domingo, 26 de outubro de 2014

Mau. Péssimo



Adivinhava-se um jogo difícil, não só pelo adversário mas também pela pressão acrescida sobre os nossos ombros, resultado das últimas prestações. O estado de graça terminou, o apoio existe mas não é incondicional, como é óbvio. É a fase em que a equipa e os jogadores também têm que puxar pelos adeptos. Cedo se viu o quão complicado seria evitar a derrota, cedo percebemos que ia ser mais na força e no coração, que propriamente pela maturidade ou qualidade.


Entramos razoavelmente bem, a pressionar, ganhando luta no meio campo e a conseguirmos alguma boa posse de bola com boas combinações nas alas, talvez a nossa melhor fase no jogo. Mas cedo se viu das dificuldades, não só pela incapacidade em chegar com perigo ao último terço mas sobretudo a segurar a forte transição ofensiva do adversário. É certo que o golo é a primeira chegada com perigo do Paços à nossa baliza, mas não o primeiro lance perigoso nem a primeira ameaça após roubo de bola aos nossos médios. Voltamos a errar em demasia no meio campo, já de si descompensado e expondo, para não variar e quase fatalmente, o eixo da defesa, apesar da intenção contrária de Petit. A entrada surpresa de Gouveia pode ser explicada por aí, na tentativa de proteção à zona central, libertando mais Tengarrinha e Anderson para, além de pressionarem mais alto, poderem desequilibrar no passe mais à frente. O problema é que se abdicou demasiado cedo dessa intenção e, quanto a mim, da pior maneira, desfazendo aquela que será a melhor dupla que poderemos apresentar no meio campo. Passamos por enormes dificuldades, mesmo com mais uma solução ofensiva, mas sem apoio de retaguarda nem consistência para podermos pegar no jogo e tentar encostar o adversário. Muito menos com alguma sequência à solução mais vezes encontrada, o futebol direto. Continuamos permissivos, sem fluidez na posse, cada vez mais os jogadores a denotarem pouca confiança não só neles mas no próprio sistema e nas soluções que não oferece. A agravar, o receio do erro cada vez mais evidente, não só no passe mas sobretudo no posicionamento de cada um, na linha de passe que não surge, nas opções de ataque que não aparecem no lugar e hora certos.
Não tombamos mais cedo no jogo graças a Mika e à ineficácia alheia (um Paços que, apesar de ter qualidade, esteve a milhas no jogo de ontem), e ainda tivemos um último respiro, um pequeno assalto de confiança e fé que quase nos dava um imerecido mas bem vindo empate.  


Algumas notas:

Nem seria preciso a sua boa entrada no desafio (apesar do segundo golo surgir por ali...), mas custa perceber como Beckeles não calça mais vezes. Ainda mais num meio campo a três, como foi apresentado por Petit, dando-se preferência à inexperiência de Gouveia (estreia na Primeira Liga e em jogos oficiais este temporada). Até acho que o jovem tem valor e teve uma atuação positiva, enquanto teve forças e embora com dificuldades (como outro qualquer teria, na forma como estava aquele meio campo), mas, ainda assim, custa explicar a ausência de Beckeles.

A outra surpresa foi Julián, na lateral esquerda. Fico na dúvida se Afonso está mal fisicamente ou se foi mesmo opção. Verdade que não foi (só) por ali que tivemos problemas, nem o extremo foi demasiado permissivo quando comparado com o lateral de raíz do lado contrário. Mas é uma pena estas situações (o afastamento de Correia...) não servirem para se dar mais minutos e experiência àquele que é um dos nossos melhores valores, Afonso.

Zé Manuel, Brito. Na linha do que tem mostrado, apesar de poucos momentos de desequilíbrios. Zé Manuel mais vítima do sistema (pareceu perdido no meio do ataque e nas solicitações que foi alvo), Brito a tentar inverter no meio da inferioridade numérica perante o adversário.

Porque nem tudo foi mau, gostei do Uchebo. Pouco entrosado é certo, ainda com decisões demasiado individualistas, mas mostrou que pode ser uma excelente opção. Além de homem área (pela estatura e posicionamento nas bolas aéreas), descai para as alas e safa-se no um para um, mesmo na finta desengonçada.
Tengarrinha, de novo. O melhor, de longe. Um ou outro erro ou mau passe, mas muita clarividência, vontade, concentração. Admito mais uma vez, para mim uma enorme surpresa a qualidade que apresenta no seu jogo. Lance que descreve um pouco a nossa atuação e a dele próprio: minuto tal, Tenga recupera no meio campo, desamarca-se para receber mais à frente na ala, vai à linha e cruza, mesmo sabendo que nenhum companheiro de equipa estava a menos de quinze metros dele e todos longe da área. E resigna-se, estarrecido no chão...
Ainda no lado positivo, Quincy mostrou o mesmo da semana passada e eu também digo o mesmo. Pés tem ele, falta saber como vai ser do ritmo e como Petit conseguirá tirar o melhor partido das suas qualidades. Ontem está no golo e em mais um par de jogadas perigosas.  
Leozinho também foi uma (pequena) agradável surpresa, apesar dos poucos minutos e de uma ou outra má decisão. Fura bem, não tem medo de enfrentar o adversário, veremos como cresce nos próximos tempos.


Preocupa, sobretudo, o desnorte que parece evidente quando se vê a equipa a abordar o desafio, a jogar e a ter a iniciativa, a encarar as dificuldades e a reagir a elas. Estamos no momento em que é mesmo preciso apresentar não só resultados, mas algo mais que atitude (e muitas vezes beliscada não pela falta de vontade mas sim pela falta de confiança, receio e descrença).
Temos três bons médios para formar um meio campo que não formamos, temos avançados ainda à procura do melhor ritmo, temos defesas indisponíveis e que nos fazem falta. Temos algumas coisas boas, mas por um motivo ou outro, uns compreensíveis outros mais difíceis de perceber, tardamos em acertar agulhas.



Na classificação, os danos podem até nem ser muitos. Dois que estão abaixo de nós já perderam, outros dois defrontam-se, portanto a queda poderá ser de um ou dois lugares. Restelo na próxima segunda feira, seguido de uma final com o Penafiel. Mais um jogo sobre brasas e mais um desafio para a equipa mostrar o que tem faltado. 



Força Boavista!

domingo, 19 de outubro de 2014

Humilhados





Acho que humilhação é mesmo a palavra certa para descrever aquilo que se passou na Vila das Aves. Mesmo conscientes (e avisados!) que a Liga é a prioridade, a competição na Taça, neste jogo em particular, seria um bom momento para encarar o jogo com unhas e dentes. Ou seja, com o melhor onze possível, que já assim, graças a lesões e castigos, contava com alguns impedimentos.
E começamos a perder aí, na "equipa competitiva" que não conseguimos ser. Por razões, apetece-me dizer, óbvias.




Se do lado esquerdo havia confiança em Afonso (mesmo sendo o seu segundo jogo oficial da época), já no centro da defesa Santos a fazer par com Lucas seria sempre motivo de preocupação. Já conhecemos as caraterísticas de Carlos Santos, não adianta estar aqui a chover no molhado. Muito embora a boa vontade (e evolução em alguns aspetos nos últimos tempos), ontem foi mais do mesmo. Com Lucas ao lado, adensam-se os problemas, enormes problemas principalmente no espaço curto, ambos lentos e ineficazes. Ontem fizeram um jogo péssimo, talvez o setor mais frágil da equipa (ou terá sido o meio campo?).

Ao contrário da defesa (Ervões e Phillipe impedidos), no meio campo mexeu-se porque se quis mexer ou porque se achou conveniente. De início parecia que para pior, no final não havia dúvidas (mesmo durante o jogo, até para o próprio Petit). Tem sido um dos pontos fortes da equipa, e onde mais evoluímos nos últimos tempos, na consistência de Tengarrinha-Anderson. Entre outras coisas, úteis na proteção no espaço central, à frente da defesa, sendo que parte do descalabro de ontem teve a ver com isso mesmo, e na incapacidade de Idris (outro péssimo jogo) e de Cid em o fazer sequer com alguma eficácia (e a ajudar à festa, não havia Beckeles...). Com bola, quase pior, fácil de ver que dos três médios só Anderson tem alguma capacidade em fazer rolar o jogo e encontrar melhores soluções. Ontem, só dos pés dele saíu algo de contrutivo, mesmo que poucas vezes.

No ataque, embora a pouca eficácia, contamos com os nossos dois melhores no jogo de ontem, Zé Manuel e Brito. O primeiro continua a sua evolução, ontem mais um jogo conseguido, esforçado, está no lance do golo e nas nossas duas melhores oportunidades. O perigo que conseguimos criar vieram sempre dos pés destes dois e quando tinham algum sucesso nas iniciativas individuais..
Nota positiva para Quincy. Acusou a enorme falta de ritmo, mas bola sai redondinha dos pés dele, é daqueles que recursos técnicos não são problema. Começou a extremo, mas foi sempre no meio que desequilibrou, mesmo antes de passar para a posição '10'. Veremos como consegue adquirir a melhor forma e como conseguirá Petit encaixa-lo na equipa. Mas promete.



Em suma, foi a fatura da quantidade de erros cometidos, antes e durante o desafio. Arriscamos nas opções e viu-se que em demasia.
E a fatura, para já, não somos nós a paga-la. Nem os jogadores, nem treinador, nem a camioneta. Tem que ser o Paços. Já no sábado, um dos jogos mais importantes dos últimos tempos. E que não seja nada parecido com o de ontem. Em nada.



Força Boavista!

domingo, 5 de outubro de 2014

E é isto...



Hoje vai ser uma mini-crónica.

Encaramos o jogo, apesar de ser fora e contra um adversário mais rotinado, com idêntica postura (e mesmo onze) ao último desafio no Bessa. Na primeira parte (e do que consegui ver, pois a maioria dos adeptos entrou já o cronómetro estava perto dos 30 min de jogo), conseguimos estancar bem o ataque vimaranense, controlando o perigo junto da nossa área, tentando uma ou outra saída para o ataque. O golo, num dos erros graves que se cometeram, surge antes do intervalo e abana um pouco a estratégia delineada por Petit (manter o nulo até enervar o adversário - e bancadas - mudando um pouco a postura com o jogo mais partido).
Na segunda parte, sentimos dificuldades em reagir à desvantagem, fomos incapazes e empurrados para trás em algumas situações pelo árbitro da partida. Mostrou, claramente, que a pressão de Rui Vitória durante a semana daria os seus frutos. Voltamos a errar em demasiados lances, o que ajuda a explicar o resultado desnivelado.




Não dá vontade de escrever mais, lembrando da situação que aconteceu com um dos nossos adeptos. Tudo parece perder importância perante este acontecimento, não só pela sua gravidade mas porque poderia, de facto, acontecer a qualquer um de nós. Uma agressão bárbara, de uma violência extrema, completamente desproporcional. Ver o adepto no chão, provavelmente inanimado, sem que deixassem alguém chegar perto dele é outra coisa que não entendo. As críticas espontâneas ao comportamento agressivo da força policial foram respondidas com ameaças de agressão dos restantes agentes. Lamentável.



Para o adepto, as rápidas melhoras.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Vamos a Eles: Vitória



"O Vitória SC representa uma região. Já o Boavista, tenho dúvidas que sequer representem uma avenida".
"Alfredo, o homem das palhaçadas". Um palhaço, portanto. 


Luís Cirilo, ex-membro da direção do Vitória, em declarações ao jornal Record e que podem ser lidas também no seu blogue.

Antes de mais, a total ignorância e inacreditável irresponsabilidade ao proferir estas afirmações em dia de Clássico. Cirilo não é um adepto qualquer, tem um certo e compreensível peso na opinião pública vimaranense. Ouvir ou ler algo assim em dia de jogo, já de si quente, inflama ainda mais o ambiente (que, diga-se, estava até bastante calmo). Visitar Guimarães para apoiar o Boavista torna-se muitas vezes uma aventura de sobrevivência, como todos sabemos. Mais ainda, quando do outro lado temos pessoas que contribuem, de forma consciente e deliberada, para um clima de guerrilha. Reprovável. Como alguém decente concerteza saberá analisar.
É este o fanatismo que os carateriza.


O teor do texto é fácil de explicar: ódio e inveja no mais puro estado. Não, não é pelos Loureiros, pelas finais perdidas, pelos árbitros ou qualquer outra coisa que não o nosso SUCESSO. Conquistas. Vitórias. Crescimento. Humildade, capacidade de luta. Resistência. Fazer frente ao poder grandista instalado no nosso futebol. Troféus. Ecletismo.
A espinha na garganta de quem tem uma cidade, uma região por trás e não consegue sequer chegar perto dos feitos de quem tem que dividir a cidade com um grande do futebol português e, logo, com compreensível menor força social. O inegável reconhecimento internacional alimenta ainda mais essa desmedida inveja.

Reparem que até o confronto da equipa B com o Boavista, na época passada, é apelidado de "motivo de gozo" para os vimaranenses. Incrível...


Orgulho é o que sente cada Boavisteiro. Um Orgulho que jamais um vitoriano como Cirilo poderá sentir.



Quanto ao jogo, não me vou alongar muito, até porque já faltam poucas horas e estou tudo menos calmo. Confio plenamente na equipa e treinador. Vamos dar tudo pelo melhor resultado possível, tenho a certeza. Deixar a pele em campo, lutar com a Alma Axadrezada bem viva, fazer do Orgulho Axadrezado a nossa grande força.
Da bancada, terá sempre o nosso apoio. Vamos a eles!


Força Boavista!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Foi Golos que Pedimos?




Que jogo! Bessa bem composto, emoção, bom futebol, resultado incerto e três pontos garantidos numa exibição cheia de garra, confiança e... golos! Marcados pelos nossos e para todos os gostos.

Petit aborda o jogo de forma idêntica (desta feita 4231 declarado) ao que havia feito contra a Académica (diferença no onze, só Bobô no lugar do lesionado Pouga), mantendo Beckeles como médio direito e Zé Manuel no apoio ao avançado. Como já o disse, acho uma boa solução encontrada pelo nosso treinador, tendo em vista o equilíbrio entre consistência defensiva/argumentos no jogo ofensivo.


Entramos praticamente a perder (a relembrar a primeira jornada...), soubemos reagir, não perdemos o discernimento e partimos para uma primeira parte de muito bom nível, talvez das mais conseguidas neste campeonato. Bem na pressão, rápidos e acutilantes no ataque, jogadas de bom entendimento num e noutro flanco, excelentes na marcação de bolas paradas, encostamos o adversário às cordas praticamente até ao intervalo (mesmo permitindo um ou outro lance perigoso dos gilistas, de bola parada principalmente). Criamos todas as condições para dar uma machadada no jogo nesse período e, não fosse a falta de eficácia e pouca lucidez na hora de alvejar a baliza, teríamos chegado ao intervalo em vantagem.
Arriscamos mais na segunda parte, com a saída de Beckeles (jogo menos conseguido do hondurenho) para a entrada de Yoro, claramente um jogador de caraterísticas mais ofensivas no flanco direito (perdendo a utilidade do ala direito na ajuda ao meio campo e ao lateral). Praticamente entregamos o meio campo à dupla Tengarrinha/Anderson e em boa hora o fizemos. Foi, em parte, devido a eles que raramente nos desequilibramos e continuamos pressionantes, consistentes, ganhando algumas bolas perto da área adversária, fechando caminhos nas imediações da nossa. Ainda assim, e risco assumido por Petit, julgo eu, dividimos grande parte do desafio e das iniciativas de ataque nesta segunda parte, em busca da vitória e dos golos. Grande mérito nas reações aos momentos negativos, não só ao golo do adversário, como nas alturas de menor fulgor e de algum desacerto na construção das jogadas. De novo, mais que merecemos a ponta de sorte que tivemos perto do final do jogo, tal a vontade e lucidez com que enfrentamos as dificuldades. E fomos, sem dúvida, a equipa que mais procurou (e arriscou) a vitória.


Mika, em definitivo, agarrou a titularidade. Transmite confiança à equipa, dentro dos postes e fora deles, algo muito positivo para um guarda redes. Ontem foi decisivo num par de intervenções, ainda na primeira parte.
Sampaio 'cheirava' o golo há algumas jornadas, tornando-se no nosso primeiro marcador do campeonato. Exibição na linha das anteriores: segurança na sua zona, bem na antecipação e a limpar tudo que chegava perto. Já Lucas está nos dois golos e não por acaso. Voltou a demonstrar dificuldades no espaço curto, ou seja, quando o adversário consegue segurar, controlar e virar em pouco espaço, e ele... nada. Lento. Duro de rins. Também com dificuldades em saír a jogar, esteve razoável em tudo o resto.
Outra vez, Correia?! A não emendar, vai correr mal um dia... é proibido fazer aquela finta naqueles momentos, ponto final. Ele e Dias estiveram bem a defender, ajudaram à consistência defensiva (e importante, dado o jogo dos gilistas pelos extremos), subindo a propósito pelos seus flancos. O brasileiro destacou-se ainda nas bolas paradas, principalmente na primeira parte. É dele o canto que dá origem ao primeiro golo, criou perigo e revelou (de novo) bom entendimento com Brito. Ele e Zé Manuel, muito bem nas bolas paradas. Tivemos nove cantos a favor (contra zero do adversário...), mais algumas faltas perto da área, quase tudo muitíssimo bem marcado. Vínhamos a melhorar neste aspeto há algumas semanas (nota-se trabalhinho e do bom), ontem cada lance, cada calafrio para o adversário.

Tengarrinha e Anderson... que jogão. O português como nos vem habituando, sempre bom posicionamento, eficaz no desarme, ontem foi sempre em crescendo durante o jogo. Acabou-o em grande. Já o brasileiro esteve excelente, não só pelos golos. Manteve a intensidade (que vem aumentando, ontem não foi exceção), revela grande lucidez no passe. Além de muitos e bons momentos nas saídas para o ataque, ainda teve tempo (e disponibilidade física) para ir lá à frente fazer a diferença. O seu segundo golo é fantástico.

Na frente, Zé Manuel continua a dar bons sinais de evolução e vai justificando a aposta no onze. Raçudo, bem a pressionar, é útil a deambular pela frente de ataque e encaixa bem na posição atrás do avançado, tirando partido das imensas bolas ganhas por Bobô. Quanto ao brasileiro, algumas más decisões quase manchavam uma exibição à sua imagem: nunca vira a cara à luta, ganha imensas bolas para os companheiros, arranca muitas faltas úteis. E dá sequência quando exageramos um pouco no jogo direto. Aquele toque para o golo do empate é soberbo.
Brito parece estar a caminho da melhor forma e ainda bem. É de remate fácil, decide quase sempre bem, desequilibra no um para um, muitas vezes só parado em falta.
Léo e o grande Fary, apostas de Petit para os últimos minutos, estão no golo da vitória...


Desta feita não temos razão de queixas no que toca à arbitragem. O golo gilista é legal (seria o 2-3), apesar de ser difícil de descortinar (Gladstone, que não toca na bola apesar de estar perto do marcador, está adiantado). Já na disciplina, não se entende muito bem como o adversário acaba o jogo só com um amarelo (e mostrado a cinco minutos do final...).


Em suma, voltamos a demonstrar sinais de evolução, desta feita mais evidentes no ataque. Raça e atitude em boa dose, reação às adversidades, público a ajudar nas bancadas. Sete pontos à sexta jornada, olhando ao nosso calendário e relembrando as melhores expetativas no início da época, não é nada mau. Se juntarmos a isso a evolução da equipa (e mesmo individualmente), temos tudo para continuar a acreditar e apoiar.

E get ready, vem aí o Clássico...


Força Boavista!

sábado, 27 de setembro de 2014

Venham Eles: Gil Vicente


Acho que há 7/8 jogos no Bessa, contra equipas com o mesmo objetivo que nós, que devem ser encarados como finais, daqueles jogos que é ganhar ou ganhar. Em teoria faz sentido: três pontos em cada um e mais de meio caminho para a manutenção fica feito. Este com o Gil é um deles, claro. Atual lanterna vermelho, sem vitórias e com mais quatro golos sofridos que a nossa defesa.


Gostei da abordagem ao jogo contra a Académica no que diz respeito ao que se fez pela consistência defensiva da equipa (com menor risco do que se havia feito em Vila do Conde, mesmo sendo um jogo em casa e à partida com maior iniciativa nossa). Entrada de um médio para a posição de ala (Beckeles) e a ausência de um médio ofensivo (declarado e com pouco contributo no momento defensivo), juntando Brito na esquerda e ficando Zé Manuel no apoio a Pouga (e compensando até a pouquíssima pressão deste na primeira saída do adversário). Sem bola, ficamos com uma linha de quatro no meio campo, o que, a meu ver, trouxe-nos vantagens defensivamente. Será uma dúvida para amanhã, se Beckeles continua com as mesmas funções (que também desempenhou bem no jogo do dragão) ou se fará parte de um meio campo declaradamente a três (com Tengarrinha e Anderson), passando Zé Manuel (ou outro) para extremo, tentando nós outro tipo de soluções (que bem precisamos) no ataque.
Não esqueçamos a ausência certa de Pouga, o que poderá ter influência na formação da equipa e na forma como nos organizamos ofensivamente.
Na defesa, volto a não arriscar na dupla de centrais (Philipe e Lucas estiveram bem no último jogo), mas ficamos a saber que Ervões não conta já que está a recuperar de lesão, provável razão da ausência dos convocados para o dragão (e mesmo do onze contra a Académica).


Importante é o nosso apoio, tal como nos últimos jogos.


Força Boavista!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Orgulho Axadrezado




Grandes Panteras! Enormes! Do início ao fim, fé inabalável, grande confiança na equipa. Seis anos de injustiça ali chapadinhos, em cada cântico, em cada grito de incentivo. Inesquecível esta presença e atitude no estádio do vizinho. Tem que ser sempre assim, por todos nós adeptos. O Clube precisa, a Equipa merece.

Gostei de novo da forma como Petit monta a equipa e afina a estratégia (e a equipa ganhando entrosamento...). Jogamos, como previsto e aconselhável, com especial atenção ao momento defensivo, tentando não encostar muito atrás, povoando o meio campo com as linhas bem juntas. Ao quarteto defensivo juntaram-se três médios centro e dois alas, deixando Zé Manuel (que boas indicações tinha dado na semana passada, com funções idênticas) sozinho como homem mais adiantado. Não concordei com a passagem de Carlos Santos para a esquerda (ao invés de Afonso, por exemplo), não tanto pela subida de Correia mas sim porque o português é demasiado posicional e lento para a posição de lateral. Se recuássemos em demasia, Santos faria de terceiro central enquanto Correia fecharia a lateral, mas o recuo em excesso seria sempre a evitar. Não correu muito mal, até porque Petit (ou porque teve receio do amarelo ou porque viu o erro a tempo) corrigiu bem (o Brito já aquecia quando o Maicon é expulso...).


Concentração e rigor tático, foi o que tivemos em grande dose e, em certa parte, nos permitiu fazer o jogo que fizemos. Raramente entramos em sufoco ou nos desorientamos, apesar da enorme percentagem de posse de bola do adversário (grande parte dela em lateralizações, onde até estávamos confortáveis). Raramente perdemos consistência, nunca nos desunimos, os jogadores estiveram sempre atentos não só ao adversário mas também ao posicionamento dos colegas, o que nos permitiu fazer dobras e fechar espaços com boa eficácia.
Faltou-nos algum discernimento no momento após o roubo de bola, para conseguir passar uma primeira fase e conseguir aproveitar os espaços nas costas do adversário, mas, de facto, a manta podia ainda ser curta.
O resultado é justíssimo por aquilo que fizemos, procuramos ser felizes, trabalhamos e bem para isso.


Acho que é mesmo desta: o meio campo ganha forma, com Tengarrinha, Anderson e Beckeles (ontem tivemos Cid - esteve bem na função e enquanto teve forças - para povoar como era exigido, nos jogos em que tivermos maior iniciativa, será um avançado). O português atuou na linha do que tem feito: sempre concentrado e muito eficaz, não tremeu com o amarelo ainda na primeira parte. Para proteger aquela zona central à frente dos centrais, é o ideal. Anderson voltou a estar bem, tal como na semana passada. De novo a mostrar intensidade e a conseguir algumas boas saídas para o ataque (o passe para o Zé Manuel, na nossa melhor oportunidade, é muito bom). E acreditem, ainda se vai soltar mais; bem puxadinho pelo Petit, temos médio. Beckeles foi importante na função que tem desempenhado bem, a médio direito, com especial atenção ao maior perigo do adversário. Mesmo quando passou para a zona central.

Na defesa, estou cada vez mais confiante que Philipe vai ser uma das nossas revelações. Dezanove anos, terceiro jogo como profissional, excelente exibição. Os perigos vinham de todo o lado, limpou a sua zona, antecipou-se aos avançados inúmeras vezes, ainda teve tempo de ir dar ajudas na esquerda. Esquerda que tem dono e senhor, o Correria. Vai acima e vem abaixo, também me parece mais confiante (e demais até, naquela perda de bola no meio campo aos 15 min que quase dava golo... meu Deus! é evitar esses erros).
Mika: continua o bom trabalho, Alfredo. Está confiante, seguro entre os postes, eficaz fora deles. É claramente o nosso redes titular.

Bom jogo de Zé Manuel. Trabalhou imenso, tentou e bem a desmarcação inúmeras vezes, guardar a bola e soltar bem para os colegas.
Ó Wei, punhas os chineses a comprar o PortoCanal só para ver os teus jogos. Era no peito e fuzilar lá para dentro. Diretos ao Céu!



Falando do árbitro (é um jogo contra um estarola, 96% da discussão pública é acerca da arbitragem e convém estarmos preparados...). Maicon expõe-se ao vermelho direto, como é óbvio. A entrada é despropositada, sem a mínima intenção de jogar a bola. Pé alto e de sola, é vermelho a caminho, aqui e em qualquer parte do mundo. Na segunda parte, fomos um pouco vítima do 'atrevimento' do árbitro nesse lance. Há umas quantas faltas não assinaladas sobre Zé Manuel (principalmente, e naquela proteção de bola que ele tantas vezes tenta), uma entrada durinha de Casemiro não sancionada, logo nos primeiros minutos, uma falta de Jackson transformada em amarelo ao Lucas e uma falta do mesmo jogador (pé em riste em tentativa de pontapé de bicicleta na área) que só não deu golo porque Herrera rematou para o DolceVita. Enfim, uma série de situações muito mais difíceis de compreender quando comparadas com o lance da expulsão. Nada de influência no resultado e ainda bem.



É um empate que aparentemente estaria fora dos planos, mas que sabe a muito mais que um ponto, por razões óbvias. Não só pela moral, mas também porque a equipa continua a dar sinais de evolução. Vamos ter calma e esperar que assim continue, temos todos os motivos para acreditar que sim. Vem aí um jogo fundamental para o campeonato, depois da estreia na Taça da Liga (4ªfeira, 16h), em que espero que possamos ver alguns jogadores que não têm sido primeiras opções (Leo? Quincy? Yoro a tempo inteiro? Lima/Ancelmo?)


Força Boavista!

Ó Manel!


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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Vamos a Eles: dragão



Regresso do dérbi mediático, seis anos e meio depois.
Para a maioria de nós, não tenho dúvidas: é um dos jogos mais apaixonantes que podemos assistir no nosso campeonato. É derbi, é a nossa cidade, é o nosso orgulho, é Futebol. Sabemos que na maioria das vezes não pontuamos, nem marcamos sequer. Mas é essa a beleza. Já lá vencemos, perdemos, fomos goleados, ganhamos no '92, conquistamos e levantamos troféus. E sempre, mas sempre, com o desequilíbrio de forças sendo uma realidade. 

O costume nestes jogos: entramos como não favoritos, é óbvio. Este ano o desequilíbrio de argumentos não é exceção e pode assustar se olharmos ao que menos interessa, aos números. A acreditar nos valores (julgo que são aproximados), teremos sensivelmente um orçamento 60 vezes inferior. É verdade. Sessenta. Quase tão desequilibrado como as comparticipações do Município no início do século. E o valor teórico do plantel (muito em voga nos dias de hoje, mais que há meia dúzia de anos atrás) será 20 vezes menor.

Posto isto, admito, com a racionalidade que apaixona qualquer adepto, qualquer resultado que não a vitória será negativo. Quero lá saber dos milhões gastos, dos níveis competitivos de cada um, da força social, da moral ou nível técnico dos intervenientes. É derbi, é clássico, é estarola, é para ganhar.
A perder, temos pouco. E temos ainda essa vantagem: a normalidade a nosso favor.


No campo, veremos como Petit organiza a equipa. Ao quarteto defensivo (agora já nem arrisco tentar adivinhar a dupla de centrais, ok?; Sampaio e outro?), é provável que se juntem os três médios do último desafio: Tenga e Anderson no meio, Beck pela direita (terá mesmo que ser, até para tentar minimizar o perigo que vem dali). Dúvida se haverá espaço para um quarto médio de combate (Idriss, Cid?, libertando um pouco o brasileiro) ou se, ao invés, juntar-se-à o ala esquerdo (Brito?, com especial atenção ao lateral direito oposto) ou os avançados (Zé Manuel à semelhança do último jogo e Bobô, para pressionar a primeira saída?).
Eu confio, seja qual for a equipa.

Do lado contrário, mesmo sem medo, há que ter consciência: são, realmente, muito fortes e partem para este jogo com uma moral e confiança que há algum tempo não cheiravam (mas atenção à patética pouca paciência que os assiste...). Ainda assim, e por incrível que possa parecer, não acho descabido encararmos a luta no meio campo com uma visão de equilíbrio (de conte-los, pelo menos). Sim, é possível. No primeiro terço, espaço frontal onde geralmente apresentamos dificuldades, é preciso muita concentração (mesmo com a consciência que o perigo pode vir de todo o lado), muita lucidez na ocupação de espaços e tentar equilibrar nos duelos individuais (talvez o mais difícil).

É um pouco contra natura (vá-se lá saber o porquê), mas seria ótimo termos uma presença idêntica à do primeiro jogo do campeonato ou mesmo à de Vila do Conde.
Outra coisa: sei que se lembram dos dois golos irregulares em Braga, na dualidade de critérios, no golo invalidado no Bessa, mas aperceberam-se do frenesim que provocou um fora de jogo mal assinalado em Guimarães? Meu Deus. Outra dimensão, realmente.


Força Boavista!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Três Pontos

Feito o golo.


Não há palavras para aquelas duas explosões de alegria, a do golo e a do final do jogo. Indescritível, num Bessa (como se pedia) de regresso aos bons velhos tempos, grande e incondicional apoio à equipa e com as bancadas bem compostas (arrisco a dizer, mais Boavisteiros que no primeiro desafio).
E merecido por todos. Por nós, adeptos, e pelo grupo de trabalho, mais que justificou a conquista destes três pontos.


Gostei da abordagem de Petit ao jogo, de forma mais comedida que em Vila do Conde e um pouco na semelhança (se bem que mais afoitos no ataque) do que se havia feito contra o benfica. Mais realista, mais consciente?
Tengarrinha e Anderson a dupla no meio campo (o português mais fixo, o mais perto da defesa), Beckeles a fechar a direita, com disponibilidade para aparecer no meio campo e lá na frente (como no lance do golo...), Brito na esquerda (mais solto que o hondurenho), Zé Manuel 'vagabundo' no ataque no apoio a Pouga. Na defesa, alguma surpresa na titularidade de Carlos Santos, em detrimento do terceiro central no último desafio, Fábio Ervões.

Estivemos razoáveis na primeira parte, sempre mais seguros a defender que a demonstrar automatismos e rapidez no ataque. Ainda assim, conseguimos criar perigo em lances que até aqui raramente o conseguíamos, nas bolas paradas.
Perdemos algum receio, ganhamos confiança e partimos para uma segunda parte bem conseguida, coroada com o golo (auto, mas excelente a jogada pela esquerda com três jogadores a aparecerem em zona de finalização), depois disso controlamos a reação adversária, sempre com alguma intenção em saír para o ataque, embora as duas lesões nos tivessem retirado força ofensiva.
Não defraudou (confirmou-se, de novo) a atitude e querer dos jogadores, concentrados, confiantes, a quererem tanto como nós a primeira vitória.


Nota para o meio campo: será desta? Tengarrinha, já o disse aqui e julgo ser ponto concordante com a maioria, está a fazer um excelente início de época. Ontem voltou a ser dos melhores, naquilo que nos vai habituando a ser o melhor: na leitura que faz do jogo, posisionamento e desarme, no passe, sempre concentrado e 'tranquilo' nas acções. Novidade (e pela positiva), finalmente, tivemos Anderson, depois das boas indicações da pré-época, apareceu com mais intensidade no seu jogo, com bons pormenores nas saídas para o ataque, principalmente na segunda parte, em que se soltou mais. Beck, jogou a médio ala mas foi um jogador 'plural'. E que jeito deu, tê-lo no meio campo a fechar espaços na direita (a ajudar não só Dias como a dupla no miolo), e mesmo a subir a propósito no ataque (algo que até já tinha mostrado contra os vermelhos).


Na defesa, confesso que me surpreendeu (bastante até) a inclusão de Carlos Santos no onze. Esteve bem (ajudou naquela segunda parte a corrente que o jogo tomou, mesmo as caraterísticas dos avançados contrários), posicionou-se bem, descomplicou sempre que possível. Ao lado, o menino que vai pegando de estaca, Sampaio. Maturidade mais que suficiente para a idade e o tempo que leva no nosso futebol, sempre concentrado e decidido, foi resolvendo todos os problemas que foram surgindo, não só na sua zona de ação. Nas bolas paradas, voltou a ameaçar o golito...
Nas laterais, a um Dias mais comedido no ataque, juntou-se Correia, também certinho na defesa, mas a cumprir com as ameaças que vinha mostrando nos jogos anteriores, no plano ofensivo. Rápido a subir (mesmo num contra ataque já com 1-0, foi por pouco que não lhe chegou a bola fazendo com que ficasse isolado), faz boa ala com Brito e, finalmente, acertou em cheio nos cruzamentos. Ontem foi meio golo, aquela bolinha cheia de veneno...


Gostei do Pouga, melhor fisicamente (tomara!, mesmo que a léguas de Bobô), bola aérea é dele. Não só dele, como a dá bem para os colegas; na área, tem muita presença e falhou por pouco o golo. Preocupa a lesão, já que pode ser, realmente, uma solução bastante interessante para o nosso ataque.
Zé Manuel, mantenho o que venho a dizer há algum tempo: tem sido o melhor dos que nos acompanha do CNS. Esteve bem, lutou e pressionou enquanto teve forças e (atenção!) melhorou imenso nos cruzamentos. Ontem tivemos a amostra nas bolas paradas, quase todas bem marcadas. Perde um pouco no tempo para soltar, ao invés de arrancar a falta 'física', que tantas vezes tenta.


Falando nas alterações/opções, é algo discutível, sem dúvida. Para mim, num tempo em que não fazemos convocados de véspera e que realizamos estágio para todos os jogos, este sai/entra/salta&foge nos convocados/banco/onze, mais não é que um sinal dado ao grupo pelo treinador ou a sua forma para o controlar e o fazer evoluir (ao estilo de contamos com todos, somos um só, nenhum lugar está por si só garantido?). Quatro jornadas e, dos 'jogáveis', só faltam mesmo Gouveia e Afonso darem o contributo (será para a semana, numa ala esquerda com o português e Correia?). É, na minha opinião, esperar um pouco mais para tentar perceber melhor este 'modus operandi' de Petit no que à convocatória e opções diz respeito.
Nem desgostei do Wei, apesar de o achar 'verde' para a luta pela titularidade. Nem achei incorreta (pelo contrário, pouco 'populista' mas bastante consciente) a aposta em Cid para povoar no meio campo, nem tampouco a entrada de Yoro, jogando sem ponta de lança de raíz (numa altura em que não se justificava, já com Pouga lesionado). A ausência de Bobô do banco, já poderá ser mais difícil de explicar, de acordo...



Merecidíssimo e inesquecível. Três pontos já cá cantam e, depois daquele espasmo de 70 minutos na semana passada, voltamos a mostrar sinais de evolução. Não deixo (obviamente) de estar confiante que estamos no bom caminho.

Abraços para todos os Boavisteiros, aquilo ontem foi arrebatador! Ninguém explica, já sei. Tanto tempo, anos à espera deste golito e desta vitória... E siga, que isto ainda agora começou.

Força Boavista!