sábado, 10 de janeiro de 2015

Vamos a Eles: Nacional


Quem diria? 16ª jornada, visita à Madeira à frente do Nacional na classificação e, seja qual for o resultado, assim nos manteremos. Em caso de derrota poderemos descer um lugar (caso o Setúbal vença o Arouca), se não perdermos mantemos o 12º lugar, com hipóteses de ultrapassar o Estoril  na próxima semana. Mesmo com 'almofada' para o que der e vier, seria ótimo, numa jornada em que seis dos sete últimos classificados jogam entre si, conseguir sacar pontos e depois tentar fechar em grande a primeira volta no Bessa.

Adversário moralizado pela vitória para a Taça, vêm de apenas uma vitória (tambem contra o Marítimo) nos últimos sete jogos para o campeonato, sendo que o último foi goleada em Guimarães.  Em casa só perderam contra dois grandes e Moreirense (ora, dão-se mal com grandeza e xadrez, tá bom), somando 11 dos 12 pontos que têm na Choupana.

Curiosidade para ver como encaramos o jogo, se à semelhança dos dois últimos desafios fora de portas, com uma postura defensiva e mais na expetativa (como o jogo aconselha, procurando prolongar a indefinição no resultado o maior tempo possível e tentando tirar partido de uma maior frescura física) ou, por outro lado, de forma idêntica ao que fizemos nos jogos com Belenenses e Arouca, com maior equilíbrio entres os momentos defensivo e ofensivo.
Não podemos contar com Gabriel, um dos médios todo-o-terreno, nem com a recente contratação. Carvalho provável no meio campo (no lugar de Lima ou de um avançado?), podendo ainda passar Beckeles para a ala direita entrando Dias para lateral, como tem acontecido (aqui no lugar de um dos três do ataque).
Na esquerda, e depois dos últimos dois jogos, não faz sentido mudar Afonso, assim como os centrais.


Confiança na equipa e vamos a eles! Força Boavista!



quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Cech



Fiquei algo surpreendido com a contratação do internacional eslovaco. Nem daria muita importância se fosse só notícia ou boato, pois acharia que Cech não seria para o nosso bolso, nem nós lhe poderíamos oferecer condições para ele assinar.

Tenho uma ideia muito positiva, a lateral esquerdo mas também a médio. Foi nesta última posição que jogou (julgo que na maioria das vezes) em Inglaterra, onde esteve 3 épocas no WBA (perto de 70 jogos). Passou pelo Trabzonspor (onde foi pouco utilizado, 20 jogos em duas épocas) antes de rumar a Itália na temporada passada (começou a titular, fez onze jogos numa época desastrosa para o Bologna). Estava sem clube, veremos como está fisicamente, mas é provável que não demore tanto tempo a recuperar a forma como outros que temos no plantel.
Some-se mais de 50 internacionalizações e temos um dos jogadores mais experientes do plantel, que muito jeito nos poderá dar. 

No nosso caso, será útil em qualquer posição. Do lado esquerdo, seja na lateral ou na ala (a lesão de Correia veio diminuir as opções), seja no meio campo, que poderá ser alternativa a Tengarrinha, Carvalho ou mesmo a Diego Lima. Palpita-me que poderá tornar-se peça no nosso meio campo, mas vamos esperar para ver o que pode saír dali.


Veremos também se será o único a reforçar o plantel ou se virá mais alguém. Apesar de termos quatro opções para o eixo da defesa, é um dos setores que mais problemas nos tem dado, e Petit confirmou-o há dias falando da redução do plantel.
Das dispensas, dizer que foram normais, mais ou menos as esperadas. Cid, Gouveia, Luís Neves e Yoro foram poucas vezes utilizados, precisam de rodagem e minutos numa equipa (e campeonato) onde possam dar o contributo. Especial curiosidade para ver a colocação que se consegue para o extremo, dos quatro talvez aquele que mais prometa num futuro próximo.



Força Boavista!

16



Vitória tão importante quanto justa. O adversário era direto, a linha de água estava mais próxima e nós, como tem sido hábito nesta época, cerramos os dentes e ganhamos mais uma final, mais um daqueles desafios que é proibido perder e que até valem um pouco mais que os três pontos."Ganhamos", nós. Nós todos, dentro do campo e fora dele, dada a importância dos adeptos no momento mais importante do jogo.

Curiosidade acerca do onze e postura da equipa para este embate frente ao Arouca. A estratégia dos últimos dois jogos para o campeonato - Setúbal e Moreira de Cónegos - havia sido mais defensiva. Bem mais, como todos se lembrarão. Como disse Petit depois da vitória em Setúbal, uma mudança radical, sobretudo na mentalidade e na abordagem aos jogos. Assumiu-se - e bem quanto a mim - que parte do problema está cá atrás e na forma como somos permissivos no momento defensivo (e não só no setor recuado), pagando caro quando queremos 'esticar' um pouco mais o nosso jogo. Linhas recuadas na tentativa de reduzir o erro ao mínimo; dois trincos, dois alas com prioridade defensiva, para blindar ainda mais; e acima de tudo: a intenção de, começando na expetativa, controlar e ir crescendo com o jogo e com o que ele pode ou não dar.
Correu bem em Setúbal, não tão bem em Moreira. Positivo, se tivermos em conta que a equipa do sul será, presentemente, um concorrente [mais] direto. Na derrota, até conseguimos reagir bem, depois do pior que pode acontecer a uma equipa que adopta este tipo de estratégia, sofrer um golo cedo. Não nos 'desconcertamos' (como já aconteceu várias vezes depois de sofrermos cedo na primeira parte), conseguimos reagir e discutir o jogo até final, apesar das dificuldades em sermos mais consequentes no último terço. E aqui vale a pena dizer outra coisa: foi um daqueles jogos em que as bolas paradas tiveram um papel decisivo, como vai acontecendo aqui e ali durante a longa temporada. Eles [só] criaram perigo (e marcaram) por aí, nós não, apesar do idêntico número de oportunidades. Num aspeto - repito - em que já estivemos bem melhores (principalmente no plano ofensivo).

Mas lá está, de novo, aquela que tem sido a nossa imagem de marca desta temporada: a 'eficácia' do ponto. Depois de cinco derrotas nos seis jogos anteriores, seria primordial ir buscar pontos na dupla deslocação. E fomos.

Ainda antes da primeira vitória do ano, estreia na fase de grupos da Taça da Liga. Se nos lembrarmos do jogo no Restelo de há dois meses e do desequilíbrio de forças que ficou então patente, acho que podemos dizer que acabamos por fazer um jogo bem conseguido, também olhando às diferentes prioridades que ambos os treinadores parecem dar à competição. Estivemos por cima em muitos momentos do jogo, conseguimos criar as melhores oportunidades e fomos a equipa que mais próximo esteve da vitória. Sem ser brilhantes, fomos práticos e de concentração ao máximo, contra uma equipa, convenhamos, para já mais evoluída.



Retomando o jogo com o Arouca. Tengarrinha, Lima e Afonso, as principais novidades. Sobretudo, diferença no meio campo e na forma como abordamos o jogo: meio campo menos robusto (só com Idris a trinco), deixando Tengarrinha e Lima como médios com maiores responsabilidades de contruir jogo. Lateral direita normalizada, com Beckeles a defesa e dois alas. Alas mesmo, com [maiores] preocupações ofensivas quando comparando com os últimos dois desafios.


Não sei se terá sido o melhor jogo da temporada, como diz Petit, não tenho dúvidas é que foi a melhor reação a um golo sofrido, dos melhores trinta minutos que fizemos esta época e da maior superioridade frente ao adversário que alguma vez mostramos nesta Primeira Liga. Daí a justiça do resultado.

Até entramos melhor no jogo, a controlar mais e com maior intenção de chegar perto da baliza adversária, toada que mantivemos toda a primeira parte. Erros individuais permitiram alguns sustos perto da nossa área, apesar de nunca nos desconcentrarmos em demasia nem nos desequilibrarmos depois das perdas de bola. Justa a vantagem ao intervalo.
Dez minutos da segunda metade, tivemos a postura que se adivinhava, de maior expetativa, sem permitir grandes aproximações ao nosso último reduto. Voltamos a sofrer na pele a falta de jeito nas bolas paradas.
A partir daqui partimos para uma excelente meia hora. Pressionamos e encostamos o adversário, ganhamos segundas bolas e carregamos a área contrária, quase não permitindo contra ataques que pusessem em perigo a nossa baliza. Marcamos um, falhamos algumas situações, matamos o jogo já nos descontos, sem nunca ter deixado de o controlar, mesmo com a vantagem mínima.


Algumas notas:

Ervões apareceu em bom plano no jogo da Taça da Liga, mas a escolha voltou a recaír na nossa dupla de centrais mais eficaz ou menos batida, Sampaio e Santos. Não foram perfeitos, mas voltaram a entender-se bem e sendo minimamente eficazes perante a carga de trabalho a que foram sujeitos.
Na esquerda, finalmente a estreia de Afonso na Liga, também ele depois de uma boa exibição contra o Belenenses. Esforçado, sempre concentrado e dado a poucos facilitismos, fechou bem a lateral esquerda. São dois jogos que prometem, veremos como correm os próximos. Para já, muito melhor que a aparição nas Aves. 
Do lado oposto, aquele que deve ser dono e senhor do lugar, Beck. Só não o é pela utilidade noutras posições, a ala defensivo (como nos dois últimos jogos) ou a para dar consistência ao meio campo (como o fez e bem, quando Dias entrou para lateral).
Idris, está ligado aos dois lances mais perigosos do Arouca na primeira parte, assim como a inúmeros desarmes que conseguiu fazer na zona intermédia e o habitual e útil auxílio aos centrais. Vendo bem as coisas, um jogo à Idris.
Sinceramente, não entendi bem a saída de Tengarrinha da equipa (processo de evolução da equipa?), voltou nestes dois últimos desafios e, para não variar, em bom plano. Foi também bem susbtituído por Carvalho, quando foi preciso refrescar e dar outro tipo de soluções de passe ao meio campo. 
Melhor Diego Lima da época, depois dos sinais positivos em Moreira e, principalmente, no jogo perante o Belenenses. Muito mais intenso na disputa da bola, mais interventivo no momento defensivo (mesmo sem bola, neste teve um papel de maior responsabilidade no meio campo, sendo daí mais um terceiro elemento que um segundo no ataque), rematador, mais perto de receber a bola e distribui-la em boas condições. Gostei, veremos o que nos trazem os próximos desafios.
Zé Manuel continua a sua evolução, conseguiu aquele que provavelmente terá sido o seu melhor jogo na Primeira Liga. É continuar, acredito mesmo que não fica por aqui.
A juntar ao português que nos acompanha do CNS, Léo continua em bom plano. Não tão bem como em Setúbal, onde jogou numa posição e função diferentes, mas a fazer uso do poder de desequilíbrio que tem. Segura bem a bola, passa bem, por vezes continua a decidir tarde e mal, mas foi, sem dúvida, uma exibição positiva.
E eis as razões porque temos um suplente de luxo, Brito. Voltou a entrar bem, fez-nos ser mais perigosos mesmo no pouco tempo que jogou e fechou o jogo. O banco não lhe faz mal, claro (e fará a alguém deste plantel?!).
Uchebo, mais um golito. Um golo, muita luta, muito trabalhinho e desgaste infligido à defesa contrária. Já o tinha dito aqui, gosto de o ver descaír para as alas (e aí desequilibrar, como temos visto), apesar da sua altura, o que normalmente convida a um estilo de jogo mais posicional. É verdade que o jogo aéreo não parece ser a sua especialidade, apesar de por vezes exagerarmos no jogo direto que dele exigimos resposta. Não maravilhou, mas foi-nos bastante útil, não só pelo golo decisivo.



Em suma, vitória crucial. Décimo segundo lugar, quatro equipas entre nós e a linha de água, que está a cinco pontos. Não é muito, mas temos tudo para continuar a evoluir, mantendo esta atitude.
Visita à Madeira no próximo domingo, às 18h e sem tv.


Força Boavista!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Venham Eles: Vitória de Setúbal



Visita a Setúbal, a um ponto do adversário, mais próximos da linha de água (3 pontos) e a necessitar não só de pontos mas de uma exibição convincente. Quando digo convincente, digo a dar mostras de alguma consistência e estabilidade, principalmente defensiva.
Temos, apesar do jogo direto em excesso, mostrado alguma evolução quando temos a bola e procuramos chegar perto da baliza adversária. As opções vão aumentando, a confiança e entrosamento também, o que é bom para a equipa. Viu-se no Restelo, na meia dúzia de golos nos dois jogos em casa, mesmo (vá, com algum esforço) nas derrotas no Funchal e Sporting.
O problema maior é mesmo a insegurança no setor recuado quando não temos a bola nem recuamos em excesso, a permeabilidade excessiva do nosso meio campo e defesa, o mau posicionamento a as falhas de concentração, e as facilidades que os adversários cedo encontram para alvejar a nossa baliza. E consoante o seu êxito, vamo-nos mantendo ou não no jogo, quase sempre acabando por ter que reagir às adversidades.

Ora por lesões, castigos ou mesmo por opção, não conseguimos estabilizar a dupla de centrais, o que em nada ajuda ao ganho de estabilidade pela equipa. Ervões e Sampaio, ambos disponíveis, para Setúbal? Ou Santos, o nosso defesa com menos golos sofridos? Lucas, não acredito.
Temos, há já algum tempo, a agravante de não poder contar com Correia, um dos indiscutíveis, veremos se finalmente estará de regresso. Julián não faz esquecer Afonso, quanto mais o brasileiro. Se bem que mais ofensivo quando comparado com o português, tenho muitas dúvidas se será tão melhor a defender (a principal missão de um lateral) que Afonso, pelo menos o suficiente para fazer os últimos seis ou sete jogos (e mesmo com algumas prestações positivas pelo meio).
Mais certo será o regresso de Beckeles à lateral direita (aquela expulsão é talvez a maior razão de queixa que temos a respeito das arbitragens), o que é positivo.

No meio campo, coisas positivas e outras nem tanto. Desde logo Reuben Gabriel, que dá mostras de ser uma opção viável, o que no nosso caso vale ouro. Como já discutimos aqui, Tengarrinha e Anderson já formaram uma boa dupla no meio campo. O brasileiro tem demorado a aparecer, mas fê-lo bem nos últimos três jogos, jogando como o médio mais solto, o primeiro a pressionar os defesas contrários e oferecendo qualidade de passe não só no meio campo mas também no último terço. Estranho é a ausência de Tengarrinha, impedindo a repetição da dupla. Serão incompatíveis segundo o treinador? Precisará o meio campo, além do músculo de Reuben, do peso e altura a mais que tem Idris quando comparado com aquele que tem sido um dos nossos melhores jogadores, Tengarrinha?
Veremos em Setúbal, mas eu gostava de ver o regresso da dupla. Com o português, se não a médio centro (recuando Gabriel), pelo menos a trinco (onde também já jogou esta temporada). Mesmo que se perdesse, na teoria, maior capacidade de proteção ao eixo da defesa.

No último terço, como disse acima, tem-me agradado alguma evolução que vimos mostrando. O excesso de jogo direto não é só culpa do trio da frente, como é óbvio. Brito, Zé Manuel, Leozinho e mesmo Quincy dão mostras que podem ser os desequilibradores que precisamos, juntando a Uchebo que, sem dúvida, poderá tornar-se num jogador útil, não só pela estampa física, poder no jogo aéreo e presença na área, mas também pelo que pode fazer quando descai para as alas. Mantendo Carvalho no onze e tendo Pouga recuperado, pode ser algo mesmo bastante positivo.



Em suma, é pegar e baralhar. Coisas positivas temos, negativas e a precisar de melhorias evidentes também. O tempo ajudou, ajuda sempre, mas, claro, há já algum tempo que está a ficar curto. As boas prestações nos jogos em casa, nas 'finais' que tínhamos que ganhar, as más dos adversários mais diretos, tem catapultado a equipa para uma classificação satisfatória, o que até só pode ter sido bom, em termos de estabilidade e confiança.

É horinha de, como diz Petit (há três meses, é certo, mas diz), ir buscar pontos fora de casa. E, digo eu, a oportunidade é de ouro, olhando para a classificação e calendário (o Setúbal é e vai ser do nosso 'campeonato', ao contrário do adversário seguinte na visita a Moreira de Cónegos). 


Força Boavista!


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Em Frente



Há uns tempos que não conseguíamos uma vitória tão folgada e uma superioridade tão evidente em relação ao adversário (aí desde a primeira fase do campeonato da época passada).
Fomos, acima de tudo, competentes e eficazes, com as devidas cautelas, não só no sistema de jogo, como também na rotatividade (que talvez em excesso nos tenha custado a eliminação na Taça).
Alterações no onze só na poupança de Zé Manuel e Tengarrinha, entrando Leo e Anderson (boas alterações, já que também eram os que mais perto demonstravam estar do onze). Sistema idêntico ao dos últimos jogos, com um trinco à frente da defesa e atrás de dois médios, mais soltos e ofensivos que o habitual (e cada vez mais o foram ao longo do jogo, graças ao resultado e superioridade numérica).

Apesar de não termos entrado melhor que o adversário, marcamos na nossa primeira jogada de perigo e não mais tivemos dificuldades em impôr o nosso jogo e controlar o do adversário. Perigo
na nossa área, só de bola parada (onde até fomos permissivos demais); no ataque, fomos eficazes e conseguimos tirar partido não só da nossa ala esquerda (aproveitando Julián e Brito), como
da subida a propósito da dupla do meio campo, Anderson e Reuben. Os dois primeiros golos são bons exemplos disso, ambos aparecendo em zona de finalização.
Na segunda parte e em superioridade numérica, deu para Petit dar minutos a Ancelmo e Diego Lima, jogando num outro sistema (sem trinco e com um médio ofensivo, sistema que quase nos é proibido em jogos da Primeira Liga...). Mantivemo-nos superiores, aproveitando o espaço na defensiva contrária.


Algumas notas:

A titularidade de Julián. Dá ideia que este jogo foi encarado para continuar a fazer evoluír o jogador como lateral, o que significa que Afonso perde até como opção para a rotatividade. Dias difíceis para aquele que foi apontado como uma das promessas que nos acompanha do CNS. E por falar em Dias, Beck não vai dando hipóteses.

Em bom plano Anderson, mostrando que pode ser opção e que poderá estar (ainda) mais perto da titularidade. Voltou a ser útil na circulação de bola, bom no passe mesmo no último terço, e capacidade para aparecer na frente a finalizar. Enorme vontade em desfazer as dúvidas acerca da intensidade do seu jogo, algo que conseguiu (mesmo exagerando nas faltas na primeira meia hora).

Reuben, digo o mesmo que na semana passada. Comparando com o último jogo: maior ritmo, mais entrosamento, melhor jogador e maior contributo à equipa. Veremos os próximos tempos, mas prometeu ainda mais.

Rara oportunidade para jogarmos com um médio ofensivo atrás do ponta de lança e sem grande exigência defensiva. Ancelmo voltou a ser primeira opção para aquela posição, Diego Lima jogou mais descaído sobre a direita. O primeiro voltou a desiludir-me, muito embora um ou outro bom pormenor (no passe ou na finta, como no penalty que sacou). Continua pouco intenso, pouco rápido com bola e lento a decidir o que fazer com ela. De Diego, tive pena que não jogasse ele no meio. Longe de deslumbrar e sem revelar um grande aumento de intensidade, mostrou boa visão de jogo no último terço, mais rápido e eficaz a decidir.
Léo vinha justificando a oportunidade. Bom jogo do brasileiro, mostrou que pode ser útil com o seu estilo 'fura-defesas', finta curta e bons pés. Pelo menos, que pode ser opção, já que o lugar
está bem estregue (e deu para ver isso neste desafio, quanto a mim) a Zé Manuel.
Nota para a dupla de centrais: três jogos, zero golos sofridos. Phillipe e Carlos Santos.


Vitória importante, já que cinco anos depois voltamos a vencer na Taça da Liga. É importante, mesmo não sendo a prioridade. Veremos na fase de grupos que duelos nos esperam. Ansiosamente,
esperamos nós por eles.
Pelo resultado e exibição, vem na melhor altura, olhando para as úteis duas semanas sem competição que temos pela frente (oportunidade-extra para continuarmos a nossa evolução). Tranquilidade e confiança para preparar os próximos desafios: Madeira, Sporting no Bessa e Setúbal. Venham eles.


Força Boavista!

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Carlos, és o Maior!



Vitória tão justa quanto sofrida, num jogo em que, à exceção dos primeiros 15 minutos, fomos sempre superiores, mais perigosos e os que mais procuramos os três pontos. É certo que algum do perigo chegou de bola parada (melhoramos tendo em conta os últimos desafios, principalmente nos livres), mas não fosse a inspiração do guarda redes adversário poderíamos ter chegado à vantagem muito mais cedo (e então explorando as costas da defesa contrária, como parecíamos aptos a faze-lo).
Em relação ao último jogo, só os centrais foram diferentes. Olhando para o trio de meio campo e à própria postura da equipa, Petit abordou o jogo privilegiando a consistência defensiva (em teoria, semelhante ao Restelo), deixando o ataque aos três habituais. No meio campo, Idris o médio mais recuado e posicional, Ruben e Tengarrinha mais adiantados e com mais responsabilidades na construção de jogo da equipa.

Primeiros quinze minutos os mais equilibrados (diria até fruto da nossa entrada de maior expetativa e mais cautelas), findo os quais conseguimos ter maior domínio e maior capacidade de luta, encostar por vezes o adversário, conseguindo jogar no seu meio campo e controlando as suas investidas.
Mantivemo-nos por cima durante a maior parte do tempo, apesar das maiores dificuldades depois da saída de Tengarrinha e enquanto não entrou Bobô. Com a linha de quatro avançados e dois médios, acrescidas dificuldades de ganhar segundas bolas, apesar de em parte disfarçadas pela boa entrada de Leo. Com Bobô, conseguimos ser mais perigosos, mais eficientes a criar perigo e a forçar desequilíbrios através do jogo direto. O golo é justíssimo, repito, por aquilo que fizemos e lutamos, pela superioridade que mostramos em relação ao adversário.  


A verdade é que nos sentimos confortáveis: jogo afastado da nossa grande área, proteção na zona central e, dado o posicionamento do meio campo, reduzindo as hipóteses de nos desequilibrarmos. Mesmo que isso se ressinta em termos ofensivos, será a melhor forma de sermos mais competitivos por agora (pelo menos com adversários mais ou menos deste calibre).
Ruben e Tengarrinha cumprem na circulação de bola e fazem o que podem para tentar arranjar espaços no último terço (o golo surge de um centro na ala do nigeriano) nas vezes que conseguem aí chegar, mas revelam-se muitas vezes curtos nesse aspeto quanto têm também de preencher os espaços e procurar ser eficientes na recuperação de bola. A eles, juntam-se algumas investidas (e contidas) dos laterais, quer por Beckeles, quer por Julián. No resto, preferência total pelo jogo direto, tentando aproveitar as caraterísticas dos jogadores da frente, apesar de sentirmos dificuldades acrescidas dado o tal pouco apoio do meio campo (e natural, dado o passe longo e rápido).
Uchebo é por vezes útil nessas situações (e não só no meio, tem a virtude de descaír bem para as alas), Zé Manuel também consegue tirar partido da sua força e dar sequência em alguns lances. Junte-se Brito e alguns desequilíbrios conseguidos pelas suas arrancadas, e temos o nosso jogo ofensivo. Pouco agradável à vista, provavelmente ainda curto para a maioria dos jogos que se avizinham, mas mais que suficiente no jogo de ontem.


Algumas notas:

Beckeles agarrou em definitivo o lugar. Mais uma boa exibição, apesar da jogada de maior perigo do adversário ter nascido na zona dele. Comparando com Dias, neste momento traz mais segurança e robustez à lateral direita.
Continuo a não concordar com a não entrada de Afonso, apesar de Julián não estar disposto a dar-me razão. Apesar do opositor rápido e de algumas dificuldades iniciais, conseguiu cumprir bem na maioria dos lances.

Gostei do Rúben, pode ser muito útil no nosso meio campo. Já tinha gostado na semana passada, pareceu mais entrosado e melhor no jogo da equipa. Veremos os próximos tempos, mas promete (o que até pode não ser bom, o último que prometeu assim foi Carvalho).

Ao contrário do jogo no Restelo, levamos um ponta de lança para o banco e em boa altura o fizemos. Bobô foi-nos útil no jogo aéreo e direto, e graças à garra que imprime em cada lance ainda conseguiu algumas recuperações forçando o alívio do adversário. Ele e Leo (que voltou a entrar bem), mexeram e bem com o jogo.

Carlos Santos a garantir-nos os três pontos, quem diria? Já o disse e não o escondo: acho-o lento para a primeira Liga, apesar de reconhecer a sua evolução: no posicionamento e sobretudo na abordagem que faz aos lances, expondo-se menos às situações em que se torna mais vulnerável. Esteve bem neste jogo, justo prémio o golo da vitória (e no segundo jogo a titular, zero golos sofridos...). 



Em suma, vitória fundamental que nos permite respirar um pouco melhor e preparar, pelo menos com mais tranquilidade, os próximos desafios. E, quem sabe, começar a poder jogar um futebol mais apoiado, acompanhado da consistência defensiva que tanta falta nos tem feito.

Vem aí o Oriental, jogo para ganhar e, espero eu, jogo que contribua para o tal entrosamento que nos faz falta.


Força Boavista!

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Venham Eles: Penafiel


Será um dos jogos mais importantes dos últimos tempos, podendo até vir a ser um dos mais marcantes da presente temporada, daqueles que terão que ser encarados como verdadeiras finais, não só pelos jogadores mas também por nós, adeptos.

E o grau de exigência é altíssimo. Todos sabemos das condicionantes (que fazem questão de nos relembrar, semana após semana), das enormes dificuldades em construir uma equipa competitiva, mas chegou o momento em que errar é quase proibido. Nos últimos cinco jogos, quatro derrotas, um empate, 4/13 em golos marcados/sofridos (sendo que dois desses jogos tiveram como adversários equipas de escalão inferior), fazem com que este desafio seja encarado como decisivo para percebermos se o futuro poderá ser risonho ou não. Exagero? Não creio. Principalmente se continuarmos a mostrar as fragilidades que temos evidenciado nos últimos tempos.


Nota para a nova política do Clube no que toca à comunicação. Esta semana tivemos a informação acerca do estado clínico de alguns atletas, aqueles que se encontram lesionados. Deu para confirmar que Afonso e A. Carvalho estão aptos (pelo menos não lesionados), veremos se serão opção para o jogo de domingo. Tengarrinha e Carvalho formaram uma boa dupla de meio campo, e a intenção, ao que parece, de Petit, é jogar com um trinco atrás de dois médios mais soltos: foi assim contra o Paços (nos primeiros 30 minutos, Gouveia) e em Belém (Idris). Veremos se é para continuar nessa aposta e se Rúben (que deu boas indicações no jogo de estreia) será o tal trinco ou fará parte da dupla mais à frente. Estará relacionado com o risco que Petit colocará na abordagem ao desafio, se com maior iniciativa, maiores riscos (o jogo quase a isso obriga, dado o adversário direto e o facto de ser no Bessa), ou ,por outro lado, mais comedidos dando preferência a uma maior consistência defensiva e de expetativa.
Curiosidade também para percebermos se Sampaio e Ervões serão incompatíveis para Petit, se Afonso continuará a ser preterido a favor de um extremo adaptado e se Beckeles ganhou em definitivo o lugar de lateral direito, depois de uma exibição positiva no Restelo.
No ataque, faz sentido continuar com o tridente Brito/Ze Manuel/Uchebo, se bem que alguma alteração não será de estranhar.


Resumindo, uma enorme interrogação. Não só acerca do onze, como daquilo que a equipa será capaz de produzir.
Exige-se empenho como até aqui mas... mais acerto. Será fundamental. E todo o apoio das bancadas claro, quanto a isso estou mais confiante ainda (mas nada de exageros que a paciência - ainda para mais no Bessa - já não é a mesma).


Força Boavista!



terça-feira, 4 de novembro de 2014

Derrota. Terceira. Seguida. Calma. Foi Eficácia. Tiros. E Jogadores Novos.



O discurso politicamente correto. Lúcido, talvez:

Eficácia? Correto. No passe, no posicionamento, no remate, em quase tudo. Falta de eficácia nas acções, coletivas e individuais. Facto. Três ataques perigosos do adversário, três golos. Primeiro remate que não dá golo aos 37 minutos...
A nós, duas situações de golo oferecidas (sim, as duas melhores oportunidades na primeira parte são passes dos jogadores azuis), marcamos um. Zé Manuel tem uma grande arrancada, faltou alguém meter o pé e encostar. Mais uma quantidade de bolas paradas que de aproveitamento foi zero, num aspeto em que regredimos imenso nos últimos desafios.
Mas admito, na primeira parte, a espaços, deu ideia de algum discernimento, algum sentido prático no jogo, vontade e confiança em alterar o rumo.

Segunda parte, adivinhava-se a postura do adversário, na expetativa de explorar o contra ataque e as nossas costas, mais balanceados para o ataque à procura do golo que nos recolocasse na disputa dos pontos. Brito a passe soberbo de Tengarrinha, jogada de Leo cruzamento sem emenda, livre do mesmo e mais umas quantas bolas paradas para o teto.



O pior é o que não produzimos. Defensivamente pagamos caro pelo facto de sermos tão macios e tão pouco eficazes a cobrir os espaços, a compensar a pressão que se faz ao portador da bola. Também foi assim no primeiro e terceiro golos, ambas as jogadas com os centrais a dobrarem nas laterais e enormes lacunas e passividade no eixo central. No segundo golo, tudo explicado quando se ultrapassa três defensores com aquela facilidade, no tal espaço central em frente à defesa onde temos apresentado imensas dificuldades nos últimos jogos.
No ataque, é o jogo direto que impera. Exceção para a lucidez de Tengarrinha, a técnica de Brito e a força de Zé Manuel a conseguirem alguns desequilíbrios. Melhoramos, aqui e ali, numa ou noutra transição bem conseguida, em raras boas receções de Uchebo, falhando invariavelmente no último passe (por vezes, no último passe para o último passe...). Bolas paradas, again, e à exceção do perigo no livre direto de Leo, todas não aproveitadas.

Nota positiva para Beckeles, a jogar na lateral pela primeira vez como titular. Quanto ao atestado de incompetência passado ao Afonso, sinceramente ainda estou para perceber (salvo se estiver lesionado) o que ganhamos com o argentino que não o consigamos com o português.


Tremenda desilusão, admito. E sim, já jogamos com os primeiros oito classificados, e quando os adversários estavam ao alcance, vencemos. Já evoluímos e mostramos coisas positivas, como aqui foi falado nos posts sobre os jogos, mesmo naqueles que perdemos. Não esquecendo a cereja do Dragão, volto a dizer que o que me preocupa mesmo é o que não produzimos. E sim, sim e sim, sei que a equipa ainda se está a entrosar, que ao terceiro mês de competição ainda estreamos vários jogadores, que a defesa, o meio campo e o ataque ainda tem elementos em busca da melhor forma e outros lesionados.

Mas é preocupante o caralho de futebol que praticamos e a consistência que, definitivamente, não conseguimos ter (e alterando os centrais, as laterais, o meio campo).
Por mim, que meti a cabeça no cêpo pelo Petit, acho que o próximo jogo é fundamental para o futuro. E para percebermos se temos futuro.

 


Siga. É para rebentar o Penafiel. Ganhar ou ganhar, jogar bem ou jogar bem.


Força Boavista!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Breve Reflexão



Estamos no momento mais conturbado destes primeiros três meses de temporada. Como equipa, e disse-o aqui várias vezes, fomos evoluindo de forma muito positiva, facto que nos valeu os sete pontos conquistados e quatro posições acima da linha de água. Chegamos a uma fase em que precisamos de nos tornar competitivos, consistentes, de acertar em definitivo com o onze.
Vem aí, parece-me, duas jornadas decisivas para o futuro da equipa. A direção fez questão de mostrar a confiança no técnico, fazendo fé nas notícias dos últimos dias e olhando ao esforço extra no que toca a conseguir apetrechar melhor o plantel.


Começando pela baliza, Mika agarrou naturalmente a titularidade. Longe de ser brilhante, culpado em alguns golos (na Taça não esteve nada bem), já evitou diversas vezes que a nossa baliza fosse alvejada com sucesso, sendo decisivo em alguns pontos conquistados. Está confiante, dentro e fora dos postes, e tenho para mim que ainda vai a evoluir mais (Alfredo rules).

Na defesa, e contra as minhas expetativas iniciais, começam as nossas dificuldades. Pagamos caro a inexperiência a este nível dos nossos dois centrais com mais minutos - Lucas e Sampaio -, para lá da ausência daquele que à partida seria um dos titulares, Ervões. Já por culpa própria, as opções ficam-se por estes três. Carlos Santos tem imensas dificuldades, apesar da boa evolução, neste patamar de competição, por motivos que me parecem claros.
Lucas, rápido e forte no jogo aéreo, é lento - excessivamente lento - quando é preciso manobrar no espaço curto, a rodar e a atrapalhar o oponente quando este já tem o controlo da bola. Sampaio, embora alguns jogos menos bons, tem sido quanto a mim uma das boas surpresas. Faz da antecipação a sua grande arma, terá pormenores a melhorar, mas mostra, jogo após jogo, que está aí para se tornar num bom central com a nossa camisola.
Alterarmos a dupla de centrais é algo que também não abona em nosso favor. 

Nas laterais, não deixamos de ter problemas, apesar de estar aí uma das nossas principais contratações, Correia. Vai cumprindo a defender - apesar de dificuldades no posicionamento, o que já nos valeu alguns dissabores - é a atacar que se destaca, assim como nas bolas paradas. Dias, um dos mais experientes que temos, é um pouco o oposto do brasileiro. Tem cumprido a defender em alguns jogos, noutros nem tanto, pior quanto tem pela frente algum extremo mais rápido, em que se torna permissivo demais. No ataque, está longe de poder desequilibrar como o brasileiro.
Afonso, para a esquerda, será talvez o nosso melhor suplente (apesar da exibição apagada nas Aves...). Para a direita, parece que finalmente vamos ter outra opção.


No meio campo, temos o jogador em melhor forma, Tengarrinha. Como médio mais recuado ou a '8', tem sido muito útil, tanto defensivamente como na (pouca) boa circulação de bola que conseguimos fazer. Tambem erra (em Guimarães, por exemplo), mas é dos mais lúcidos com a bola e dos que melhor interpreta o momento defensivo (quer a fazer pressão ao adversário, quer a recuar para perto dos centrais). Anderson, custou um pouco para aquecer os motores, mas já apareceu em muito bom plano. Foi uma surpresa a sua substituição no último desafio, pois é um jogador que pode emprestar algumas boas soluções de passe ao nosso meio campo. Melhorou imenso na intensidade, parece só ter a ganhar quando puder ter mais liberdade para melhor demonstrar o seu jogo.
O jogo das Aves, para além da eliminação da Taça, trouxe-nos outro dado: a evidência da escassez de opções. Idris, o qual elogiei aqui no início da época, é pouco mais que poder de destruição no meio campo defensivo. Mesmo nesse aspeto, paga caro o mau posicionamento que teima em não corrigir. Cid, vai mostrando as imensas dificuldades em competir a um nível mais elevado e bem mais exigente que o terceiro escalão. A intensidade e velocidade do seu jogo revela-se insuficiente, com bola denota as mesmas dificuldades de sempre.
Estranho o facto de Beckeles não fazer parte da equação do meio campo mais vezes. Quando aí jogou (mesmo a médio direito, excetuando o jogo ante a Académica) fê-lo bem, ajudando à consistência da equipa. Quando não jogou, tivemos problemas (ex., Vila do Conde, Aves, Paços). 
Dos médios ofensivos, pouco haverá a dizer. Os dois (Lima e Ancelmo) já mostraram boa técnica, ambos pouco produtivos no momento defensivo. Talvez por isso, sejam carta fora do baralho para o onze, nos próximos tempos. Não temos (teremos?) condições para jogar com um dez puro como ambos parecem ser.
A contratação recente pode ajudar, não só no meio campo, pois poderá libertar Beckeles (tornando-se opção da lateral direita). Sendo trinco, Tengarrinha e Anderson poderão afirmar-se como a dupla no miolo, mais libertos de tarefas (exclusivamente) defensivas.


No ataque, também pagamos caro a inexperiência neste escalão. Falta de experiência, falta de qualidade e velocidade, há que o dizer. Bobô e Julián são voluntariosos, cumpridores na hora de defender, mas são curtos quando é preciso algo mais para desequilibrar as defesas contrárias. Dos que nos acompanharam do CNS, tem sido Zé Manuel o que melhores prestações tem conseguido. Vai evoluindo, esperamos que continue nessa linha. Yoro e Léo, tem entrado aos poucos, veremos se conseguem tornar-se melhores opções. Boa entrada do brasileiro neste último desafio.
Quincy e Uchebo podem realmente tornar-se muito úteis, simplesmente porque tem qualidade. Quincy tem um ritmo preocupantemente lento, é verdade, mas veremos como Petit consegue extraír o máximo das suas capacidades, que as tem. Técnica acima da média, boa visão de jogo, eficaz e rápido no passe. O nigeriano mostrou qualidades na sua estreia, mesmo com pouco entrosamento. Forte no jogo aéreo, recebe e roda bem, não é jogador de se fixar na área como referência, algo que poderá ser de grande utilidade quando estiver melhor incorporado na equipa. 



A equipa é nova, os jogadores também, a experiência não abunda. Arriscado, muito arriscado, já todos sabíamos que seria. Resta responder dentro do campo, não só nos resultados como nas exibições. Veremos o que nos traz os próximos dois jogos, quanto a mim decisivos para percebermos melhor o que poderemos fazer no futuro.


Força Boavista!

domingo, 26 de outubro de 2014

Mau. Péssimo



Adivinhava-se um jogo difícil, não só pelo adversário mas também pela pressão acrescida sobre os nossos ombros, resultado das últimas prestações. O estado de graça terminou, o apoio existe mas não é incondicional, como é óbvio. É a fase em que a equipa e os jogadores também têm que puxar pelos adeptos. Cedo se viu o quão complicado seria evitar a derrota, cedo percebemos que ia ser mais na força e no coração, que propriamente pela maturidade ou qualidade.


Entramos razoavelmente bem, a pressionar, ganhando luta no meio campo e a conseguirmos alguma boa posse de bola com boas combinações nas alas, talvez a nossa melhor fase no jogo. Mas cedo se viu das dificuldades, não só pela incapacidade em chegar com perigo ao último terço mas sobretudo a segurar a forte transição ofensiva do adversário. É certo que o golo é a primeira chegada com perigo do Paços à nossa baliza, mas não o primeiro lance perigoso nem a primeira ameaça após roubo de bola aos nossos médios. Voltamos a errar em demasia no meio campo, já de si descompensado e expondo, para não variar e quase fatalmente, o eixo da defesa, apesar da intenção contrária de Petit. A entrada surpresa de Gouveia pode ser explicada por aí, na tentativa de proteção à zona central, libertando mais Tengarrinha e Anderson para, além de pressionarem mais alto, poderem desequilibrar no passe mais à frente. O problema é que se abdicou demasiado cedo dessa intenção e, quanto a mim, da pior maneira, desfazendo aquela que será a melhor dupla que poderemos apresentar no meio campo. Passamos por enormes dificuldades, mesmo com mais uma solução ofensiva, mas sem apoio de retaguarda nem consistência para podermos pegar no jogo e tentar encostar o adversário. Muito menos com alguma sequência à solução mais vezes encontrada, o futebol direto. Continuamos permissivos, sem fluidez na posse, cada vez mais os jogadores a denotarem pouca confiança não só neles mas no próprio sistema e nas soluções que não oferece. A agravar, o receio do erro cada vez mais evidente, não só no passe mas sobretudo no posicionamento de cada um, na linha de passe que não surge, nas opções de ataque que não aparecem no lugar e hora certos.
Não tombamos mais cedo no jogo graças a Mika e à ineficácia alheia (um Paços que, apesar de ter qualidade, esteve a milhas no jogo de ontem), e ainda tivemos um último respiro, um pequeno assalto de confiança e fé que quase nos dava um imerecido mas bem vindo empate.  


Algumas notas:

Nem seria preciso a sua boa entrada no desafio (apesar do segundo golo surgir por ali...), mas custa perceber como Beckeles não calça mais vezes. Ainda mais num meio campo a três, como foi apresentado por Petit, dando-se preferência à inexperiência de Gouveia (estreia na Primeira Liga e em jogos oficiais este temporada). Até acho que o jovem tem valor e teve uma atuação positiva, enquanto teve forças e embora com dificuldades (como outro qualquer teria, na forma como estava aquele meio campo), mas, ainda assim, custa explicar a ausência de Beckeles.

A outra surpresa foi Julián, na lateral esquerda. Fico na dúvida se Afonso está mal fisicamente ou se foi mesmo opção. Verdade que não foi (só) por ali que tivemos problemas, nem o extremo foi demasiado permissivo quando comparado com o lateral de raíz do lado contrário. Mas é uma pena estas situações (o afastamento de Correia...) não servirem para se dar mais minutos e experiência àquele que é um dos nossos melhores valores, Afonso.

Zé Manuel, Brito. Na linha do que tem mostrado, apesar de poucos momentos de desequilíbrios. Zé Manuel mais vítima do sistema (pareceu perdido no meio do ataque e nas solicitações que foi alvo), Brito a tentar inverter no meio da inferioridade numérica perante o adversário.

Porque nem tudo foi mau, gostei do Uchebo. Pouco entrosado é certo, ainda com decisões demasiado individualistas, mas mostrou que pode ser uma excelente opção. Além de homem área (pela estatura e posicionamento nas bolas aéreas), descai para as alas e safa-se no um para um, mesmo na finta desengonçada.
Tengarrinha, de novo. O melhor, de longe. Um ou outro erro ou mau passe, mas muita clarividência, vontade, concentração. Admito mais uma vez, para mim uma enorme surpresa a qualidade que apresenta no seu jogo. Lance que descreve um pouco a nossa atuação e a dele próprio: minuto tal, Tenga recupera no meio campo, desamarca-se para receber mais à frente na ala, vai à linha e cruza, mesmo sabendo que nenhum companheiro de equipa estava a menos de quinze metros dele e todos longe da área. E resigna-se, estarrecido no chão...
Ainda no lado positivo, Quincy mostrou o mesmo da semana passada e eu também digo o mesmo. Pés tem ele, falta saber como vai ser do ritmo e como Petit conseguirá tirar o melhor partido das suas qualidades. Ontem está no golo e em mais um par de jogadas perigosas.  
Leozinho também foi uma (pequena) agradável surpresa, apesar dos poucos minutos e de uma ou outra má decisão. Fura bem, não tem medo de enfrentar o adversário, veremos como cresce nos próximos tempos.


Preocupa, sobretudo, o desnorte que parece evidente quando se vê a equipa a abordar o desafio, a jogar e a ter a iniciativa, a encarar as dificuldades e a reagir a elas. Estamos no momento em que é mesmo preciso apresentar não só resultados, mas algo mais que atitude (e muitas vezes beliscada não pela falta de vontade mas sim pela falta de confiança, receio e descrença).
Temos três bons médios para formar um meio campo que não formamos, temos avançados ainda à procura do melhor ritmo, temos defesas indisponíveis e que nos fazem falta. Temos algumas coisas boas, mas por um motivo ou outro, uns compreensíveis outros mais difíceis de perceber, tardamos em acertar agulhas.



Na classificação, os danos podem até nem ser muitos. Dois que estão abaixo de nós já perderam, outros dois defrontam-se, portanto a queda poderá ser de um ou dois lugares. Restelo na próxima segunda feira, seguido de uma final com o Penafiel. Mais um jogo sobre brasas e mais um desafio para a equipa mostrar o que tem faltado. 



Força Boavista!