo de enfrentar o adversário, veremos como cresce nos próximos tempos.


Preocupa, sobretudo, o desnorte que parece evidente quando se vê a equipa a abordar o desafio, a jogar e a ter a iniciativa, a encarar as dificuldades e a reagir a elas. Estamos no momento em que é mesmo preciso apresentar não só resultados, mas algo mais que atitude (e muitas vezes beliscada não pela falta de vontade mas sim pela falta de confiança, receio e descrença).
Temos três bons médios para formar um meio campo que não formamos, temos avançados ainda à procura do melhor ritmo, temos defesas indisponíveis e que nos fazem falta. Temos algumas coisas boas, mas por um motivo ou outro, uns compreensíveis outros mais difíceis de perceber, tardamos em acertar agulhas.



Na classificação, os danos podem até nem ser muitos. Dois que estão abaixo de nós já perderam, outros dois defrontam-se, portanto a queda poderá ser de um ou dois lugares. Restelo na próxima segunda feira, seguido de uma final com o Penafiel. Mais um jogo sobre brasas e mais um desafio para a equipa mostrar o que tem faltado. 



Força Boavista!

domingo, 19 de outubro de 2014

Humilhados





Acho que humilhação é mesmo a palavra certa para descrever aquilo que se passou na Vila das Aves. Mesmo conscientes (e avisados!) que a Liga é a prioridade, a competição na Taça, neste jogo em particular, seria um bom momento para encarar o jogo com unhas e dentes. Ou seja, com o melhor onze possível, que já assim, graças a lesões e castigos, contava com alguns impedimentos.
E começamos a perder aí, na "equipa competitiva" que não conseguimos ser. Por razões, apetece-me dizer, óbvias.




Se do lado esquerdo havia confiança em Afonso (mesmo sendo o seu segundo jogo oficial da época), já no centro da defesa Santos a fazer par com Lucas seria sempre motivo de preocupação. Já conhecemos as caraterísticas de Carlos Santos, não adianta estar aqui a chover no molhado. Muito embora a boa vontade (e evolução em alguns aspetos nos últimos tempos), ontem foi mais do mesmo. Com Lucas ao lado, adensam-se os problemas, enormes problemas principalmente no espaço curto, ambos lentos e ineficazes. Ontem fizeram um jogo péssimo, talvez o setor mais frágil da equipa (ou terá sido o meio campo?).

Ao contrário da defesa (Ervões e Phillipe impedidos), no meio campo mexeu-se porque se quis mexer ou porque se achou conveniente. De início parecia que para pior, no final não havia dúvidas (mesmo durante o jogo, até para o próprio Petit). Tem sido um dos pontos fortes da equipa, e onde mais evoluímos nos últimos tempos, na consistência de Tengarrinha-Anderson. Entre outras coisas, úteis na proteção no espaço central, à frente da defesa, sendo que parte do descalabro de ontem teve a ver com isso mesmo, e na incapacidade de Idris (outro péssimo jogo) e de Cid em o fazer sequer com alguma eficácia (e a ajudar à festa, não havia Beckeles...). Com bola, quase pior, fácil de ver que dos três médios só Anderson tem alguma capacidade em fazer rolar o jogo e encontrar melhores soluções. Ontem, só dos pés dele saíu algo de contrutivo, mesmo que poucas vezes.

No ataque, embora a pouca eficácia, contamos com os nossos dois melhores no jogo de ontem, Zé Manuel e Brito. O primeiro continua a sua evolução, ontem mais um jogo conseguido, esforçado, está no lance do golo e nas nossas duas melhores oportunidades. O perigo que conseguimos criar vieram sempre dos pés destes dois e quando tinham algum sucesso nas iniciativas individuais..
Nota positiva para Quincy. Acusou a enorme falta de ritmo, mas bola sai redondinha dos pés dele, é daqueles que recursos técnicos não são problema. Começou a extremo, mas foi sempre no meio que desequilibrou, mesmo antes de passar para a posição '10'. Veremos como consegue adquirir a melhor forma e como conseguirá Petit encaixa-lo na equipa. Mas promete.



Em suma, foi a fatura da quantidade de erros cometidos, antes e durante o desafio. Arriscamos nas opções e viu-se que em demasia.
E a fatura, para já, não somos nós a paga-la. Nem os jogadores, nem treinador, nem a camioneta. Tem que ser o Paços. Já no sábado, um dos jogos mais importantes dos últimos tempos. E que não seja nada parecido com o de ontem. Em nada.



Força Boavista!

domingo, 5 de outubro de 2014

E é isto...



Hoje vai ser uma mini-crónica.

Encaramos o jogo, apesar de ser fora e contra um adversário mais rotinado, com idêntica postura (e mesmo onze) ao último desafio no Bessa. Na primeira parte (e do que consegui ver, pois a maioria dos adeptos entrou já o cronómetro estava perto dos 30 min de jogo), conseguimos estancar bem o ataque vimaranense, controlando o perigo junto da nossa área, tentando uma ou outra saída para o ataque. O golo, num dos erros graves que se cometeram, surge antes do intervalo e abana um pouco a estratégia delineada por Petit (manter o nulo até enervar o adversário - e bancadas - mudando um pouco a postura com o jogo mais partido).
Na segunda parte, sentimos dificuldades em reagir à desvantagem, fomos incapazes e empurrados para trás em algumas situações pelo árbitro da partida. Mostrou, claramente, que a pressão de Rui Vitória durante a semana daria os seus frutos. Voltamos a errar em demasiados lances, o que ajuda a explicar o resultado desnivelado.




Não dá vontade de escrever mais, lembrando da situação que aconteceu com um dos nossos adeptos. Tudo parece perder importância perante este acontecimento, não só pela sua gravidade mas porque poderia, de facto, acontecer a qualquer um de nós. Uma agressão bárbara, de uma violência extrema, completamente desproporcional. Ver o adepto no chão, provavelmente inanimado, sem que deixassem alguém chegar perto dele é outra coisa que não entendo. As críticas espontâneas ao comportamento agressivo da força policial foram respondidas com ameaças de agressão dos restantes agentes. Lamentável.



Para o adepto, as rápidas melhoras.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Foi Golos que Pedimos?




Que jogo! Bessa bem composto, emoção, bom futebol, resultado incerto e três pontos garantidos numa exibição cheia de garra, confiança e... golos! Marcados pelos nossos e para todos os gostos.

Petit aborda o jogo de forma idêntica (desta feita 4231 declarado) ao que havia feito contra a Académica (diferença no onze, só Bobô no lugar do lesionado Pouga), mantendo Beckeles como médio direito e Zé Manuel no apoio ao avançado. Como já o disse, acho uma boa solução encontrada pelo nosso treinador, tendo em vista o equilíbrio entre consistência defensiva/argumentos no jogo ofensivo.


Entramos praticamente a perder (a relembrar a primeira jornada...), soubemos reagir, não perdemos o discernimento e partimos para uma primeira parte de muito bom nível, talvez das mais conseguidas neste campeonato. Bem na pressão, rápidos e acutilantes no ataque, jogadas de bom entendimento num e noutro flanco, excelentes na marcação de bolas paradas, encostamos o adversário às cordas praticamente até ao intervalo (mesmo permitindo um ou outro lance perigoso dos gilistas, de bola parada principalmente). Criamos todas as condições para dar uma machadada no jogo nesse período e, não fosse a falta de eficácia e pouca lucidez na hora de alvejar a baliza, teríamos chegado ao intervalo em vantagem.
Arriscamos mais na segunda parte, com a saída de Beckeles (jogo menos conseguido do hondurenho) para a entrada de Yoro, claramente um jogador de caraterísticas mais ofensivas no flanco direito (perdendo a utilidade do ala direito na ajuda ao meio campo e ao lateral). Praticamente entregamos o meio campo à dupla Tengarrinha/Anderson e em boa hora o fizemos. Foi, em parte, devido a eles que raramente nos desequilibramos e continuamos pressionantes, consistentes, ganhando algumas bolas perto da área adversária, fechando caminhos nas imediações da nossa. Ainda assim, e risco assumido por Petit, julgo eu, dividimos grande parte do desafio e das iniciativas de ataque nesta segunda parte, em busca da vitória e dos golos. Grande mérito nas reações aos momentos negativos, não só ao golo do adversário, como nas alturas de menor fulgor e de algum desacerto na construção das jogadas. De novo, mais que merecemos a ponta de sorte que tivemos perto do final do jogo, tal a vontade e lucidez com que enfrentamos as dificuldades. E fomos, sem dúvida, a equipa que mais procurou (e arriscou) a vitória.


Mika, em definitivo, agarrou a titularidade. Transmite confiança à equipa, dentro dos postes e fora deles, algo muito positivo para um guarda redes. Ontem foi decisivo num par de intervenções, ainda na primeira parte.
Sampaio 'cheirava' o golo há algumas jornadas, tornando-se no nosso primeiro marcador do campeonato. Exibição na linha das anteriores: segurança na sua zona, bem na antecipação e a limpar tudo que chegava perto. Já Lucas está nos dois golos e não por acaso. Voltou a demonstrar dificuldades no espaço curto, ou seja, quando o adversário consegue segurar, controlar e virar em pouco espaço, e ele... nada. Lento. Duro de rins. Também com dificuldades em saír a jogar, esteve razoável em tudo o resto.
Outra vez, Correia?! A não emendar, vai correr mal um dia... é proibido fazer aquela finta naqueles momentos, ponto final. Ele e Dias estiveram bem a defender, ajudaram à consistência defensiva (e importante, dado o jogo dos gilistas pelos extremos), subindo a propósito pelos seus flancos. O brasileiro destacou-se ainda nas bolas paradas, principalmente na primeira parte. É dele o canto que dá origem ao primeiro golo, criou perigo e revelou (de novo) bom entendimento com Brito. Ele e Zé Manuel, muito bem nas bolas paradas. Tivemos nove cantos a favor (contra zero do adversário...), mais algumas faltas perto da área, quase tudo muitíssimo bem marcado. Vínhamos a melhorar neste aspeto há algumas semanas (nota-se trabalhinho e do bom), ontem cada lance, cada calafrio para o adversário.

Tengarrinha e Anderson... que jogão. O português como nos vem habituando, sempre bom posicionamento, eficaz no desarme, ontem foi sempre em crescendo durante o jogo. Acabou-o em grande. Já o brasileiro esteve excelente, não só pelos golos. Manteve a intensidade (que vem aumentando, ontem não foi exceção), revela grande lucidez no passe. Além de muitos e bons momentos nas saídas para o ataque, ainda teve tempo (e disponibilidade física) para ir lá à frente fazer a diferença. O seu segundo golo é fantástico.

Na frente, Zé Manuel continua a dar bons sinais de evolução e vai justificando a aposta no onze. Raçudo, bem a pressionar, é útil a deambular pela frente de ataque e encaixa bem na posição atrás do avançado, tirando partido das imensas bolas ganhas por Bobô. Quanto ao brasileiro, algumas más decisões quase manchavam uma exibição à sua imagem: nunca vira a cara à luta, ganha imensas bolas para os companheiros, arranca muitas faltas úteis. E dá sequência quando exageramos um pouco no jogo direto. Aquele toque para o golo do empate é soberbo.
Brito parece estar a caminho da melhor forma e ainda bem. É de remate fácil, decide quase sempre bem, desequilibra no um para um, muitas vezes só parado em falta.
Léo e o grande Fary, apostas de Petit para os últimos minutos, estão no golo da vitória...


Desta feita não temos razão de queixas no que toca à arbitragem. O golo gilista é legal (seria o 2-3), apesar de ser difícil de descortinar (Gladstone, que não toca na bola apesar de estar perto do marcador, está adiantado). Já na disciplina, não se entende muito bem como o adversário acaba o jogo só com um amarelo (e mostrado a cinco minutos do final...).


Em suma, voltamos a demonstrar sinais de evolução, desta feita mais evidentes no ataque. Raça e atitude em boa dose, reação às adversidades, público a ajudar nas bancadas. Sete pontos à sexta jornada, olhando ao nosso calendário e relembrando as melhores expetativas no início da época, não é nada mau. Se juntarmos a isso a evolução da equipa (e mesmo individualmente), temos tudo para continuar a acreditar e apoiar.

E get ready, vem aí o Clássico...


Força Boavista!

sábado, 27 de setembro de 2014

Venham Eles: Gil Vicente


Acho que há 7/8 jogos no Bessa, contra equipas com o mesmo objetivo que nós, que devem ser encarados como finais, daqueles jogos que é ganhar ou ganhar. Em teoria faz sentido: três pontos em cada um e mais de meio caminho para a manutenção fica feito. Este com o Gil é um deles, claro. Atual lanterna vermelho, sem vitórias e com mais quatro golos sofridos que a nossa defesa.


Gostei da abordagem ao jogo contra a Académica no que diz respeito ao que se fez pela consistência defensiva da equipa (com menor risco do que se havia feito em Vila do Conde, mesmo sendo um jogo em casa e à partida com maior iniciativa nossa). Entrada de um médio para a posição de ala (Beckeles) e a ausência de um médio ofensivo (declarado e com pouco contributo no momento defensivo), juntando Brito na esquerda e ficando Zé Manuel no apoio a Pouga (e compensando até a pouquíssima pressão deste na primeira saída do adversário). Sem bola, ficamos com uma linha de quatro no meio campo, o que, a meu ver, trouxe-nos vantagens defensivamente. Será uma dúvida para amanhã, se Beckeles continua com as mesmas funções (que também desempenhou bem no jogo do dragão) ou se fará parte de um meio campo declaradamente a três (com Tengarrinha e Anderson), passando Zé Manuel (ou outro) para extremo, tentando nós outro tipo de soluções (que bem precisamos) no ataque.
Não esqueçamos a ausência certa de Pouga, o que poderá ter influência na formação da equipa e na forma como nos organizamos ofensivamente.
Na defesa, volto a não arriscar na dupla de centrais (Philipe e Lucas estiveram bem no último jogo), mas ficamos a saber que Ervões não conta já que está a recuperar de lesão, provável razão da ausência dos convocados para o dragão (e mesmo do onze contra a Académica).


Importante é o nosso apoio, tal como nos últimos jogos.


Força Boavista!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Orgulho Axadrezado




Grandes Panteras! Enormes! Do início ao fim, fé inabalável, grande confiança na equipa. Seis anos de injustiça ali chapadinhos, em cada cântico, em cada grito de incentivo. Inesquecível esta presença e atitude no estádio do vizinho. Tem que ser sempre assim, por todos nós adeptos. O Clube precisa, a Equipa merece.

Gostei de novo da forma como Petit monta a equipa e afina a estratégia (e a equipa ganhando entrosamento...). Jogamos, como previsto e aconselhável, com especial atenção ao momento defensivo, tentando não encostar muito atrás, povoando o meio campo com as linhas bem juntas. Ao quarteto defensivo juntaram-se três médios centro e dois alas, deixando Zé Manuel (que boas indicações tinha dado na semana passada, com funções idênticas) sozinho como homem mais adiantado. Não concordei com a passagem de Carlos Santos para a esquerda (ao invés de Afonso, por exemplo), não tanto pela subida de Correia mas sim porque o português é demasiado posicional e lento para a posição de lateral. Se recuássemos em demasia, Santos faria de terceiro central enquanto Correia fecharia a lateral, mas o recuo em excesso seria sempre a evitar. Não correu muito mal, até porque Petit (ou porque teve receio do amarelo ou porque viu o erro a tempo) corrigiu bem (o Brito já aquecia quando o Maicon é expulso...).


Concentração e rigor tático, foi o que tivemos em grande dose e, em certa parte, nos permitiu fazer o jogo que fizemos. Raramente entramos em sufoco ou nos desorientamos, apesar da enorme percentagem de posse de bola do adversário (grande parte dela em lateralizações, onde até estávamos confortáveis). Raramente perdemos consistência, nunca nos desunimos, os jogadores estiveram sempre atentos não só ao adversário mas também ao posicionamento dos colegas, o que nos permitiu fazer dobras e fechar espaços com boa eficácia.
Faltou-nos algum discernimento no momento após o roubo de bola, para conseguir passar uma primeira fase e conseguir aproveitar os espaços nas costas do adversário, mas, de facto, a manta podia ainda ser curta.
O resultado é justíssimo por aquilo que fizemos, procuramos ser felizes, trabalhamos e bem para isso.


Acho que é mesmo desta: o meio campo ganha forma, com Tengarrinha, Anderson e Beckeles (ontem tivemos Cid - esteve bem na função e enquanto teve forças - para povoar como era exigido, nos jogos em que tivermos maior iniciativa, será um avançado). O português atuou na linha do que tem feito: sempre concentrado e muito eficaz, não tremeu com o amarelo ainda na primeira parte. Para proteger aquela zona central à frente dos centrais, é o ideal. Anderson voltou a estar bem, tal como na semana passada. De novo a mostrar intensidade e a conseguir algumas boas saídas para o ataque (o passe para o Zé Manuel, na nossa melhor oportunidade, é muito bom). E acreditem, ainda se vai soltar mais; bem puxadinho pelo Petit, temos médio. Beckeles foi importante na função que tem desempenhado bem, a médio direito, com especial atenção ao maior perigo do adversário. Mesmo quando passou para a zona central.

Na defesa, estou cada vez mais confiante que Philipe vai ser uma das nossas revelações. Dezanove anos, terceiro jogo como profissional, excelente exibição. Os perigos vinham de todo o lado, limpou a sua zona, antecipou-se aos avançados inúmeras vezes, ainda teve tempo de ir dar ajudas na esquerda. Esquerda que tem dono e senhor, o Correria. Vai acima e vem abaixo, também me parece mais confiante (e demais até, naquela perda de bola no meio campo aos 15 min que quase dava golo... meu Deus! é evitar esses erros).
Mika: continua o bom trabalho, Alfredo. Está confiante, seguro entre os postes, eficaz fora deles. É claramente o nosso redes titular.

Bom jogo de Zé Manuel. Trabalhou imenso, tentou e bem a desmarcação inúmeras vezes, guardar a bola e soltar bem para os colegas.
Ó Wei, punhas os chineses a comprar o PortoCanal só para ver os teus jogos. Era no peito e fuzilar lá para dentro. Diretos ao Céu!



Falando do árbitro (é um jogo contra um estarola, 96% da discussão pública é acerca da arbitragem e convém estarmos preparados...). Maicon expõe-se ao vermelho direto, como é óbvio. A entrada é despropositada, sem a mínima intenção de jogar a bola. Pé alto e de sola, é vermelho a caminho, aqui e em qualquer parte do mundo. Na segunda parte, fomos um pouco vítima do 'atrevimento' do árbitro nesse lance. Há umas quantas faltas não assinaladas sobre Zé Manuel (principalmente, e naquela proteção de bola que ele tantas vezes tenta), uma entrada durinha de Casemiro não sancionada, logo nos primeiros minutos, uma falta de Jackson transformada em amarelo ao Lucas e uma falta do mesmo jogador (pé em riste em tentativa de pontapé de bicicleta na área) que só não deu golo porque Herrera rematou para o DolceVita. Enfim, uma série de situações muito mais difíceis de compreender quando comparadas com o lance da expulsão. Nada de influência no resultado e ainda bem.



É um empate que aparentemente estaria fora dos planos, mas que sabe a muito mais que um ponto, por razões óbvias. Não só pela moral, mas também porque a equipa continua a dar sinais de evolução. Vamos ter calma e esperar que assim continue, temos todos os motivos para acreditar que sim. Vem aí um jogo fundamental para o campeonato, depois da estreia na Taça da Liga (4ªfeira, 16h), em que espero que possamos ver alguns jogadores que não têm sido primeiras opções (Leo? Quincy? Yoro a tempo inteiro? Lima/Ancelmo?)


Força Boavista!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Vamos a Eles: dragão



Regresso do dérbi mediático, seis anos e meio depois.
Para a maioria de nós, não tenho dúvidas: é um dos jogos mais apaixonantes que podemos assistir no nosso campeonato. É derbi, é a nossa cidade, é o nosso orgulho, é Futebol. Sabemos que na maioria das vezes não pontuamos, nem marcamos sequer. Mas é essa a beleza. Já lá vencemos, perdemos, fomos goleados, ganhamos no '92, conquistamos e levantamos troféus. E sempre, mas sempre, com o desequilíbrio de forças sendo uma realidade. 

O costume nestes jogos: entramos como não favoritos, é óbvio. Este ano o desequilíbrio de argumentos não é exceção e pode assustar se olharmos ao que menos interessa, aos números. A acreditar nos valores (julgo que são aproximados), teremos sensivelmente um orçamento 60 vezes inferior. É verdade. Sessenta. Quase tão desequilibrado como as comparticipações do Município no início do século. E o valor teórico do plantel (muito em voga nos dias de hoje, mais que há meia dúzia de anos atrás) será 20 vezes menor.

Posto isto, admito, com a racionalidade que apaixona qualquer adepto, qualquer resultado que não a vitória será negativo. Quero lá saber dos milhões gastos, dos níveis competitivos de cada um, da força social, da moral ou nível técnico dos intervenientes. É derbi, é clássico, é estarola, é para ganhar.
A perder, temos pouco. E temos ainda essa vantagem: a normalidade a nosso favor.


No campo, veremos como Petit organiza a equipa. Ao quarteto defensivo (agora já nem arrisco tentar adivinhar a dupla de centrais, ok?; Sampaio e outro?), é provável que se juntem os três médios do último desafio: Tenga e Anderson no meio, Beck pela direita (terá mesmo que ser, até para tentar minimizar o perigo que vem dali). Dúvida se haverá espaço para um quarto médio de combate (Idriss, Cid?, libertando um pouco o brasileiro) ou se, ao invés, juntar-se-à o ala esquerdo (Brito?, com especial atenção ao lateral direito oposto) ou os avançados (Zé Manuel à semelhança do último jogo e Bobô, para pressionar a primeira saída?).
Eu confio, seja qual for a equipa.

Do lado contrário, mesmo sem medo, há que ter consciência: são, realmente, muito fortes e partem para este jogo com uma moral e confiança que há algum tempo não cheiravam (mas atenção à patética pouca paciência que os assiste...). Ainda assim, e por incrível que possa parecer, não acho descabido encararmos a luta no meio campo com uma visão de equilíbrio (de conte-los, pelo menos). Sim, é possível. No primeiro terço, espaço frontal onde geralmente apresentamos dificuldades, é preciso muita concentração (mesmo com a consciência que o perigo pode vir de todo o lado), muita lucidez na ocupação de espaços e tentar equilibrar nos duelos individuais (talvez o mais difícil).

É um pouco contra natura (vá-se lá saber o porquê), mas seria ótimo termos uma presença idêntica à do primeiro jogo do campeonato ou mesmo à de Vila do Conde.
Outra coisa: sei que se lembram dos dois golos irregulares em Braga, na dualidade de critérios, no golo invalidado no Bessa, mas aperceberam-se do frenesim que provocou um fora de jogo mal assinalado em Guimarães? Meu Deus. Outra dimensão, realmente.


Força Boavista!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Três Pontos

Feito o golo.


Não há palavras para aquelas duas explosões de alegria, a do golo e a do final do jogo. Indescritível, num Bessa (como se pedia) de regresso aos bons velhos tempos, grande e incondicional apoio à equipa e com as bancadas bem compostas (arrisco a dizer, mais Boavisteiros que no primeiro desafio).
E merecido por todos. Por nós, adeptos, e pelo grupo de trabalho, mais que justificou a conquista destes três pontos.


Gostei da abordagem de Petit ao jogo, de forma mais comedida que em Vila do Conde e um pouco na semelhança (se bem que mais afoitos no ataque) do que se havia feito contra o benfica. Mais realista, mais consciente?
Tengarrinha e Anderson a dupla no meio campo (o português mais fixo, o mais perto da defesa), Beckeles a fechar a direita, com disponibilidade para aparecer no meio campo e lá na frente (como no lance do golo...), Brito na esquerda (mais solto que o hondurenho), Zé Manuel 'vagabundo' no ataque no apoio a Pouga. Na defesa, alguma surpresa na titularidade de Carlos Santos, em detrimento do terceiro central no último desafio, Fábio Ervões.

Estivemos razoáveis na primeira parte, sempre mais seguros a defender que a demonstrar automatismos e rapidez no ataque. Ainda assim, conseguimos criar perigo em lances que até aqui raramente o conseguíamos, nas bolas paradas.
Perdemos algum receio, ganhamos confiança e partimos para uma segunda parte bem conseguida, coroada com o golo (auto, mas excelente a jogada pela esquerda com três jogadores a aparecerem em zona de finalização), depois disso controlamos a reação adversária, sempre com alguma intenção em saír para o ataque, embora as duas lesões nos tivessem retirado força ofensiva.
Não defraudou (confirmou-se, de novo) a atitude e querer dos jogadores, concentrados, confiantes, a quererem tanto como nós a primeira vitória.


Nota para o meio campo: será desta? Tengarrinha, já o disse aqui e julgo ser ponto concordante com a maioria, está a fazer um excelente início de época. Ontem voltou a ser dos melhores, naquilo que nos vai habituando a ser o melhor: na leitura que faz do jogo, posisionamento e desarme, no passe, sempre concentrado e 'tranquilo' nas acções. Novidade (e pela positiva), finalmente, tivemos Anderson, depois das boas indicações da pré-época, apareceu com mais intensidade no seu jogo, com bons pormenores nas saídas para o ataque, principalmente na segunda parte, em que se soltou mais. Beck, jogou a médio ala mas foi um jogador 'plural'. E que jeito deu, tê-lo no meio campo a fechar espaços na direita (a ajudar não só Dias como a dupla no miolo), e mesmo a subir a propósito no ataque (algo que até já tinha mostrado contra os vermelhos).


Na defesa, confesso que me surpreendeu (bastante até) a inclusão de Carlos Santos no onze. Esteve bem (ajudou naquela segunda parte a corrente que o jogo tomou, mesmo as caraterísticas dos avançados contrários), posicionou-se bem, descomplicou sempre que possível. Ao lado, o menino que vai pegando de estaca, Sampaio. Maturidade mais que suficiente para a idade e o tempo que leva no nosso futebol, sempre concentrado e decidido, foi resolvendo todos os problemas que foram surgindo, não só na sua zona de ação. Nas bolas paradas, voltou a ameaçar o golito...
Nas laterais, a um Dias mais comedido no ataque, juntou-se Correia, também certinho na defesa, mas a cumprir com as ameaças que vinha mostrando nos jogos anteriores, no plano ofensivo. Rápido a subir (mesmo num contra ataque já com 1-0, foi por pouco que não lhe chegou a bola fazendo com que ficasse isolado), faz boa ala com Brito e, finalmente, acertou em cheio nos cruzamentos. Ontem foi meio golo, aquela bolinha cheia de veneno...


Gostei do Pouga, melhor fisicamente (tomara!, mesmo que a léguas de Bobô), bola aérea é dele. Não só dele, como a dá bem para os colegas; na área, tem muita presença e falhou por pouco o golo. Preocupa a lesão, já que pode ser, realmente, uma solução bastante interessante para o nosso ataque.
Zé Manuel, mantenho o que venho a dizer há algum tempo: tem sido o melhor dos que nos acompanha do CNS. Esteve bem, lutou e pressionou enquanto teve forças e (atenção!) melhorou imenso nos cruzamentos. Ontem tivemos a amostra nas bolas paradas, quase todas bem marcadas. Perde um pouco no tempo para soltar, ao invés de arrancar a falta 'física', que tantas vezes tenta.


Falando nas alterações/opções, é algo discutível, sem dúvida. Para mim, num tempo em que não fazemos convocados de véspera e que realizamos estágio para todos os jogos, este sai/entra/salta&foge nos convocados/banco/onze, mais não é que um sinal dado ao grupo pelo treinador ou a sua forma para o controlar e o fazer evoluir (ao estilo de contamos com todos, somos um só, nenhum lugar está por si só garantido?). Quatro jornadas e, dos 'jogáveis', só faltam mesmo Gouveia e Afonso darem o contributo (será para a semana, numa ala esquerda com o português e Correia?). É, na minha opinião, esperar um pouco mais para tentar perceber melhor este 'modus operandi' de Petit no que à convocatória e opções diz respeito.
Nem desgostei do Wei, apesar de o achar 'verde' para a luta pela titularidade. Nem achei incorreta (pelo contrário, pouco 'populista' mas bastante consciente) a aposta em Cid para povoar no meio campo, nem tampouco a entrada de Yoro, jogando sem ponta de lança de raíz (numa altura em que não se justificava, já com Pouga lesionado). A ausência de Bobô do banco, já poderá ser mais difícil de explicar, de acordo...



Merecidíssimo e inesquecível. Três pontos já cá cantam e, depois daquele espasmo de 70 minutos na semana passada, voltamos a mostrar sinais de evolução. Não deixo (obviamente) de estar confiante que estamos no bom caminho.

Abraços para todos os Boavisteiros, aquilo ontem foi arrebatador! Ninguém explica, já sei. Tanto tempo, anos à espera deste golito e desta vitória... E siga, que isto ainda agora começou.

Força Boavista!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Venham Eles: Académica


Muita expetativa para ver como se vai apresentar a equipa neste domingo. Como venho a dizer, este é o primeiro jogo em que qualquer resultado que não a vitória será negativo. Olhando à exibição, poderá começar a preocupar. 
Quinze dias depois daqueles bons vinte cinco minutos, de três ou quatro jogos particulares, de um estágio e de mais tempo para todos se conhecerem, estou confiante numa boa exibição. Acredito porque, desde o início, acredito no treinador e que temos um plantel, pelo menos e para já, capaz de nos proporcionar um bom onze.


Algumas dúvidas:


- Leo e Quincy, as duas últimas aquisições para o ataque, veremos se já serão opções ou se ainda teremos o Julián no onze. Seria bom que fossem aquilo que precisamos, a juntar a um Brito em boa forma (como já mostrou) e a um Polga perto disso (esperamos nós). E Bobô na luta, claro.

- Falo dos dois reforços para o ataque, sem saber se poderão ou não jogar no meio campo, pelo menos no ofensivo. Quincy também vinha rotulado de médio, veremos se Lima tem o lugar em risco ou até se Ancelmo já estará em melhor forma. Mais atrás, curiosidade também para confirmar se Anderson continua sem calçar, se Idriss continua a jogar, e se Tengarrinha e Beckless formarão a dupla no meio campo.

- Não haverá dúvidas quanto aos centrais, nas laterais veremos. Muito embora Correia ser uma das melhores aquisições, não me supreendia um regresso de Afonso (um dos melhores reforços para a posição de uma das maiores promessas que nos acompanha desde o CNS... ingrato), mesmo até que o brasileiro não saísse do onze, jogando mais à frente. Na direita, Beckeless também faz o lugar, tudo vai depender de como Petit organizar a equipa. Afinal é quase um reinicío de época, podem acontecer mais alterações no onze.



O adversário não é nada fácil (algum será?!), nada mesmo. No início do campeonato, apontaria esta Académica como uma das equipas que poderia ser a sensação: tem um bom plantel (Lino, Ivanildo, Fernando Alexandre, p.ex.), bons reforços (Obiorah e Rui Pedro) e um treinador com experiência. Normal serem superiores em teoria, já que quase nos dobram no orçamento.


É importante o nosso apoio, mais que o normal. Mesmo obrigatório, já que acredito que a atitude dentro do campo não nos deixará ficar mal. É preciso acreditar no resultado até que não seja possível, é preciso incentivar se a bola teimar em não entrar ou se a confiança estiver tremida. E que saudades de um Bessa dos velhos tempos, a infernizar a vida aos adversários.

Força Boavista!