segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Em Frente



Há uns tempos que não conseguíamos uma vitória tão folgada e uma superioridade tão evidente em relação ao adversário (aí desde a primeira fase do campeonato da época passada).
Fomos, acima de tudo, competentes e eficazes, com as devidas cautelas, não só no sistema de jogo, como também na rotatividade (que talvez em excesso nos tenha custado a eliminação na Taça).
Alterações no onze só na poupança de Zé Manuel e Tengarrinha, entrando Leo e Anderson (boas alterações, já que também eram os que mais perto demonstravam estar do onze). Sistema idêntico ao dos últimos jogos, com um trinco à frente da defesa e atrás de dois médios, mais soltos e ofensivos que o habitual (e cada vez mais o foram ao longo do jogo, graças ao resultado e superioridade numérica).

Apesar de não termos entrado melhor que o adversário, marcamos na nossa primeira jogada de perigo e não mais tivemos dificuldades em impôr o nosso jogo e controlar o do adversário. Perigo
na nossa área, só de bola parada (onde até fomos permissivos demais); no ataque, fomos eficazes e conseguimos tirar partido não só da nossa ala esquerda (aproveitando Julián e Brito), como
da subida a propósito da dupla do meio campo, Anderson e Reuben. Os dois primeiros golos são bons exemplos disso, ambos aparecendo em zona de finalização.
Na segunda parte e em superioridade numérica, deu para Petit dar minutos a Ancelmo e Diego Lima, jogando num outro sistema (sem trinco e com um médio ofensivo, sistema que quase nos é proibido em jogos da Primeira Liga...). Mantivemo-nos superiores, aproveitando o espaço na defensiva contrária.


Algumas notas:

A titularidade de Julián. Dá ideia que este jogo foi encarado para continuar a fazer evoluír o jogador como lateral, o que significa que Afonso perde até como opção para a rotatividade. Dias difíceis para aquele que foi apontado como uma das promessas que nos acompanha do CNS. E por falar em Dias, Beck não vai dando hipóteses.

Em bom plano Anderson, mostrando que pode ser opção e que poderá estar (ainda) mais perto da titularidade. Voltou a ser útil na circulação de bola, bom no passe mesmo no último terço, e capacidade para aparecer na frente a finalizar. Enorme vontade em desfazer as dúvidas acerca da intensidade do seu jogo, algo que conseguiu (mesmo exagerando nas faltas na primeira meia hora).

Reuben, digo o mesmo que na semana passada. Comparando com o último jogo: maior ritmo, mais entrosamento, melhor jogador e maior contributo à equipa. Veremos os próximos tempos, mas prometeu ainda mais.

Rara oportunidade para jogarmos com um médio ofensivo atrás do ponta de lança e sem grande exigência defensiva. Ancelmo voltou a ser primeira opção para aquela posição, Diego Lima jogou mais descaído sobre a direita. O primeiro voltou a desiludir-me, muito embora um ou outro bom pormenor (no passe ou na finta, como no penalty que sacou). Continua pouco intenso, pouco rápido com bola e lento a decidir o que fazer com ela. De Diego, tive pena que não jogasse ele no meio. Longe de deslumbrar e sem revelar um grande aumento de intensidade, mostrou boa visão de jogo no último terço, mais rápido e eficaz a decidir.
Léo vinha justificando a oportunidade. Bom jogo do brasileiro, mostrou que pode ser útil com o seu estilo 'fura-defesas', finta curta e bons pés. Pelo menos, que pode ser opção, já que o lugar
está bem estregue (e deu para ver isso neste desafio, quanto a mim) a Zé Manuel.
Nota para a dupla de centrais: três jogos, zero golos sofridos. Phillipe e Carlos Santos.


Vitória importante, já que cinco anos depois voltamos a vencer na Taça da Liga. É importante, mesmo não sendo a prioridade. Veremos na fase de grupos que duelos nos esperam. Ansiosamente,
esperamos nós por eles.
Pelo resultado e exibição, vem na melhor altura, olhando para as úteis duas semanas sem competição que temos pela frente (oportunidade-extra para continuarmos a nossa evolução). Tranquilidade e confiança para preparar os próximos desafios: Madeira, Sporting no Bessa e Setúbal. Venham eles.


Força Boavista!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Carlos, és o Maior!



Vitória tão justa quanto sofrida, num jogo em que, à exceção dos primeiros 15 minutos, fomos sempre superiores, mais perigosos e os que mais procuramos os três pontos. É certo que algum do perigo chegou de bola parada (melhoramos tendo em conta os últimos desafios, principalmente nos livres), mas não fosse a inspiração do guarda redes adversário poderíamos ter chegado à vantagem muito mais cedo (e então explorando as costas da defesa contrária, como parecíamos aptos a faze-lo).
Em relação ao último jogo, só os centrais foram diferentes. Olhando para o trio de meio campo e à própria postura da equipa, Petit abordou o jogo privilegiando a consistência defensiva (em teoria, semelhante ao Restelo), deixando o ataque aos três habituais. No meio campo, Idris o médio mais recuado e posicional, Ruben e Tengarrinha mais adiantados e com mais responsabilidades na construção de jogo da equipa.

Primeiros quinze minutos os mais equilibrados (diria até fruto da nossa entrada de maior expetativa e mais cautelas), findo os quais conseguimos ter maior domínio e maior capacidade de luta, encostar por vezes o adversário, conseguindo jogar no seu meio campo e controlando as suas investidas.
Mantivemo-nos por cima durante a maior parte do tempo, apesar das maiores dificuldades depois da saída de Tengarrinha e enquanto não entrou Bobô. Com a linha de quatro avançados e dois médios, acrescidas dificuldades de ganhar segundas bolas, apesar de em parte disfarçadas pela boa entrada de Leo. Com Bobô, conseguimos ser mais perigosos, mais eficientes a criar perigo e a forçar desequilíbrios através do jogo direto. O golo é justíssimo, repito, por aquilo que fizemos e lutamos, pela superioridade que mostramos em relação ao adversário.  


A verdade é que nos sentimos confortáveis: jogo afastado da nossa grande área, proteção na zona central e, dado o posicionamento do meio campo, reduzindo as hipóteses de nos desequilibrarmos. Mesmo que isso se ressinta em termos ofensivos, será a melhor forma de sermos mais competitivos por agora (pelo menos com adversários mais ou menos deste calibre).
Ruben e Tengarrinha cumprem na circulação de bola e fazem o que podem para tentar arranjar espaços no último terço (o golo surge de um centro na ala do nigeriano) nas vezes que conseguem aí chegar, mas revelam-se muitas vezes curtos nesse aspeto quanto têm também de preencher os espaços e procurar ser eficientes na recuperação de bola. A eles, juntam-se algumas investidas (e contidas) dos laterais, quer por Beckeles, quer por Julián. No resto, preferência total pelo jogo direto, tentando aproveitar as caraterísticas dos jogadores da frente, apesar de sentirmos dificuldades acrescidas dado o tal pouco apoio do meio campo (e natural, dado o passe longo e rápido).
Uchebo é por vezes útil nessas situações (e não só no meio, tem a virtude de descaír bem para as alas), Zé Manuel também consegue tirar partido da sua força e dar sequência em alguns lances. Junte-se Brito e alguns desequilíbrios conseguidos pelas suas arrancadas, e temos o nosso jogo ofensivo. Pouco agradável à vista, provavelmente ainda curto para a maioria dos jogos que se avizinham, mas mais que suficiente no jogo de ontem.


Algumas notas:

Beckeles agarrou em definitivo o lugar. Mais uma boa exibição, apesar da jogada de maior perigo do adversário ter nascido na zona dele. Comparando com Dias, neste momento traz mais segurança e robustez à lateral direita.
Continuo a não concordar com a não entrada de Afonso, apesar de Julián não estar disposto a dar-me razão. Apesar do opositor rápido e de algumas dificuldades iniciais, conseguiu cumprir bem na maioria dos lances.

Gostei do Rúben, pode ser muito útil no nosso meio campo. Já tinha gostado na semana passada, pareceu mais entrosado e melhor no jogo da equipa. Veremos os próximos tempos, mas promete (o que até pode não ser bom, o último que prometeu assim foi Carvalho).

Ao contrário do jogo no Restelo, levamos um ponta de lança para o banco e em boa altura o fizemos. Bobô foi-nos útil no jogo aéreo e direto, e graças à garra que imprime em cada lance ainda conseguiu algumas recuperações forçando o alívio do adversário. Ele e Leo (que voltou a entrar bem), mexeram e bem com o jogo.

Carlos Santos a garantir-nos os três pontos, quem diria? Já o disse e não o escondo: acho-o lento para a primeira Liga, apesar de reconhecer a sua evolução: no posicionamento e sobretudo na abordagem que faz aos lances, expondo-se menos às situações em que se torna mais vulnerável. Esteve bem neste jogo, justo prémio o golo da vitória (e no segundo jogo a titular, zero golos sofridos...). 



Em suma, vitória fundamental que nos permite respirar um pouco melhor e preparar, pelo menos com mais tranquilidade, os próximos desafios. E, quem sabe, começar a poder jogar um futebol mais apoiado, acompanhado da consistência defensiva que tanta falta nos tem feito.

Vem aí o Oriental, jogo para ganhar e, espero eu, jogo que contribua para o tal entrosamento que nos faz falta.


Força Boavista!

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Venham Eles: Penafiel


Será um dos jogos mais importantes dos últimos tempos, podendo até vir a ser um dos mais marcantes da presente temporada, daqueles que terão que ser encarados como verdadeiras finais, não só pelos jogadores mas também por nós, adeptos.

E o grau de exigência é altíssimo. Todos sabemos das condicionantes (que fazem questão de nos relembrar, semana após semana), das enormes dificuldades em construir uma equipa competitiva, mas chegou o momento em que errar é quase proibido. Nos últimos cinco jogos, quatro derrotas, um empate, 4/13 em golos marcados/sofridos (sendo que dois desses jogos tiveram como adversários equipas de escalão inferior), fazem com que este desafio seja encarado como decisivo para percebermos se o futuro poderá ser risonho ou não. Exagero? Não creio. Principalmente se continuarmos a mostrar as fragilidades que temos evidenciado nos últimos tempos.


Nota para a nova política do Clube no que toca à comunicação. Esta semana tivemos a informação acerca do estado clínico de alguns atletas, aqueles que se encontram lesionados. Deu para confirmar que Afonso e A. Carvalho estão aptos (pelo menos não lesionados), veremos se serão opção para o jogo de domingo. Tengarrinha e Carvalho formaram uma boa dupla de meio campo, e a intenção, ao que parece, de Petit, é jogar com um trinco atrás de dois médios mais soltos: foi assim contra o Paços (nos primeiros 30 minutos, Gouveia) e em Belém (Idris). Veremos se é para continuar nessa aposta e se Rúben (que deu boas indicações no jogo de estreia) será o tal trinco ou fará parte da dupla mais à frente. Estará relacionado com o risco que Petit colocará na abordagem ao desafio, se com maior iniciativa, maiores riscos (o jogo quase a isso obriga, dado o adversário direto e o facto de ser no Bessa), ou ,por outro lado, mais comedidos dando preferência a uma maior consistência defensiva e de expetativa.
Curiosidade também para percebermos se Sampaio e Ervões serão incompatíveis para Petit, se Afonso continuará a ser preterido a favor de um extremo adaptado e se Beckeles ganhou em definitivo o lugar de lateral direito, depois de uma exibição positiva no Restelo.
No ataque, faz sentido continuar com o tridente Brito/Ze Manuel/Uchebo, se bem que alguma alteração não será de estranhar.


Resumindo, uma enorme interrogação. Não só acerca do onze, como daquilo que a equipa será capaz de produzir.
Exige-se empenho como até aqui mas... mais acerto. Será fundamental. E todo o apoio das bancadas claro, quanto a isso estou mais confiante ainda (mas nada de exageros que a paciência - ainda para mais no Bessa - já não é a mesma).


Força Boavista!



terça-feira, 4 de novembro de 2014

Derrota. Terceira. Seguida. Calma. Foi Eficácia. Tiros. E Jogadores Novos.



O discurso politicamente correto. Lúcido, talvez:

Eficácia? Correto. No passe, no posicionamento, no remate, em quase tudo. Falta de eficácia nas acções, coletivas e individuais. Facto. Três ataques perigosos do adversário, três golos. Primeiro remate que não dá golo aos 37 minutos...
A nós, duas situações de golo oferecidas (sim, as duas melhores oportunidades na primeira parte são passes dos jogadores azuis), marcamos um. Zé Manuel tem uma grande arrancada, faltou alguém meter o pé e encostar. Mais uma quantidade de bolas paradas que de aproveitamento foi zero, num aspeto em que regredimos imenso nos últimos desafios.
Mas admito, na primeira parte, a espaços, deu ideia de algum discernimento, algum sentido prático no jogo, vontade e confiança em alterar o rumo.

Segunda parte, adivinhava-se a postura do adversário, na expetativa de explorar o contra ataque e as nossas costas, mais balanceados para o ataque à procura do golo que nos recolocasse na disputa dos pontos. Brito a passe soberbo de Tengarrinha, jogada de Leo cruzamento sem emenda, livre do mesmo e mais umas quantas bolas paradas para o teto.



O pior é o que não produzimos. Defensivamente pagamos caro pelo facto de sermos tão macios e tão pouco eficazes a cobrir os espaços, a compensar a pressão que se faz ao portador da bola. Também foi assim no primeiro e terceiro golos, ambas as jogadas com os centrais a dobrarem nas laterais e enormes lacunas e passividade no eixo central. No segundo golo, tudo explicado quando se ultrapassa três defensores com aquela facilidade, no tal espaço central em frente à defesa onde temos apresentado imensas dificuldades nos últimos jogos.
No ataque, é o jogo direto que impera. Exceção para a lucidez de Tengarrinha, a técnica de Brito e a força de Zé Manuel a conseguirem alguns desequilíbrios. Melhoramos, aqui e ali, numa ou noutra transição bem conseguida, em raras boas receções de Uchebo, falhando invariavelmente no último passe (por vezes, no último passe para o último passe...). Bolas paradas, again, e à exceção do perigo no livre direto de Leo, todas não aproveitadas.

Nota positiva para Beckeles, a jogar na lateral pela primeira vez como titular. Quanto ao atestado de incompetência passado ao Afonso, sinceramente ainda estou para perceber (salvo se estiver lesionado) o que ganhamos com o argentino que não o consigamos com o português.


Tremenda desilusão, admito. E sim, já jogamos com os primeiros oito classificados, e quando os adversários estavam ao alcance, vencemos. Já evoluímos e mostramos coisas positivas, como aqui foi falado nos posts sobre os jogos, mesmo naqueles que perdemos. Não esquecendo a cereja do Dragão, volto a dizer que o que me preocupa mesmo é o que não produzimos. E sim, sim e sim, sei que a equipa ainda se está a entrosar, que ao terceiro mês de competição ainda estreamos vários jogadores, que a defesa, o meio campo e o ataque ainda tem elementos em busca da melhor forma e outros lesionados.

Mas é preocupante o caralho de futebol que praticamos e a consistência que, definitivamente, não conseguimos ter (e alterando os centrais, as laterais, o meio campo).
Por mim, que meti a cabeça no cêpo pelo Petit, acho que o próximo jogo é fundamental para o futuro. E para percebermos se temos futuro.

 


Siga. É para rebentar o Penafiel. Ganhar ou ganhar, jogar bem ou jogar bem.


Força Boavista!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Breve Reflexão



Estamos no momento mais conturbado destes primeiros três meses de temporada. Como equipa, e disse-o aqui várias vezes, fomos evoluindo de forma muito positiva, facto que nos valeu os sete pontos conquistados e quatro posições acima da linha de água. Chegamos a uma fase em que precisamos de nos tornar competitivos, consistentes, de acertar em definitivo com o onze.
Vem aí, parece-me, duas jornadas decisivas para o futuro da equipa. A direção fez questão de mostrar a confiança no técnico, fazendo fé nas notícias dos últimos dias e olhando ao esforço extra no que toca a conseguir apetrechar melhor o plantel.


Começando pela baliza, Mika agarrou naturalmente a titularidade. Longe de ser brilhante, culpado em alguns golos (na Taça não esteve nada bem), já evitou diversas vezes que a nossa baliza fosse alvejada com sucesso, sendo decisivo em alguns pontos conquistados. Está confiante, dentro e fora dos postes, e tenho para mim que ainda vai a evoluir mais (Alfredo rules).

Na defesa, e contra as minhas expetativas iniciais, começam as nossas dificuldades. Pagamos caro a inexperiência a este nível dos nossos dois centrais com mais minutos - Lucas e Sampaio -, para lá da ausência daquele que à partida seria um dos titulares, Ervões. Já por culpa própria, as opções ficam-se por estes três. Carlos Santos tem imensas dificuldades, apesar da boa evolução, neste patamar de competição, por motivos que me parecem claros.
Lucas, rápido e forte no jogo aéreo, é lento - excessivamente lento - quando é preciso manobrar no espaço curto, a rodar e a atrapalhar o oponente quando este já tem o controlo da bola. Sampaio, embora alguns jogos menos bons, tem sido quanto a mim uma das boas surpresas. Faz da antecipação a sua grande arma, terá pormenores a melhorar, mas mostra, jogo após jogo, que está aí para se tornar num bom central com a nossa camisola.
Alterarmos a dupla de centrais é algo que também não abona em nosso favor. 

Nas laterais, não deixamos de ter problemas, apesar de estar aí uma das nossas principais contratações, Correia. Vai cumprindo a defender - apesar de dificuldades no posicionamento, o que já nos valeu alguns dissabores - é a atacar que se destaca, assim como nas bolas paradas. Dias, um dos mais experientes que temos, é um pouco o oposto do brasileiro. Tem cumprido a defender em alguns jogos, noutros nem tanto, pior quanto tem pela frente algum extremo mais rápido, em que se torna permissivo demais. No ataque, está longe de poder desequilibrar como o brasileiro.
Afonso, para a esquerda, será talvez o nosso melhor suplente (apesar da exibição apagada nas Aves...). Para a direita, parece que finalmente vamos ter outra opção.


No meio campo, temos o jogador em melhor forma, Tengarrinha. Como médio mais recuado ou a '8', tem sido muito útil, tanto defensivamente como na (pouca) boa circulação de bola que conseguimos fazer. Tambem erra (em Guimarães, por exemplo), mas é dos mais lúcidos com a bola e dos que melhor interpreta o momento defensivo (quer a fazer pressão ao adversário, quer a recuar para perto dos centrais). Anderson, custou um pouco para aquecer os motores, mas já apareceu em muito bom plano. Foi uma surpresa a sua substituição no último desafio, pois é um jogador que pode emprestar algumas boas soluções de passe ao nosso meio campo. Melhorou imenso na intensidade, parece só ter a ganhar quando puder ter mais liberdade para melhor demonstrar o seu jogo.
O jogo das Aves, para além da eliminação da Taça, trouxe-nos outro dado: a evidência da escassez de opções. Idris, o qual elogiei aqui no início da época, é pouco mais que poder de destruição no meio campo defensivo. Mesmo nesse aspeto, paga caro o mau posicionamento que teima em não corrigir. Cid, vai mostrando as imensas dificuldades em competir a um nível mais elevado e bem mais exigente que o terceiro escalão. A intensidade e velocidade do seu jogo revela-se insuficiente, com bola denota as mesmas dificuldades de sempre.
Estranho o facto de Beckeles não fazer parte da equação do meio campo mais vezes. Quando aí jogou (mesmo a médio direito, excetuando o jogo ante a Académica) fê-lo bem, ajudando à consistência da equipa. Quando não jogou, tivemos problemas (ex., Vila do Conde, Aves, Paços). 
Dos médios ofensivos, pouco haverá a dizer. Os dois (Lima e Ancelmo) já mostraram boa técnica, ambos pouco produtivos no momento defensivo. Talvez por isso, sejam carta fora do baralho para o onze, nos próximos tempos. Não temos (teremos?) condições para jogar com um dez puro como ambos parecem ser.
A contratação recente pode ajudar, não só no meio campo, pois poderá libertar Beckeles (tornando-se opção da lateral direita). Sendo trinco, Tengarrinha e Anderson poderão afirmar-se como a dupla no miolo, mais libertos de tarefas (exclusivamente) defensivas.


No ataque, também pagamos caro a inexperiência neste escalão. Falta de experiência, falta de qualidade e velocidade, há que o dizer. Bobô e Julián são voluntariosos, cumpridores na hora de defender, mas são curtos quando é preciso algo mais para desequilibrar as defesas contrárias. Dos que nos acompanharam do CNS, tem sido Zé Manuel o que melhores prestações tem conseguido. Vai evoluindo, esperamos que continue nessa linha. Yoro e Léo, tem entrado aos poucos, veremos se conseguem tornar-se melhores opções. Boa entrada do brasileiro neste último desafio.
Quincy e Uchebo podem realmente tornar-se muito úteis, simplesmente porque tem qualidade. Quincy tem um ritmo preocupantemente lento, é verdade, mas veremos como Petit consegue extraír o máximo das suas capacidades, que as tem. Técnica acima da média, boa visão de jogo, eficaz e rápido no passe. O nigeriano mostrou qualidades na sua estreia, mesmo com pouco entrosamento. Forte no jogo aéreo, recebe e roda bem, não é jogador de se fixar na área como referência, algo que poderá ser de grande utilidade quando estiver melhor incorporado na equipa. 



A equipa é nova, os jogadores também, a experiência não abunda. Arriscado, muito arriscado, já todos sabíamos que seria. Resta responder dentro do campo, não só nos resultados como nas exibições. Veremos o que nos traz os próximos dois jogos, quanto a mim decisivos para percebermos melhor o que poderemos fazer no futuro.


Força Boavista!

domingo, 26 de outubro de 2014

Mau. Péssimo



Adivinhava-se um jogo difícil, não só pelo adversário mas também pela pressão acrescida sobre os nossos ombros, resultado das últimas prestações. O estado de graça terminou, o apoio existe mas não é incondicional, como é óbvio. É a fase em que a equipa e os jogadores também têm que puxar pelos adeptos. Cedo se viu o quão complicado seria evitar a derrota, cedo percebemos que ia ser mais na força e no coração, que propriamente pela maturidade ou qualidade.


Entramos razoavelmente bem, a pressionar, ganhando luta no meio campo e a conseguirmos alguma boa posse de bola com boas combinações nas alas, talvez a nossa melhor fase no jogo. Mas cedo se viu das dificuldades, não só pela incapacidade em chegar com perigo ao último terço mas sobretudo a segurar a forte transição ofensiva do adversário. É certo que o golo é a primeira chegada com perigo do Paços à nossa baliza, mas não o primeiro lance perigoso nem a primeira ameaça após roubo de bola aos nossos médios. Voltamos a errar em demasia no meio campo, já de si descompensado e expondo, para não variar e quase fatalmente, o eixo da defesa, apesar da intenção contrária de Petit. A entrada surpresa de Gouveia pode ser explicada por aí, na tentativa de proteção à zona central, libertando mais Tengarrinha e Anderson para, além de pressionarem mais alto, poderem desequilibrar no passe mais à frente. O problema é que se abdicou demasiado cedo dessa intenção e, quanto a mim, da pior maneira, desfazendo aquela que será a melhor dupla que poderemos apresentar no meio campo. Passamos por enormes dificuldades, mesmo com mais uma solução ofensiva, mas sem apoio de retaguarda nem consistência para podermos pegar no jogo e tentar encostar o adversário. Muito menos com alguma sequência à solução mais vezes encontrada, o futebol direto. Continuamos permissivos, sem fluidez na posse, cada vez mais os jogadores a denotarem pouca confiança não só neles mas no próprio sistema e nas soluções que não oferece. A agravar, o receio do erro cada vez mais evidente, não só no passe mas sobretudo no posicionamento de cada um, na linha de passe que não surge, nas opções de ataque que não aparecem no lugar e hora certos.
Não tombamos mais cedo no jogo graças a Mika e à ineficácia alheia (um Paços que, apesar de ter qualidade, esteve a milhas no jogo de ontem), e ainda tivemos um último respiro, um pequeno assalto de confiança e fé que quase nos dava um imerecido mas bem vindo empate.  


Algumas notas:

Nem seria preciso a sua boa entrada no desafio (apesar do segundo golo surgir por ali...), mas custa perceber como Beckeles não calça mais vezes. Ainda mais num meio campo a três, como foi apresentado por Petit, dando-se preferência à inexperiência de Gouveia (estreia na Primeira Liga e em jogos oficiais este temporada). Até acho que o jovem tem valor e teve uma atuação positiva, enquanto teve forças e embora com dificuldades (como outro qualquer teria, na forma como estava aquele meio campo), mas, ainda assim, custa explicar a ausência de Beckeles.

A outra surpresa foi Julián, na lateral esquerda. Fico na dúvida se Afonso está mal fisicamente ou se foi mesmo opção. Verdade que não foi (só) por ali que tivemos problemas, nem o extremo foi demasiado permissivo quando comparado com o lateral de raíz do lado contrário. Mas é uma pena estas situações (o afastamento de Correia...) não servirem para se dar mais minutos e experiência àquele que é um dos nossos melhores valores, Afonso.

Zé Manuel, Brito. Na linha do que tem mostrado, apesar de poucos momentos de desequilíbrios. Zé Manuel mais vítima do sistema (pareceu perdido no meio do ataque e nas solicitações que foi alvo), Brito a tentar inverter no meio da inferioridade numérica perante o adversário.

Porque nem tudo foi mau, gostei do Uchebo. Pouco entrosado é certo, ainda com decisões demasiado individualistas, mas mostrou que pode ser uma excelente opção. Além de homem área (pela estatura e posicionamento nas bolas aéreas), descai para as alas e safa-se no um para um, mesmo na finta desengonçada.
Tengarrinha, de novo. O melhor, de longe. Um ou outro erro ou mau passe, mas muita clarividência, vontade, concentração. Admito mais uma vez, para mim uma enorme surpresa a qualidade que apresenta no seu jogo. Lance que descreve um pouco a nossa atuação e a dele próprio: minuto tal, Tenga recupera no meio campo, desamarca-se para receber mais à frente na ala, vai à linha e cruza, mesmo sabendo que nenhum companheiro de equipa estava a menos de quinze metros dele e todos longe da área. E resigna-se, estarrecido no chão...
Ainda no lado positivo, Quincy mostrou o mesmo da semana passada e eu também digo o mesmo. Pés tem ele, falta saber como vai ser do ritmo e como Petit conseguirá tirar o melhor partido das suas qualidades. Ontem está no golo e em mais um par de jogadas perigosas.  
Leozinho também foi uma (pequena) agradável surpresa, apesar dos poucos minutos e de uma ou outra má decisão. Fura bem, não tem medo de enfrentar o adversário, veremos como cresce nos próximos tempos.


Preocupa, sobretudo, o desnorte que parece evidente quando se vê a equipa a abordar o desafio, a jogar e a ter a iniciativa, a encarar as dificuldades e a reagir a elas. Estamos no momento em que é mesmo preciso apresentar não só resultados, mas algo mais que atitude (e muitas vezes beliscada não pela falta de vontade mas sim pela falta de confiança, receio e descrença).
Temos três bons médios para formar um meio campo que não formamos, temos avançados ainda à procura do melhor ritmo, temos defesas indisponíveis e que nos fazem falta. Temos algumas coisas boas, mas por um motivo ou outro, uns compreensíveis outros mais difíceis de perceber, tardamos em acertar agulhas.



Na classificação, os danos podem até nem ser muitos. Dois que estão abaixo de nós já perderam, outros dois defrontam-se, portanto a queda poderá ser de um ou dois lugares. Restelo na próxima segunda feira, seguido de uma final com o Penafiel. Mais um jogo sobre brasas e mais um desafio para a equipa mostrar o que tem faltado. 



Força Boavista!

domingo, 19 de outubro de 2014

Humilhados





Acho que humilhação é mesmo a palavra certa para descrever aquilo que se passou na Vila das Aves. Mesmo conscientes (e avisados!) que a Liga é a prioridade, a competição na Taça, neste jogo em particular, seria um bom momento para encarar o jogo com unhas e dentes. Ou seja, com o melhor onze possível, que já assim, graças a lesões e castigos, contava com alguns impedimentos.
E começamos a perder aí, na "equipa competitiva" que não conseguimos ser. Por razões, apetece-me dizer, óbvias.




Se do lado esquerdo havia confiança em Afonso (mesmo sendo o seu segundo jogo oficial da época), já no centro da defesa Santos a fazer par com Lucas seria sempre motivo de preocupação. Já conhecemos as caraterísticas de Carlos Santos, não adianta estar aqui a chover no molhado. Muito embora a boa vontade (e evolução em alguns aspetos nos últimos tempos), ontem foi mais do mesmo. Com Lucas ao lado, adensam-se os problemas, enormes problemas principalmente no espaço curto, ambos lentos e ineficazes. Ontem fizeram um jogo péssimo, talvez o setor mais frágil da equipa (ou terá sido o meio campo?).

Ao contrário da defesa (Ervões e Phillipe impedidos), no meio campo mexeu-se porque se quis mexer ou porque se achou conveniente. De início parecia que para pior, no final não havia dúvidas (mesmo durante o jogo, até para o próprio Petit). Tem sido um dos pontos fortes da equipa, e onde mais evoluímos nos últimos tempos, na consistência de Tengarrinha-Anderson. Entre outras coisas, úteis na proteção no espaço central, à frente da defesa, sendo que parte do descalabro de ontem teve a ver com isso mesmo, e na incapacidade de Idris (outro péssimo jogo) e de Cid em o fazer sequer com alguma eficácia (e a ajudar à festa, não havia Beckeles...). Com bola, quase pior, fácil de ver que dos três médios só Anderson tem alguma capacidade em fazer rolar o jogo e encontrar melhores soluções. Ontem, só dos pés dele saíu algo de contrutivo, mesmo que poucas vezes.

No ataque, embora a pouca eficácia, contamos com os nossos dois melhores no jogo de ontem, Zé Manuel e Brito. O primeiro continua a sua evolução, ontem mais um jogo conseguido, esforçado, está no lance do golo e nas nossas duas melhores oportunidades. O perigo que conseguimos criar vieram sempre dos pés destes dois e quando tinham algum sucesso nas iniciativas individuais..
Nota positiva para Quincy. Acusou a enorme falta de ritmo, mas bola sai redondinha dos pés dele, é daqueles que recursos técnicos não são problema. Começou a extremo, mas foi sempre no meio que desequilibrou, mesmo antes de passar para a posição '10'. Veremos como consegue adquirir a melhor forma e como conseguirá Petit encaixa-lo na equipa. Mas promete.



Em suma, foi a fatura da quantidade de erros cometidos, antes e durante o desafio. Arriscamos nas opções e viu-se que em demasia.
E a fatura, para já, não somos nós a paga-la. Nem os jogadores, nem treinador, nem a camioneta. Tem que ser o Paços. Já no sábado, um dos jogos mais importantes dos últimos tempos. E que não seja nada parecido com o de ontem. Em nada.



Força Boavista!

domingo, 5 de outubro de 2014

E é isto...



Hoje vai ser uma mini-crónica.

Encaramos o jogo, apesar de ser fora e contra um adversário mais rotinado, com idêntica postura (e mesmo onze) ao último desafio no Bessa. Na primeira parte (e do que consegui ver, pois a maioria dos adeptos entrou já o cronómetro estava perto dos 30 min de jogo), conseguimos estancar bem o ataque vimaranense, controlando o perigo junto da nossa área, tentando uma ou outra saída para o ataque. O golo, num dos erros graves que se cometeram, surge antes do intervalo e abana um pouco a estratégia delineada por Petit (manter o nulo até enervar o adversário - e bancadas - mudando um pouco a postura com o jogo mais partido).
Na segunda parte, sentimos dificuldades em reagir à desvantagem, fomos incapazes e empurrados para trás em algumas situações pelo árbitro da partida. Mostrou, claramente, que a pressão de Rui Vitória durante a semana daria os seus frutos. Voltamos a errar em demasiados lances, o que ajuda a explicar o resultado desnivelado.




Não dá vontade de escrever mais, lembrando da situação que aconteceu com um dos nossos adeptos. Tudo parece perder importância perante este acontecimento, não só pela sua gravidade mas porque poderia, de facto, acontecer a qualquer um de nós. Uma agressão bárbara, de uma violência extrema, completamente desproporcional. Ver o adepto no chão, provavelmente inanimado, sem que deixassem alguém chegar perto dele é outra coisa que não entendo. As críticas espontâneas ao comportamento agressivo da força policial foram respondidas com ameaças de agressão dos restantes agentes. Lamentável.



Para o adepto, as rápidas melhoras.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Vamos a Eles: Vitória



"O Vitória SC representa uma região. Já o Boavista, tenho dúvidas que sequer representem uma avenida".
"Alfredo, o homem das palhaçadas". Um palhaço, portanto. 


Luís Cirilo, ex-membro da direção do Vitória, em declarações ao jornal Record e que podem ser lidas também no seu blogue.

Antes de mais, a total ignorância e inacreditável irresponsabilidade ao proferir estas afirmações em dia de Clássico. Cirilo não é um adepto qualquer, tem um certo e compreensível peso na opinião pública vimaranense. Ouvir ou ler algo assim em dia de jogo, já de si quente, inflama ainda mais o ambiente (que, diga-se, estava até bastante calmo). Visitar Guimarães para apoiar o Boavista torna-se muitas vezes uma aventura de sobrevivência, como todos sabemos. Mais ainda, quando do outro lado temos pessoas que contribuem, de forma consciente e deliberada, para um clima de guerrilha. Reprovável. Como alguém decente concerteza saberá analisar.
É este o fanatismo que os carateriza.


O teor do texto é fácil de explicar: ódio e inveja no mais puro estado. Não, não é pelos Loureiros, pelas finais perdidas, pelos árbitros ou qualquer outra coisa que não o nosso SUCESSO. Conquistas. Vitórias. Crescimento. Humildade, capacidade de luta. Resistência. Fazer frente ao poder grandista instalado no nosso futebol. Troféus. Ecletismo.
A espinha na garganta de quem tem uma cidade, uma região por trás e não consegue sequer chegar perto dos feitos de quem tem que dividir a cidade com um grande do futebol português e, logo, com compreensível menor força social. O inegável reconhecimento internacional alimenta ainda mais essa desmedida inveja.

Reparem que até o confronto da equipa B com o Boavista, na época passada, é apelidado de "motivo de gozo" para os vimaranenses. Incrível...


Orgulho é o que sente cada Boavisteiro. Um Orgulho que jamais um vitoriano como Cirilo poderá sentir.



Quanto ao jogo, não me vou alongar muito, até porque já faltam poucas horas e estou tudo menos calmo. Confio plenamente na equipa e treinador. Vamos dar tudo pelo melhor resultado possível, tenho a certeza. Deixar a pele em campo, lutar com a Alma Axadrezada bem viva, fazer do Orgulho Axadrezado a nossa grande força.
Da bancada, terá sempre o nosso apoio. Vamos a eles!


Força Boavista!

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Foi Golos que Pedimos?




Que jogo! Bessa bem composto, emoção, bom futebol, resultado incerto e três pontos garantidos numa exibição cheia de garra, confiança e... golos! Marcados pelos nossos e para todos os gostos.

Petit aborda o jogo de forma idêntica (desta feita 4231 declarado) ao que havia feito contra a Académica (diferença no onze, só Bobô no lugar do lesionado Pouga), mantendo Beckeles como médio direito e Zé Manuel no apoio ao avançado. Como já o disse, acho uma boa solução encontrada pelo nosso treinador, tendo em vista o equilíbrio entre consistência defensiva/argumentos no jogo ofensivo.


Entramos praticamente a perder (a relembrar a primeira jornada...), soubemos reagir, não perdemos o discernimento e partimos para uma primeira parte de muito bom nível, talvez das mais conseguidas neste campeonato. Bem na pressão, rápidos e acutilantes no ataque, jogadas de bom entendimento num e noutro flanco, excelentes na marcação de bolas paradas, encostamos o adversário às cordas praticamente até ao intervalo (mesmo permitindo um ou outro lance perigoso dos gilistas, de bola parada principalmente). Criamos todas as condições para dar uma machadada no jogo nesse período e, não fosse a falta de eficácia e pouca lucidez na hora de alvejar a baliza, teríamos chegado ao intervalo em vantagem.
Arriscamos mais na segunda parte, com a saída de Beckeles (jogo menos conseguido do hondurenho) para a entrada de Yoro, claramente um jogador de caraterísticas mais ofensivas no flanco direito (perdendo a utilidade do ala direito na ajuda ao meio campo e ao lateral). Praticamente entregamos o meio campo à dupla Tengarrinha/Anderson e em boa hora o fizemos. Foi, em parte, devido a eles que raramente nos desequilibramos e continuamos pressionantes, consistentes, ganhando algumas bolas perto da área adversária, fechando caminhos nas imediações da nossa. Ainda assim, e risco assumido por Petit, julgo eu, dividimos grande parte do desafio e das iniciativas de ataque nesta segunda parte, em busca da vitória e dos golos. Grande mérito nas reações aos momentos negativos, não só ao golo do adversário, como nas alturas de menor fulgor e de algum desacerto na construção das jogadas. De novo, mais que merecemos a ponta de sorte que tivemos perto do final do jogo, tal a vontade e lucidez com que enfrentamos as dificuldades. E fomos, sem dúvida, a equipa que mais procurou (e arriscou) a vitória.


Mika, em definitivo, agarrou a titularidade. Transmite confiança à equipa, dentro dos postes e fora deles, algo muito positivo para um guarda redes. Ontem foi decisivo num par de intervenções, ainda na primeira parte.
Sampaio 'cheirava' o golo há algumas jornadas, tornando-se no nosso primeiro marcador do campeonato. Exibição na linha das anteriores: segurança na sua zona, bem na antecipação e a limpar tudo que chegava perto. Já Lucas está nos dois golos e não por acaso. Voltou a demonstrar dificuldades no espaço curto, ou seja, quando o adversário consegue segurar, controlar e virar em pouco espaço, e ele... nada. Lento. Duro de rins. Também com dificuldades em saír a jogar, esteve razoável em tudo o resto.
Outra vez, Correia?! A não emendar, vai correr mal um dia... é proibido fazer aquela finta naqueles momentos, ponto final. Ele e Dias estiveram bem a defender, ajudaram à consistência defensiva (e importante, dado o jogo dos gilistas pelos extremos), subindo a propósito pelos seus flancos. O brasileiro destacou-se ainda nas bolas paradas, principalmente na primeira parte. É dele o canto que dá origem ao primeiro golo, criou perigo e revelou (de novo) bom entendimento com Brito. Ele e Zé Manuel, muito bem nas bolas paradas. Tivemos nove cantos a favor (contra zero do adversário...), mais algumas faltas perto da área, quase tudo muitíssimo bem marcado. Vínhamos a melhorar neste aspeto há algumas semanas (nota-se trabalhinho e do bom), ontem cada lance, cada calafrio para o adversário.

Tengarrinha e Anderson... que jogão. O português como nos vem habituando, sempre bom posicionamento, eficaz no desarme, ontem foi sempre em crescendo durante o jogo. Acabou-o em grande. Já o brasileiro esteve excelente, não só pelos golos. Manteve a intensidade (que vem aumentando, ontem não foi exceção), revela grande lucidez no passe. Além de muitos e bons momentos nas saídas para o ataque, ainda teve tempo (e disponibilidade física) para ir lá à frente fazer a diferença. O seu segundo golo é fantástico.

Na frente, Zé Manuel continua a dar bons sinais de evolução e vai justificando a aposta no onze. Raçudo, bem a pressionar, é útil a deambular pela frente de ataque e encaixa bem na posição atrás do avançado, tirando partido das imensas bolas ganhas por Bobô. Quanto ao brasileiro, algumas más decisões quase manchavam uma exibição à sua imagem: nunca vira a cara à luta, ganha imensas bolas para os companheiros, arranca muitas faltas úteis. E dá sequência quando exageramos um pouco no jogo direto. Aquele toque para o golo do empate é soberbo.
Brito parece estar a caminho da melhor forma e ainda bem. É de remate fácil, decide quase sempre bem, desequilibra no um para um, muitas vezes só parado em falta.
Léo e o grande Fary, apostas de Petit para os últimos minutos, estão no golo da vitória...


Desta feita não temos razão de queixas no que toca à arbitragem. O golo gilista é legal (seria o 2-3), apesar de ser difícil de descortinar (Gladstone, que não toca na bola apesar de estar perto do marcador, está adiantado). Já na disciplina, não se entende muito bem como o adversário acaba o jogo só com um amarelo (e mostrado a cinco minutos do final...).


Em suma, voltamos a demonstrar sinais de evolução, desta feita mais evidentes no ataque. Raça e atitude em boa dose, reação às adversidades, público a ajudar nas bancadas. Sete pontos à sexta jornada, olhando ao nosso calendário e relembrando as melhores expetativas no início da época, não é nada mau. Se juntarmos a isso a evolução da equipa (e mesmo individualmente), temos tudo para continuar a acreditar e apoiar.

E get ready, vem aí o Clássico...


Força Boavista!