segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Vamos a Eles - Tondela


A outra finalíssima, jogo de vida ou quase-morte.
Vencendo entramos nos lote de primeiras  equipas a fugir ao lugar de despromoção e damos um valente empurrão ao adversário. E só mesmo a vitória interessa, o empate será um [pouco menos] péssimo resultado.

Curiosidade para ver a abordagem de Sanchez ao desafio, mesmo sendo provável poucas alterações. Na estrutura devem manter-se os dois médios defensivos, atrás de Rúben Ribeiro (ou será um regresso do losango?). No onze, talvez dúvida sobre o avançado  (Iriberri, Zé, Uchebo ou Uche) e do regresso ou não de Afonso.

De resto, a receita é simples e é a mesma do último desafio: atitude e intensidade no campo, mini-Bessa fora dele. Apoiar sempre, de início ao fim.

Força Boavista!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Venham Eles: Vitória de Setúbal



Chegamos ao ponto sem retorno. A distância para os dois clubes mais próximos é grande (7 pontos), para os restantes é já um enorme fosso (10), o que resulta numa margem de erro nula.
Das 17 partidas que faltam, não há volta a dar: algumas são finais, outras finalíssimas. Os próximos dois encontros enquadram-se neste último lote. Ganhar, dê por onde der.

Para hoje, só um objetivo: dar sequência àquela reação positiva no jogo da Taça.
Na mentalidade e atitude da Equipa, e nas bancadas, voltando a fazer do Bessa a Fortaleza. Só isso. E os difíceis três pontos serão nossos.

Os regressos de Vinicius, Afonso e Luisinho são boas notícias, veremos como Sanchez aborda o desafio.

Todos ao Bessa. Força Boavista!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Mas o que é isto?



This is Boavista! E com todo o orgulho do mundo. Não há milhões nem ajudas, há dificuldades e condicionantes, sobra alma, raça, união.
É assim, é isto que nos faz diferentes, é com estes argumentos que iremos à luta para a vencer. E venceremos.

Mais que tudo, pedia-se sinais. Pedia-se algo que nos fizesse acreditar em nós próprios, que nos unisse como nunca. A resposta foi, a todos os níveis, exemplar. No campo e na bancada, na atitude e na crença, na postura e confiança. É um facto que perdemos por culpa própria, que não soubemos traduzir a [surpreendente] superioridade em muitos momentos do jogo, que erramos mais que o permitido quando se defronta uma equipa forte como esta, mas fizemos um bom jogo, dos melhores dos últimos tempos.


Algumas notas:

- Unidos. Antes, durante e depois. Pode significar nada, pode ser muito, um indicador que todos perceberam a importância deste momento na vida do Clube e até nas carreiras de cada um.
É normal as equipas unirem-se antes do desafio, naquele típico grito de união dos jogadores. Quarta feira foi diferente. O 'grito' foi dado junto ao banco de suplentes, com os titulares, suplentes, treinadores e dirigentes. Juntos. E aposto que com um pouco da Alma de cada um de nós, Adeptos, lá no meio.
Durante o desafio viu-se uma equipa aguerrida e solidária, a reagir às adversidades. No final, depois de toda aquela emoção, a primeira reação de alguns dos nossos foi a de confortar o nosso 'miúdo'. Em correria. Mais importante que a amarga derrota, estava em causa recuperar o jovem após o momento infeliz.

- Pelo menos, já deu para perceber que o nosso Sanchez não é teimoso. E isso é bom. Mudamos na abordagem ao desafio, resultando numa equipa mais compacta, mais apta a pressionar e mais de acordo com aquilo que o jogo pedia. Mesmo mantendo o 442, Sanchez pela primeira vez mudou a estrutura, passando de um losango no meio campo para uma linha de quatro e, mais importante,
todos souberam pôr em prática aquilo que estava no papel. Funções exigentes para cada um dos jogadores, quer por não estarem nas posições de origem, quer pela exigência do próprio desafio. Mostramos, pela primeira vez desde há pouco mais de um mês, alguma evolução, defensiva e, principalmente, ofensivamente.

- Demoramos mais de meio ano para percebermos que a posição mais em falta no plantel era a de um médio criativo, mais responsável pelo momento ofensivo, que saiba dar alguma sequência à posse de bola no último terço. Que organize um pouco o nosso jogo, capaz de temporizar e circular. Parece coisa pequena, mas tem uma influência brutal no comportamento global da Equipa.

- Individualmente, destaque para Rúben Ribeiro. Para quem vem de meio ano sem competir, abriu o apetite para o que aí vem. Técnica e inteligência de jogo não lhe falta, veremos o resto.
Renato já tinha entrado bem no jogo para o campeonato, quarta confirmou a subida de forma. Muito mais intenso na disputa de bola (a posição assim exigia), melhor no posicionamento, mais confiante quando parte para cima dos adversários. Dar-nos-á um jeitaço um Renato assim.
Muitas vezes mal amado e injustiçado por nós próprios, mesmo sendo um dos capitães. Bom jogo do Idris, naquilo que ele é realmente útil: muito bom nas segundas bolas, nos desarmes e na luta a meio campo, importante a proteger a dupla de centrais. Também Gabriel em bom plano.


Em grande a Fortaleza. Tenho a certeza que vamos continuar assim, a apoiar os nossos rapazes de início ao fim, a infernizar a vida aos adversários, a sermos decisivos na conquista de pontos.
Quatro dias para a primeira de uma série de finalíssimas. A exibição e esta subida de moral só faz sentido se dermos sequência ante o Setúbal. 'Tamos juntos para a luta.


Força Boavista!


PS.: Os mimados do mercado. Absolutamente ridícula a forma como analisam e reagiram o jogo, nas declarações dos responsáveis, nos blogosfera azul, até na sua própria revista cor de rosa. Ainda incrédulos por serem encostados às cordas por uma equipa de tostões mas com uma alma de milhões e por sentirem tremido o apuramento para as meias que, para a esmagadora maioria, era um facto consumado. A culpa é do árbitro. Realmente, comparando com a restante 'elite', só muda a côr. O cheiro é o mesmo.
E esqueçam lá os chamados tiques de equipa pequena ou anti desportiva. Amarelos por perda de tempo, jogador a reentrar para o meio do campo só para a assistência e substituição, etc. Longe de imaginarem que tal seria preciso.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Venham Eles: Derby II


Duas breves notas sobre o grande jogo de logo:

A Fortaleza tem, obrigatoriamente, que voltar a ser o que já foi num passado recente. Mesmo com o orgulho ferido, é o Símbolo que precisa de nós, mais que nunca. E precisará nos próximos tempos. 

Não se deve exigir a vitória, vingança da goleada ou um jogo épico da nossa parte.
Queremos acreditar que é possível, queremos sentir que todos puxamos para o mesmo lado. Que estamos e estaremos juntos para enfrentar as dificuldades que se avizinham!


 Carta de um associado aos Boavisteiros, vale a pena a leitura e respetiva reflexão:



Força Boavista!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Os Protestos e as Dispensas


foto do derby de domingo.

Não gosto de todo e qualquer protesto (organizado e pré concebido) que coloque em causa o apoio ao Símbolo durante um desafio. Fere a Alma, revolta, entristece. Mas há momentos em que tal é aconselhável e legítimo, como é o caso. E vindo de quem vem, essa legitimidade merece ser ainda mais vincada.

O grupo de trabalho, mais que falta de vontade, atitude ou querer, dá sinais de instabilidade. De descrença, neles próprios e no que os rodeia. De medo, de gritante falta de confiança. E isso, no ponto em que estamos, mais que do(s) treinador(es), é responsabilidade do departamento de futebol. Portanto, à partida, e olhando também à balbúrdia que reina à volta do plantel, com entradas e saídas, dispensas, repescagens e castigos, lesões e aptidões, discursos e silêncios despropositados, o destino dos protestos deveria ser outro. A não ser que o alvo da nossa Claque não tenha sido, em exclusivo, os jogadores.

 foto de arquivo 

O próprio Clube reconhece que algo não está bem, quando recentemente anunciou uma "profunda remodelação" na SAD. E percebe-se isso, mesmo no cimo da hierarquia, quando constatamos que nem com um microfone à frente se consegue fazer algo de realmente positivo. Falta saber se é mesmo para melhorar ou não passa de mais uma operação de cosmética.


Rúben Ribeiro, que já passou pela nossa formação.

Cinco saídas oficializadas nos últimos dias: Diego Lima, Leozinho, Rivaldinho e Pouga dispensados, Inkoom transferido. Com alguns meses de atraso, concluiu-se que o plantel é desequilibrado, precisa de reforço e que a pouca utilização de alguns é, afinal, condizente com a sua qualidade ou pouca competitividade.
Do trio brasileiro, Lima foi o que teve mais chances para agarrar o lugar (no final da época passada e nos primeiros dez! desafios da presente). Não o conseguiu porque não foi capaz, não teve qualidade e intensidade para tal, mesmo sem concorrência ao lugar (Ancelmo foi primeiramente dispensado, convém relembrar; e neste caso sim, dispensa 'técnica', sem dúvidas) .
Léo parece bom rapaz, assim como possuir bons pés. Não chega. Sempre inconstante, o problema pareceu mais mental que físico, técnico ou tático. Não deu mais.
Pouga, cedo se percebeu a razão da pouca produção e escassa utilização. Demasiado estático e posicional, lento e pouco útil no jogo da equipa.
Rivaldinho é uma daquelas apostas... primeira experiência na Europa, demasiada mediatização para a qualidade que mostrou. Oportunidades foram poucas, mas teve-as. Em nenhuma ocasião mostrou que poderia ser útil ou sequer com capacidade para evoluir rapidamente, como precisamos.
Inkoom foi a única transferência. Sempre revelou dificuldades a defender, o que para um lateral não é nada positivo. Não passou das boas indicações na pré-temporada, nunca conseguindo estabilizar o seu jogo tornando-se minimamente consistente. Ainda perdemos uns pontitos graças à sua aparente... descontração. Pareceu com mais queda para as passerelles que para os relvados.
E ficou-se por aqui porque é tarde e o mercado de janeiro só permite cinco alterações (provavelmente nem teríamos capacidade para mais...).

De entradas, duas para já, faltarão três: Rúben Ribeiro, o Quaresma dos pobres (tecnica e mentalmente...), e Imagol, avançado argentino de 28 anos, que fará a sua estreia em campeonatos europeus. Haja fé.

Tarde, muito tarde, mas é acreditar que seja isto o que precisamos. Não é fácil...


Força Boavista!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

5 Chapadas




De rastos. Humilhados pelo resultado e pelo gozo face-to-face dos nossos vizinhos. Revoltados com o estado da nossa Equipa. Envergonhados pelas declarações dos responsáveis máximos, numa tentativa de minimização da derrota (e da culpa também). O que nos ocorre: poderemos ficar, mantendo este ritmo e de alguma forma, ainda piores? Será possível?

Já estamos a seis da linha de água, com o lanterna à distância de dois pontos. Igualamos a nossa pior série de sempre, em jogos da Primeira divisão: jogos sem vencer são 13, 4 derrotas consecutivas, 8 nos últimos 9 jogos, média de três golos sofridos nos últimos 5 desafios. Verdade, estamos quase a tornar-nos no pior Boavista da História.
Não falaremos já das duas finalíssimas que nos esperam (antes das outras...) no início da segunda volta, mas serão certamente dos jogos mais importantes de à 112 anos a esta parte.


Duvido que houvesse um único Boavisteiro otimista para este Derby, ou melhor, conscientemente otimista, já que força, vontade e muita 'fé'zada de bater nos rivais jamais nos faltará.
Fomos atropelados pelo Moreirense há uma semana (e com mais argumentos), fizemos tudo (e aconteceu-nos de tudo) para oferecermos uma refeição gourmet ao adversário. Acabamos dizimados.

Abordagem, de novo, desconcertada e inadequada, tendo em conta o nosso momento e a força do opositor. Expusemo-nos ao massacre, as infindáveis adversidades fizeram o resto. Culpa nossa, não há aqui dedo do além nem cúmulo do azar. Merecemos todas as contrariedades.
À exceção de um assombro de crença e reação, algures no início da segunda parte, foi tudo mau demais: sofrer quatro dos cinco golos em inferioridade numérica, perder o Capitão (e talvez o nosso melhor jogador) para o resto da época, esgotar as substituições por lesões, adaptar e voltar a fazê-lo posições e jogadores, estrear jogadores... enfim, difícil tentar perceber. E depois junte-se a titularidade sete dias depois da dispensa, as dispensas cinco dias após a titularidade, o arrumar para a bancada depois da aposta, os impedimentos de última hora, etc, etc. Factos e atitudes ainda mais difíceis de perceber.


Custa e vai deixar marcas, mas são três pontos que, sejamos honestos, não estavam nos planos. Bem longe disso. É uma derrota da alma, que deixa o orgulho ferido. 

Como se disse no início, de rastos. E assim se continuará até quarta feira. Aí logo se verá, o que tem que haver é sinais de reação. Pela amostra, nada fácil.


Força Boavista!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Negro




O cenário é mesmo demasiado negro. E por duas perspectivas: por um lado o momento atual, ou seja, três pontos abaixo da linha de água e a nove do 15º; dez pontos em 16 jogos, exigem uma segunda volta não boa nem ótima, mas fantástica, e em tudo diferente da atual.
Por outro lado, a escassa esperança de melhorias perante esta instabilidade evidente, esta desorganização de cabeça perdida e constantes tiros nos pés.

E foram demasiados nos últimos dois meses, precisamente devido a essa instabilidade e incapacidade em perceber e corrigir o que, de facto, está ou é escasso. Diria até, fazê-lo com seriedade, sem intenções de falsas culpabilizações .

Primeiros sinais mais fortes de desnorte aquando das estranhas dispensas ainda em novembro, ao que se seguiu não a saída de Petit, mas os contornos em que esta aconteceu. Foi mais que uma chicotada psicológica por maus resultados, foi o desacreditar que aquela mentalidade não era a adequada - mesmo tendo em conta as nossas condições - e, começando a não o apoiar, partir do princípio que o mal principal estava no treinador.


Mas virando a agulha para mais tempos mais recentes. Ganhamos, de facto, algum alento depois da saída do Armando. Injustamente derrotados em Arouca (exibição um pouco na sequência da boa primeira parte ante o vitória), razoáveis no Bessa frente ao Estoril (na estreia de Sanchez) e vitória justa na Taça. Depois, de novo, a realidade: três jogos fundamentais para pontuar, zero pontos, nota zero na exibição, zero de algumas melhorias.

E dados novos: algumas vezes acusados por ser uma equipa demasiado defensiva e com pouca imaginação ofensiva (em princípio só porque sim, por mera opção e porque apetece), passamos de 7ª defesa menos batida da Liga para a 5ª pior (sofrendo 9 dos 22 sofridos em apenas 5 jogos); começamos, algo a que não estávamos habituados, a perder 'finais'. A perder força e mentalidade, depois de há muito termos perdido a fortaleza. As tais finais, os jogos em casa contra concorrentes diretos - para ganhar - e os fora contra esse mesmo tipo de adversários - para pontuar. Claro, é feio. Ou é feio querermos o futebol agradável, equilibrado e de posse, ao invés de entrar com unhas e dentes para aquilo que mais precisamos: pontuar e sobreviver.


Nós não fomos buscar o Sanchez, o melhor dez de sempre do futebol mundial, o eterno #37. Não. Fomos contratar um treinador sul-americano, com experiência acumulada nos últimos dez anos no futebol boliviano, dos quais apenas os últimos quatro em clubes, e conhecedor do futebol português até 2004, ano em que se estreou como treinador. Poder-se-á dizer que foi a opção possível, e olhando ao tempo de demora, pelos avanços e recuos, que foi a 347ª escolha. Mas, sem dúvidas, temos que apoiar, e devemos fazê-lo, pelo menos por agora.

E, claro, vamos continuar à espera para ver do que o nosso treinador é capaz, apesar dos sinais não serem os melhores. Percebe-se a tentativa de rapidamente conhecer os jogadores e características da equipa, mas aquela abordagem ao jogo com o Moreirense no Bessa não lembra ao diabo. Não mesmo. É caso para perguntar se nos jogos que Sanchez devorou calhou algum do Boavista.


O principal problema e que já vem do tempo do Petit, continua. As opções, o plantel que é escasso e imensamente desequilibrado, que comparativamente ao do ano passado é melhor defensivamente, igualmente parco em opções minimamente credíveis, e sem metade da vontade em entrar nos eixos.
Não nos enganemos: o caso não está perdido, mas o alarme já disparou. E começou por fazê-lo baixinho para alguns, dando a pensar que um ou outro retoque ou uma mudança de líder seria suficiente. Não é. Vai ser preciso muito mais que um murro na mesa, é preciso desfazê-la em pedaços.
São precisos reforços, mas reforços à séria, daqueles que entram no grupo para realmente aumentar a qualidade e ajudar no imediato a equipa. É preciso blindar, unir, disciplinar, foder-lhes a cabeça ou seja o que for, mas cumprir com eles e pôr o grupo em sentido, com uma missão única e divina como objetivo. É preciso refletirmos e percebermos que estamos todos a puxar para o mesmo lado, e aí pegar no cachecol e gritar até perder a voz, seja a apoiar, seja a criticar. É preciso estar lá na luta.
Até porque não é uma já de si grave e desagradável descida de divisão que está em causa, é obviamente muito mais do que isso.
 


Força Boavista! Venha o Derby. Até os comemos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Bora lá, Todos Unidos


Sinceramente, nem sei muito bem por onde começar. Vou fazê-lo pelo fim.


Petit



Reitero o que disse no último post: mais que um "obrigado", Petit. Foram três anos, com passagem pelo inferno e chegada ao céu, muita dedicação, garra e vontade em fazer do nosso Boavista, novamente, um Clube de Primeira, não esquecendo os muitos anos por cá passados a crescer e a fazer-nos crescer. Principal responsável pelo milagre da época passada, em que quase todos - incluíndo alguns de nós - vaticinavam um regresso de terror. 

Ponto prévio, a saída de Petit deve-se ao que geralmente se deve o abandono dos treinadores, os resultados. Resultados e a descrença que seria possível melhorar e evoluir a equipa o suficiente, muito embora situações idênticas, não há muito tempo (p.ex.: época passada, por esta altura), não tenham sido suficientes para se colocar em causa o seu trabalho. Claro, não esquecendo, sempre com as enormes condicionantes como pano de fundo. Descrença de quem o rodeia, de quem com ele trabalha, de quem o devia apoiar, a resultarem, aparentemente, num Petit injustiçado e... isolado.

A linha de água continua abaixo de nós, ainda em prova na Taça, mas os sinais de instabilidade são/foram evidentes.
Estranharam-se as 'dispensas' dos quatro jogadores, dois deles dos mais utilizados, a mês e meio da reabertura do mercado. Além disso, o que haveria de diferente acerca de Pouga e Léo, que não foi possível analisar há três meses atrás? Verdade que já antes se tinha estranhado não a dispensa de Ancelmo, mas o retorno depois dessa mesma dispensa. Ajudará a perceber os contornos deste aparente... mal estar?
E digo mal estar também pelas palavras do treinador aquando da saída. "Motivos pessoais" são, geralmente, os motivos que não devem ser revelados para bem do Clube e proteção do próprio treinador. E bem ao Clube é algo que acreditamos que Petit deseje, excetuando, obviamente, por motivos profissionais.
"Gosto muito do Boavista, mas mais de mim próprio", ainda mais enigmático, dando ideia que contestação via adeptos não foi, unicamente, a razão da decisão. 

Como diz e bem o nosso novo timoneiro, "tempo, união, coragem e Adeptos", são palavras repetidas mas é o que precisamos em doses industriais nos próximos tempos, tal como no passado recente. Mas não chega, será preciso algo mais: continuar a melhorar o que já se estava a melhorar, corrigir o que está mal, e esperar pelo reforço do plantel. E este 'reforço' pode ser de duas maneiras: extraíndo mais das qualidades dos jogadores atuais, torna-los melhores do que Petit o conseguiu, ou o reforço no mercado em janeiro, tentando minimizar as evidentes reduzidas opções em alguns setores do plantel.
Se Erwin é o homem certo, só o futuro nos dirá. Se é a escolha acertada, é bastante discutível. Prefiro pensar que foi a escolha possível, atendendo ao nosso momento tão... delicado. O que não duvido é que houve vontade em fazer uma escolha.


A Fortaleza



Vou dar um pequeno exemplo: jogo no Bessa, ante o Marítimo, a nossa besta negra. Jogo importante, três pontos fundamentais, ambiente de grande expetativa em redor do desafio. Saída do aquecimento, entrada dos suplentes em campo, naquela que é, habitualmente, a primeira grande ovação. Quem se ouve no estádio? Os dezassete (é verdade, dei-me ao trabalho de os contar) adeptos madeirenses, presentes no topo norte. Dezassete bananas a fazerem-se ouvir. Dezassete, caralho! Mas então é esta a nossa fortaleza? É por isto que fazemos a diferença? Onde estamos? A discutir o quê? Onde está a nossa absoluta dedicação ao Símbolo?
Um, dois, três passes errados, assobios e insultos de quem quer dar o melhor. Cinco minutos decorridos e já o "apoio incondicional" é uma recordação.
Esmagados perante o nosso arqui-rival! Primeira parte como há algum tempo não se via dentro do campo, segunda parte em manobra de inversão. Onde estávamos nós? "Esta merda é para ganhar". Claro que sim, todos sabemos, os próprios jogadores mostraram essa vontade. Josué com a bola nos pés a passar incólume? Pantera, afinal, esquece. Onde estávamos quando foi preciso, a minar as laterais, a empurrar a Equipa, a ser o suplemento vitamínico quando as forças e o crer perdem poder?
Não estávamos. Estávamos chateados, amuados, revoltados com o mau futebol que o Clube com menores recursos da Liga nos pôde oferecer. Descrentes e desconfiados dos nossos rapazes.


Eu até admito, em situações extremas, um divórcio com a Equipa, jogadores e treinador, mas jamais com o Símbolo. Esse está, sempre, acima de tudo. E falhamos. Não fomos os únicos a falhar, mas falhamos. E com estrondo.



O Campeonato



Um lugar e dois pontos acima da linha de água não é uma situação nova. Não perder nenhuma das 'finais' (desafios com concorrentes diretos) também não, sendo que algumas nos esperam nos tempos mais próximos. Temos uma já hoje.  

Quando se discute a competitividade da equipa, ou o que podia ou não melhorar, vem ao de cima a composição do nosso meio campo, ou do quanto o mesmo torna a equipa defensiva. Verdade que as reais opções são quatro, portanto não nos podemos esticar muito na forma do miolo, mas ainda assim, uma reflexão que julgo valer a pena: 
Sem o duplo pivot defensivo, ganhamos fulgôr ofensivo, capacidade em esticar o nosso jogo e chegar mais vezes ao último terço. Três golos e meio marcados em dois jogos, depois de seis em branco. Por outro lado, expomos mais o nosso último reduto: cinco golos sofridos nos mesmos dois desafios, isto é, tantos quando os encaixados nos seis confrontos anteriores, incluíndo uma deslocação a estarola. É percetível a questão? Para já, cabe a Sanchez encontrar o equilíbrio. Futebol ofensivo, à Boavista, de posse e bonito à vista, são palavras engraçadas e agradáveis, mas não passam de palavras. Quanto muito, de intenções. Isto não está fácil e, antes de mais, temos que aproveitar a onda positiva que um refresh no corpo técnico resulta, quase por definição, nas equipas de futebol.
São quatro finais - hoje, Restelo, Bessa com Moreirense e Madeira - e em nenhuma podemos falhar.

A respeito do onze, é novamente uma incógnita. Mika e os dois centrais habituais terão lugar garantido. Nas laterais, o impedimento de Mesquita abre o lugar a Inkoom, sendo que do lado oposto há a dúvida sobre a disponibilidade de Afonso e Correia. Hackman foi aí opção (e a revelar razoável adaptação) nos últimos dez minutos em Arouca.
No meio campo um dos pontos de maior interesse: Idris, Gabriel, Tenga e Carvalho para três ou quatro posições, veremos como Sanchez encara o desafio. Ainda temos Lima, tentando mostrar o que não conseguiu nos últimos seis jogos da época passada, nesta pré-época, ou mesmo nos primeiros dez desafios da presente. Haja fé!
No ataque, admito que Abner tem-me agradado, mesmo não sendo o tipo de ponta de lança que, em teoria, nos será mais útil. Luisinho deverá ser aposta certa, incógnita total acerca das restantes opções.



Importante é metermos na cabeça que é preciso não parar, mesmo antes da bola começar a rolar. Hoje, para a semana, na seguinte, sempre a apoiar. É o Símbolo que assim o exige, num dos momentos mais delicados e importantes dos últimos tempos. Não podemos, não devemos falhar.

Força Boavista!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Tempestade


Vamos deixar acalmar (e perceber algumas coisas) e colocaremos a conversa em dia nos próximos dias (desculpem os visitantes do blogue pela paragem em momento tão crítico). Para já, duas coisas, as mais importantes:

Muito mais que um "Obrigado", Petit. Um dos nossos, sempre. Ajudou-nos quando mais precisamos, principal obreiro do milagre da época passada. Não esqueceremos, como é óbvio.

Domingo, não há Boavisteiro que fique em casa. É quando o Símbolo mais precisa de nós que temos por hábito dizer presente. Apoiar, de início ao fim, como tão bem sabemos fazer. Invasão a Arouca, mais nada.

Força Boavista!




terça-feira, 20 de outubro de 2015

O Regresso da Taça e o 4-4-2



Hugo Monteiro e Grzelak, Bessa ante o Nacional, oitavos de final. Agora segurem-se: 10 de fevereiro de 2007, data da nossa última vitória para a Taça de Portugal. Quase 9 anos, portanto...

Posto isto, é o que fica de mais positivo depois da partida de domingo, em Loures: a passagem de uma eliminatória da Prova Raínha. Rumo à Sexta!


Não fizemos um jogo conseguido, longe disso. Sobretudo, distantes do adversário numa característica que por vezes faz a diferença neste tipo de desafios: a motivação. Do lado deles, estádio(!) à pinha, mouraria na bancada, compreensivelmente jogo do ano para jogadores e treinador adversários; do nosso lado, a obrigação de passar em frente, não só pela diferença de estatuto e orgulho no Símbolo, mas também pelo recente amargo de Vila da Feira. Duas seguidas, sem tirar, pode ser... custoso.

A verdade é que complicamos a tarefa, não só pela apatia que demonstramos no tempo regulamentar (excetuando a boa entrada no jogo, criando uma oportunidade no segundo minuto), também pela falta de fluidez no nosso jogo, revelando muitas dificuldades em circular a bola e assumir o controle das operações, em encostar o adversário às cordas, em nos sentirmos confortáveis (mesmo defensivamente) com o desenrolar da partida. Podemos dizer que tivemos a sorte do jogo: beneficiamos de um erro não forçado que nos permitiu a superioridade numérica (e jogar a meia hora final com mais artilharia na frente), não nos livramos de duas oportunidades para o adversário, já no prolongamento, uma das quais ainda com o desafio empatado.

Individualmente e pela positiva, bom jogo do regressado à lateral Correia, dos que mais 'espicaçou' o jogo da equipa, mesmo em terrenos mais adiantados. Bem também nas bolas paradas, incluíndo no lance que nos valeu o apuramento.
Entrada de Uchebo revelou-se decisiva: mexeu com o ataque, criou perigo e fabricou o primeiro golo. Rendeu Rivaldinho, que pouco produziu, emparedado nos centrais adversários, poucos lances de área (ou sequer perto dela) para mostrar algum serviço.
Renato Santos, que se estreou a titular, também revelou dificuldades para se tornar consequente. Começou na ala esquerda, foi alternando com Luisinho, raramente conseguiu ganhar a linha ou fazer a diferença mais no centro do terreno. Um remate perigoso (além da oportunidade desperdiçada logo no início) foi o melhor que conseguiu. Fisicamente pode melhorar, talvez fruto de alguns meses sem competição.

Resumindo, como se disse no início da crónica, de positivo fica a passagem à 4ª eliminatória da Taça. Ficam também sinais que é preciso melhorar, sobretudo a circulação de bola, as decisões (soluções?) no último terço, a capacidade de saír rápido - e bem - para o ataque.




Alguns bitaites, retomando o pulso depois de duas semanas de ausência forçada.

O 4-4-2.

Mudamos no jogo com o sporting, deixamos o habitual 4231 para jogarmos com uma linha de quatro no meio campo, perto do quarteto defensivo, deixando dois avançados na frente, Luisinho e Zé. À dupla defensiva Idriss/Reuben juntou-se Tengarrinha na direita e Correia na esquerda. A força do adversário pedia isso mesmo, pouco risco, linhas recuadas e tentativa de saír a jogar - por vezes de forma mais direta - com os dois homens mais adiantados e aposta forte nas bolas paradas. Abordagem acertada, ponto precioso, jogo positivo.
A exibição foi convincente, fomos compactos e seguros defensivamente, beneficiando também do acerto da [recém-formada] dupla Henrique e Vinicius, mais recuados e posicionais que o habitual, menos expostos (dada a dupla de cobertura, o que beneficiou, em particular, o jogo - e qualidade - de Vinicius).

Na semana seguinte, algo surpreendentemente, Petit aborda o desafio de forma semelhante. Apesar do resultado negativo (dez segundos podem fazer toda a diferença no que à análise e crítica destrutiva diz respeito...), o comportamento da equipa foi positivo. Controlamos as operações, permitimos poucas oportunidades de finalização ao adversário, confortáveis, esticamos mais e melhor o jogo que no desafio anterior. O mesmo meio campo revelou melhor entendimento e maior flexibilidade, tanto a trocar e compensar posições sem bola, como nas saídas para o ataque, denotando-se aí o mesmo problema que nos vai assolando nos últimos tempos: a definição das jogadas no último terço, mesmo conseguindo espaço e tempo para poder fazer melhor.
Facto curioso: mudamos para o 433 a cinco minutos do final, com a entrada de Carvalho para o lugar de um dos alas. Pouco depois, dobra de Reuben na direita, num dos raros desposicionamentos da dupla em todo o desafio, provocando o desequilíbrio na zona central, surgindo o golo...
Em suma, depois de Vila do Conde, sinais que esta nova abordagem tem pernas para andar.

Em Loures, voltamos a apresentar o mesmo sistema, mas com uma dinâmica diferente, o que pode ser um sinal que a mudança não foi pontual, dando ideia de uma tentativa de melhor adaptar a identidade da equipa às caraterísticas dos jogadores que Petit tem à disposição. Os dois médios ala mais ofensivos (Luisinho e Renato na vez de Correia e Tenga), dois avançados (Zé mais móvel, recuando para o meio campo e provocando superioridade nas alas), mantendo-se a dupla de cobertura Idriss/Reuben. Ou seja, 442 sem bola, dois médios e quatro homens ofensivos com bola. Parece-me óbvio, evidenciamos problemas, já que tivemos que assumir favoritismo e maior controle das operações, não conseguindo fluidez na posse de bola. Neste aspeto, minha opinião, as dificuldades acrescem com a dupla média utilizada, Idriss e Reuben. Ambos fazem da capacidade física e de desarme a sua principal arma, úteis no que à proteção ao eixo central diz respeito, ambos com enorme dificuldade para contruibuírem positivamente para a circulação de bola, assim como pouco aptos para o lançamento do ataque. Já houve desafios (pré-época e, mais recentemente, com o Paços no Bessa) em que ambos 'pegaram' bem no nosso miolo, transportaram a equipa para a frente, apareceram a propósito em zonas de finalização; mas não com esta abordagem, não com estes alas, não com dupla de avançados, não com tanta preocupação em não saír da posição central.



Olhando para o plantel e opções, pode fazer sentido esta tentativa de Petit. Senão vejamos:
- Todas as saídas - seja dos defesas e avançados - foram bem colmatadas, diria mesmo que em todas as mudanças ficamos a ganhar. Menos numa: a do médio não-só-defensivo, a do Cech. Saíu o eslovaco, entrou ninguém. Em teoria, reentrou o Ancelmo... Diego Lima foi aposta máxima, tanto nos últimos desafios da época passada, nos particulares desta pré-época, nos primeiros jogos do campeonato. E caíu. Desapareceu. É curto, pergunta-se se alguma vez não o será. Ficamos sem um único médio com alguma capacidade de desequilíbrio no último terço. O Renato, desenganem-se, será extremo, quanto muito. Ora, com dois avançados, haverá menor necessidade de jogar com um terceiro médio, atrás do avançado, no típico e habitual 433.
- Ponto forte do nosso plantel, as laterais. Afonso/Correia, Inkoom/Mesquita dão garantias, todos eles a evoluírem a bom ritmo, saem beneficiados e com possibilidades de tornar o jogo pelas laterais mais útil, mais ofensivo e rápido, com maior capacidade de alargar o último terço.
-  A simples mudança dos alas fazem com que se altere a postura da equipa, sem grande mexidas na estrutura. Luisinho tem um excelente jogo interior, do lado contrário estamos a poucas semanas de ter um reforço com idênticas caraterísticas, Bukia. Renato foi testado nessas funções, será ainda cedo para se perceber qual pode ser o seu contributo. Ou seja, temos médios ala com capacidade de dar sequência ao nosso jogo nestes moldes, ao mesmo tempo que priviligiam os laterais. Claro, dúvidas acerca da rentabilidade de Luisinho quando comparado com a função de extremo, mais solto, a pegar na bola mais perto da área adversária, menos exigente do ponto de vista físico.
- Zé tornou-se, em definitivo, num bom avançado (digamos, não só um bom extremo), podendo fazer boa dupla com Uchebo. Assim, jogando os dois no meio poderemos tirar vantagens que até aqui seria bem mais difícil.


Independentemente do esquema tático, importante é a dinâmica que a equipa consegue mediante a disposição de determinados jogadores. Falta saber como vamos evoluir e se é mesmo para manter este tipo de abordagem. Na época passada, recordo que houve um momento idêntico a este, um tipo de 'reset', prioridade à consistência defensiva e trancas à porta, para depois se fazer crescer o nosso jogo e mentalidade da equipa, evoluindo para patamares que nos permitiram alcançar os objetivos com normalidade. Veremos se estamos mediante algo do género.
De salientar que nos três jogos em que adotamos esta estratégia, em todos eles alteramos para o esquema habitual, com a entrada de Tengarrinha ou Carvalho, os médios com maior capacidade de circulação e posse. Veremos também se evoluímos com a entrada de um deles para a dupla de médios à frente da defesa, ou se voltamos ao uso habitual do trio no meio campo.


A confiança é que tem tudo para se manter como até aqui, não se tivesse completado esta semana três anos sob o comando técnico de Petit. Já sabíamos que não ia ser fácil, todos devem ter noção que muitas das dificuldades com que nos deparamos no passado recente se mantêm.
A atitude, garra e postura dos nossos rapazes tem sido exemplar (vá, querendo esquecer um pouco Loures) e, desde que assim se mantenha, acredito que temos todas as condições para levar de vencida os próximos desafios. Nada fáceis, convenhamos, a estabilidade e entrosamento demoram o seu tempo, mas 'tamos cá.


Força Boavista!