À terceira jornada o primeiro desaire da temporada, por números que igualam as nossas mais pesadas derrotas desde o regresso à Primeira.
A 'almofada' de 4 pontos e a boa prestação na semana passada no Bessa talvez tenham pesado na abordagem de Petit ao desafio: apesar do jogo fora contra um adversário com outros objetivos, manteve-se a estrutura com que vencemos o Tondela. À linha de quatro defesas, juntou-se dois médios de cobertura (Reuben, Tenga) atrás do terceiro (Carvalho), mantendo-se a aposta na velocidade dos três da frente. Como aqui discutimos na antevisão, de acordo com a forma como nos apresentamos, fruto da nossa evolução e, claro, dos sinais positivos que mostramos nas duas primeiras rondas com este mesmo sistema e mentalidade, apesar do evidente risco maior.
Percebeu-se a intenção, assim como deu para ver algumas das lacunas mais evidentes e preocupantes da equipa, contra um adversário que as soube aproveitar e com argumentos para tal.
Numa breve análise, dividamos o desafio em três partes.
Primeiros minutos, até ao primeiro golo. Aguentamos a previsível forte entrada do adversário, sem recuar linhas em demasia e com meio campo e alas bem posicionadas e atentas às movimentações contrárias. Perda de bola em saída para o contra ataque, resulta no desequilíbrio defensivo originando o primeiro golo da partida, numa altura em que podíamos começar a jogar com a intranquilidade do adversário (vinda também das bancadas).
A reação, até ao segundo golo. Acusamos mas reagimos, com a baliza do adversário no horizonte. Conseguimos esticar um pouco o nosso jogo, controlar as investidas contrárias ainda longe da nossa baliza e, mesmo abusando de algum jogo direto, chegamos perto da área contrária por várias vezes, algumas delas com perigo. Um fora de jogo mal tirado a Uchebo, má definição no último terço na maioria das jogadas ofensivas e uma boa oportunidade pelo mesmo jogador, já na segunda parte, foi o melhor conseguimos.
O descalabro, a última meia hora. Morremos para o jogo na bola parada que origina o segundo golo, incapazes de impôr algum domínio no meio campo e de controlar os rápidos ataques e boa circulação do adversário. Animicamente (e fisicamente?) caímos para patamares demasiado baixos, resultando em mais dois golos e outros tantos desperdiçados. Reequilibramos com a entrada de Idris, mais preocupados em minimizar os danos da derrota do que propriamente em tentar tirar algo mais do desafio.
Vamos às notas:
+ Luisinho novamente em bom plano, foi do lado esquerdo que criámos as melhores chances para criar perigo, mesmo que, num ou noutro lance, a opção não tenha sido a melhor.
+ Foi o teste mais duro para Inkoom desde que cá chegou, mais exigente no aspeto defensivo, precisamente onde suscitem mais dúvidas sobre o seu valor. Apesar de repartir culpas no primeiro golo, esteve bem nesse aspeto no restante tempo de jogo, fazendo uso da velocidade que tem para impedir males maiores pelo seu flanco. Com bola, foi o que mais se precipitou pelo passe em profundidade, também pelo 'convite' de ter Uchebo em campo (mal um pouco extensível ao resto da equipa).
+- Reuben, Tenga, Carvalho. Melhores os dois primeiros, na sua principal função nesta partida: suster e controlar os dois médios e alas contrários, proteger a defensiva ainda longe da nossa área. Razoáveis enquanto houve forças e discernimento, também foi dali que teve origem o colapso pós segundo golo.
Nota negativa para Carvalho, apesar da missão ingrata. Ordem principal para impedir os centrais e medios adversários de saír a jogar, foi com bola que teve mais dificuldades, lento a reagir com o pouco tempo que sempre dispunha quando tinha condições de dar melhor seguimento às jogadas.
- Erramos em demasia e em momentos proibidos. Ao contrário dos dois primeiros desafios, estivemos mal nas bolas paradas defensivas, optando por uma marcação unicamente à zona (e pouco melhores nas ofensivas). Mesmo avisados depois do primeiro canto perigoso, voltamos a falhar poucos minutos depois, guarda redes incluído. Inexperiência e desconcentração, claro, a custarem bem caro.
+ Presença espetacular dos Adeptos. Boavista é isto. Não somos de 'levantar a cabeça' porque nunca a baixamos. Connosco não há quases, há a certeza de jamais abandonar e apoiar o Símbolo.
Todos juntos na reacção. Duas semanas para preparar Paços, dia 20 no Bessa.








