quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
O Mercado e os 7 Reforços
Cinco entradas, meio campo e ataque reforçados, saída de um médio (mais Tenga o resto da época), três avançados e um defesa direito.
Andamos época e meia com Ancelmos, Diego Limas e Quincys, chega a parecer estranho ter um jogador como 2R7 na equipa. Há muito que precisávamos de um médio como Ruben, capaz de temporizar o nosso jogo e de melhor definir as saídas para o ataque. Surpreendeu a boa forma tendo em conta que esteve meia época sem competir. Tem sido importante, técnica e qualidade à vista, veremos como será quanto à regularidade.
Iriberri é de um estilo diferente comparando com as restantes opções, talvez mais à imagem do que Sanchez pretende para a equipa. Já deu para ver que é forte nas desmarcações, com boa presença e instinto de homem de área, apto a pressionar, longe de ser o avançado típico de jogo direto a que estávamos habituados. Precisa de tempo, não só por ser novo na equipa, também por se tratar da primeira experiência na Europa. Veremos se é o homem golo que precisamos, mas já deu para ver que nos vai ser útil.
Mario Martinez, na estreia contra o Braga, foi opção para a ala, lugar então ocupado por Renato e Carvalho. Se é para aí, Luisinho e Renato não têm facilitado. Cinco minutos que pouco deu para ver, no entanto parece ser jogador para meio campo ofensivo, na linha ou mesmo no centro (talvez alternativa a Ruben).
Tahar é médio e vem por empréstimo até final da época do Steaua, desconhecendo-se a capacidade que teremos em prolongar o vínculo. Dá ideia de ser um género de Sérgio Oliveira da Roménia: deu nas vistas num clube de segunda linha e foi contratado por um grande onde não se conseguiu impôr (o Steaua conta com 6 médios internacionais romenos). Vem com ritmo de jogo e parece médio para fazer todo o meio campo, apto tanto a defender como a aparecer no ataque. Se vai ser um 'upgrade' na dupla mais defensiva do meio campo, logo veremos.
O colombiano Cangá é avançado e teremos que esperar para ver. Sané, também avançado
E mais dois:
Renato Santos apareceu diferente no jogo para a Taça, mais intenso no jogo, confiante e prático com bola. Nas bolas paradas tem feito a diferença: agora, livres e cantos mal executados são a exceção.
Hackman, uma das surpresas agradáveis dos últimos tempos, começou a dar nas vistas nos dez minutos em Arouca, daí para cá sempre a subir. Apesar de jovem e inexperiente, é útil ter um jogador com estas caraterísticas, capaz de cumprir em qualquer posição defensiva (e na direita só há Mesquita).
Permanência importante é a do Afonso. A não renovação e possível saída a custo zero é um dado negativo, mas longe de ser essa a prioridade. Fundamental é contar com os melhores nesta segunda volta e Afonso joga o que sabemos.
Ancelmo continua por cá e tudo indica que tentamos despachar Uchebo, mas não conseguimos.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
A Respirar
Boas fotos do jogo, para ver aqui
Três jogos depois da 'ressurreição' (via Taça), já respiramos fora da linha de água. Por uma palhinha mas respiramos, com os mesmos pontos que Académica, mas mais perto do meio da tabela (6) do que do último classificado (8). Isto há três semanas, quando batemos no fundo mais fundo possível, quer nos resultados e exibições, lesões e peripécias, seria um cenário quase inimaginável. Desde que regressamos à primeira e em vinte e um dias, depois das cinco chapadas: uma das melhores exibições, o resultado mais volumoso e dos melhores ambientes no Bessa (e fora dele). Da reação, estamos conversados. Só um Clube assim...
Algumas notas:
Mudamos a forma de abordagem nestes três últimos desafios, mantendo o 442 mas nada de losango como nos primeiros tempos de Sanchez. Alguns compreensíveis experimentalismos e abordagens erradas depois, ajustamos e damos sinais de estabilidade e de segurança mínima.
Defensivamente, ganhamos com a linha de quatro no meio campo, deixando Rúben e Iriberri a pressionar mais alto e tendo os médios ala maior exigência defensiva, a par da dupla de cobertura do meio campo. Mesmo com uma linha defensiva ainda a estabilizar, os números voltam a ser positivos: dois golos nos últimos quatro desafios, a melhor defesa dos últimos sete classificados (e melhor que Rio Ave e vitória). Domingo passado um bom exemplo, mesmo defrontando um forte Braga (quarto melhor ataque e vindo de marcar nos últimos sete desafios do campeonato). Mais que o não sofrer golos, permitimos poucas boas oportunidades de finalização (legais!), e estivemos bem quer com as linhas recuadas e postura de expetativa (1ª parte), quer arriscando a pressionar um pouco mais alto. Dois aspetos em que podemos crescer nos próximos tempos: numa das posições da dupla de meio campo (Carvalho foi aí opção após a saída de Idris), tornando-a mais versátil ofensivamente (dando até melhor sequência às subidas da dupla), e no jogo das laterais, aproveitando as caraterísticas de Afonso e Mesquita (que melhorou neste aspeto contra o Braga) e o jogo interior dos médios-extremos.
Ofensivamente, a grande diferença é que conseguimos esticar mais o nosso jogo, chegar à frente mais vezes, com maior critério e melhor tempo de saída, com mais jogadores. Mais rapidez nas ações (em bom plano Luisinho e Renato) e um médio como Rúben fazem a diferença nesse aspeto, comparando com o passado recente. E, não esquecer, a tremenda eficácia nas bolas paradas, já que apenas um dos seis últimos golos marcados foi de bola corrida (e do Zé, imagine-se!). Desafio com o Braga volta a ser um bom exemplo, mesmo não marcando: a melhor oportunidade da primeira parte é nossa, na segunda fazemos mais ataques perigosos que o adversário (mesmo em igualdade numérica).
Isto ainda agora começou. Olhando à nossa situação caótica, com estes três resultados positivos (principalmente as duas fundamentais vitórias nas finalíssimas Setúbal e Tondela, antes da próxima - Académica) não ganhamos mais que uma boa posição na grelha de partida para as restantes 15 voltas. Muito importante mas só isso.
Evolução, consistência e atitude dentro das quatro linhas, apoio avassalador fora delas. O momento a isso obriga, a paixão Axadrezada faz o resto. A união de todo o grupo faz-se sentir, os reforços chegaram dotando a equipa de outros argumentos, o que se iniciou com o movimento "EuAcredito" e a onda de apoio e confiança têm um papel fundamental e não pode parar. Não podemos abrir mão de nada disto seja em que momento for.
Fazer do Mata Real mais um mini-Bessa, algo parecido a Tondela, mas mais e melhor.
Força Boavista!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Vamos a Eles - Tondela
A outra finalíssima, jogo de vida ou quase-morte.
Vencendo entramos nos lote de primeiras equipas a fugir ao lugar de despromoção e damos um valente empurrão ao adversário. E só mesmo a vitória interessa, o empate será um [pouco menos] péssimo resultado.
Curiosidade para ver a abordagem de Sanchez ao desafio, mesmo sendo provável poucas alterações. Na estrutura devem manter-se os dois médios defensivos, atrás de Rúben Ribeiro (ou será um regresso do losango?). No onze, talvez dúvida sobre o avançado (Iriberri, Zé, Uchebo ou Uche) e do regresso ou não de Afonso.
De resto, a receita é simples e é a mesma do último desafio: atitude e intensidade no campo, mini-Bessa fora dele. Apoiar sempre, de início ao fim.
Força Boavista!
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Venham Eles: Vitória de Setúbal
Chegamos ao ponto sem retorno. A distância para os dois clubes mais próximos é grande (7 pontos), para os restantes é já um enorme fosso (10), o que resulta numa margem de erro nula.
Das 17 partidas que faltam, não há volta a dar: algumas são finais, outras finalíssimas. Os próximos dois encontros enquadram-se neste último lote. Ganhar, dê por onde der.
Para hoje, só um objetivo: dar sequência àquela reação positiva no jogo da Taça.
Na mentalidade e atitude da Equipa, e nas bancadas, voltando a fazer do Bessa a Fortaleza. Só isso. E os difíceis três pontos serão nossos.
Os regressos de Vinicius, Afonso e Luisinho são boas notícias, veremos como Sanchez aborda o desafio.
Todos ao Bessa. Força Boavista!
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Mas o que é isto?
This is Boavista! E com todo o orgulho do mundo. Não há milhões nem ajudas, há dificuldades e condicionantes, sobra alma, raça, união.
É assim, é isto que nos faz diferentes, é com estes argumentos que iremos à luta para a vencer. E venceremos.
Mais que tudo, pedia-se sinais. Pedia-se algo que nos fizesse acreditar em nós próprios, que nos unisse como nunca. A resposta foi, a todos os níveis, exemplar. No campo e na bancada, na atitude e na crença, na postura e confiança. É um facto que perdemos por culpa própria, que não soubemos traduzir a [surpreendente] superioridade em muitos momentos do jogo, que erramos mais que o permitido quando se defronta uma equipa forte como esta, mas fizemos um bom jogo, dos melhores dos últimos tempos.
Algumas notas:
- Unidos. Antes, durante e depois. Pode significar nada, pode ser muito, um indicador que todos perceberam a importância deste momento na vida do Clube e até nas carreiras de cada um.
É normal as equipas unirem-se antes do desafio, naquele típico grito de união dos jogadores. Quarta feira foi diferente. O 'grito' foi dado junto ao banco de suplentes, com os titulares, suplentes, treinadores e dirigentes. Juntos. E aposto que com um pouco da Alma de cada um de nós, Adeptos, lá no meio.
Durante o desafio viu-se uma equipa aguerrida e solidária, a reagir às adversidades. No final, depois de toda aquela emoção, a primeira reação de alguns dos nossos foi a de confortar o nosso 'miúdo'. Em correria. Mais importante que a amarga derrota, estava em causa recuperar o jovem após o momento infeliz.
- Pelo menos, já deu para perceber que o nosso Sanchez não é teimoso. E isso é bom. Mudamos na abordagem ao desafio, resultando numa equipa mais compacta, mais apta a pressionar e mais de acordo com aquilo que o jogo pedia. Mesmo mantendo o 442, Sanchez pela primeira vez mudou a estrutura, passando de um losango no meio campo para uma linha de quatro e, mais importante,
todos souberam pôr em prática aquilo que estava no papel. Funções exigentes para cada um dos jogadores, quer por não estarem nas posições de origem, quer pela exigência do próprio desafio. Mostramos, pela primeira vez desde há pouco mais de um mês, alguma evolução, defensiva e, principalmente, ofensivamente.
- Demoramos mais de meio ano para percebermos que a posição mais em falta no plantel era a de um médio criativo, mais responsável pelo momento ofensivo, que saiba dar alguma sequência à posse de bola no último terço. Que organize um pouco o nosso jogo, capaz de temporizar e circular. Parece coisa pequena, mas tem uma influência brutal no comportamento global da Equipa.
- Individualmente, destaque para Rúben Ribeiro. Para quem vem de meio ano sem competir, abriu o apetite para o que aí vem. Técnica e inteligência de jogo não lhe falta, veremos o resto.
Renato já tinha entrado bem no jogo para o campeonato, quarta confirmou a subida de forma. Muito mais intenso na disputa de bola (a posição assim exigia), melhor no posicionamento, mais confiante quando parte para cima dos adversários. Dar-nos-á um jeitaço um Renato assim.
Muitas vezes mal amado e injustiçado por nós próprios, mesmo sendo um dos capitães. Bom jogo do Idris, naquilo que ele é realmente útil: muito bom nas segundas bolas, nos desarmes e na luta a meio campo, importante a proteger a dupla de centrais. Também Gabriel em bom plano.
Em grande a Fortaleza. Tenho a certeza que vamos continuar assim, a apoiar os nossos rapazes de início ao fim, a infernizar a vida aos adversários, a sermos decisivos na conquista de pontos.
Quatro dias para a primeira de uma série de finalíssimas. A exibição e esta subida de moral só faz sentido se dermos sequência ante o Setúbal. 'Tamos juntos para a luta.
Força Boavista!
PS.: Os mimados do mercado. Absolutamente ridícula a forma como analisam e reagiram o jogo, nas declarações dos responsáveis, nos blogosfera azul, até na sua própria revista cor de rosa. Ainda incrédulos por serem encostados às cordas por uma equipa de tostões mas com uma alma de milhões e por sentirem tremido o apuramento para as meias que, para a esmagadora maioria, era um facto consumado. A culpa é do árbitro. Realmente, comparando com a restante 'elite', só muda a côr. O cheiro é o mesmo.
E esqueçam lá os chamados tiques de equipa pequena ou anti desportiva. Amarelos por perda de tempo, jogador a reentrar para o meio do campo só para a assistência e substituição, etc. Longe de imaginarem que tal seria preciso.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Venham Eles: Derby II
Duas breves notas sobre o grande jogo de logo:
A Fortaleza tem, obrigatoriamente, que voltar a ser o que já foi num passado recente. Mesmo com o orgulho ferido, é o Símbolo que precisa de nós, mais que nunca. E precisará nos próximos tempos.
Não se deve exigir a vitória, vingança da goleada ou um jogo épico da nossa parte.
Queremos acreditar que é possível, queremos sentir que todos puxamos para o mesmo lado. Que estamos e estaremos juntos para enfrentar as dificuldades que se avizinham!
Carta de um associado aos Boavisteiros, vale a pena a leitura e respetiva reflexão:
Força Boavista!
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Os Protestos e as Dispensas
foto do derby de domingo.
Não gosto de todo e qualquer protesto (organizado e pré concebido) que coloque em causa o apoio ao Símbolo durante um desafio. Fere a Alma, revolta, entristece. Mas há momentos em que tal é aconselhável e legítimo, como é o caso. E vindo de quem vem, essa legitimidade merece ser ainda mais vincada.
O grupo de trabalho, mais que falta de vontade, atitude ou querer, dá sinais de instabilidade. De descrença, neles próprios e no que os rodeia. De medo, de gritante falta de confiança. E isso, no ponto em que estamos, mais que do(s) treinador(es), é responsabilidade do departamento de futebol. Portanto, à partida, e olhando também à balbúrdia que reina à volta do plantel, com entradas e saídas, dispensas, repescagens e castigos, lesões e aptidões, discursos e silêncios despropositados, o destino dos protestos deveria ser outro. A não ser que o alvo da nossa Claque não tenha sido, em exclusivo, os jogadores.
foto de arquivo
O próprio Clube reconhece que algo não está bem, quando recentemente anunciou uma "profunda remodelação" na SAD. E percebe-se isso, mesmo no cimo da hierarquia, quando constatamos que nem com um microfone à frente se consegue fazer algo de realmente positivo. Falta saber se é mesmo para melhorar ou não passa de mais uma operação de cosmética.
Rúben Ribeiro, que já passou pela nossa formação.
Cinco saídas oficializadas nos últimos dias: Diego Lima, Leozinho, Rivaldinho e Pouga dispensados, Inkoom transferido. Com alguns meses de atraso, concluiu-se que o plantel é desequilibrado, precisa de reforço e que a pouca utilização de alguns é, afinal, condizente com a sua qualidade ou pouca competitividade.
Do trio brasileiro, Lima foi o que teve mais chances para agarrar o lugar (no final da época passada e nos primeiros dez! desafios da presente). Não o conseguiu porque não foi capaz, não teve qualidade e intensidade para tal, mesmo sem concorrência ao lugar (Ancelmo foi primeiramente dispensado, convém relembrar; e neste caso sim, dispensa 'técnica', sem dúvidas) .
Léo parece bom rapaz, assim como possuir bons pés. Não chega. Sempre inconstante, o problema pareceu mais mental que físico, técnico ou tático. Não deu mais.
Pouga, cedo se percebeu a razão da pouca produção e escassa utilização. Demasiado estático e posicional, lento e pouco útil no jogo da equipa.
Rivaldinho é uma daquelas apostas... primeira experiência na Europa, demasiada mediatização para a qualidade que mostrou. Oportunidades foram poucas, mas teve-as. Em nenhuma ocasião mostrou que poderia ser útil ou sequer com capacidade para evoluir rapidamente, como precisamos.
Inkoom foi a única transferência. Sempre revelou dificuldades a defender, o que para um lateral não é nada positivo. Não passou das boas indicações na pré-temporada, nunca conseguindo estabilizar o seu jogo tornando-se minimamente consistente. Ainda perdemos uns pontitos graças à sua aparente... descontração. Pareceu com mais queda para as passerelles que para os relvados.
E ficou-se por aqui porque é tarde e o mercado de janeiro só permite cinco alterações (provavelmente nem teríamos capacidade para mais...).
De entradas, duas para já, faltarão três: Rúben Ribeiro, o Quaresma dos pobres (tecnica e mentalmente...), e Imagol, avançado argentino de 28 anos, que fará a sua estreia em campeonatos europeus. Haja fé.
Tarde, muito tarde, mas é acreditar que seja isto o que precisamos. Não é fácil...
Força Boavista!
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
5 Chapadas
De rastos. Humilhados pelo resultado e pelo gozo face-to-face dos nossos vizinhos. Revoltados com o estado da nossa Equipa. Envergonhados pelas declarações dos responsáveis máximos, numa tentativa de minimização da derrota (e da culpa também). O que nos ocorre: poderemos ficar, mantendo este ritmo e de alguma forma, ainda piores? Será possível?
Já estamos a seis da linha de água, com o lanterna à distância de dois pontos. Igualamos a nossa pior série de sempre, em jogos da Primeira divisão: jogos sem vencer são 13, 4 derrotas consecutivas, 8 nos últimos 9 jogos, média de três golos sofridos nos últimos 5 desafios. Verdade, estamos quase a tornar-nos no pior Boavista da História.
Não falaremos já das duas finalíssimas que nos esperam (antes das outras...) no início da segunda volta, mas serão certamente dos jogos mais importantes de à 112 anos a esta parte.
Duvido que houvesse um único Boavisteiro otimista para este Derby, ou melhor, conscientemente otimista, já que força, vontade e muita 'fé'zada de bater nos rivais jamais nos faltará.
Fomos atropelados pelo Moreirense há uma semana (e com mais argumentos), fizemos tudo (e aconteceu-nos de tudo) para oferecermos uma refeição gourmet ao adversário. Acabamos dizimados.
Abordagem, de novo, desconcertada e inadequada, tendo em conta o nosso momento e a força do opositor. Expusemo-nos ao massacre, as infindáveis adversidades fizeram o resto. Culpa nossa, não há aqui dedo do além nem cúmulo do azar. Merecemos todas as contrariedades.
À exceção de um assombro de crença e reação, algures no início da segunda parte, foi tudo mau demais: sofrer quatro dos cinco golos em inferioridade numérica, perder o Capitão (e talvez o nosso melhor jogador) para o resto da época, esgotar as substituições por lesões, adaptar e voltar a fazê-lo posições e jogadores, estrear jogadores... enfim, difícil tentar perceber. E depois junte-se a titularidade sete dias depois da dispensa, as dispensas cinco dias após a titularidade, o arrumar para a bancada depois da aposta, os impedimentos de última hora, etc, etc. Factos e atitudes ainda mais difíceis de perceber.
Custa e vai deixar marcas, mas são três pontos que, sejamos honestos, não estavam nos planos. Bem longe disso. É uma derrota da alma, que deixa o orgulho ferido.
Como se disse no início, de rastos. E assim se continuará até quarta feira. Aí logo se verá, o que tem que haver é sinais de reação. Pela amostra, nada fácil.
Força Boavista!
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Negro
O cenário é mesmo demasiado negro. E por duas perspectivas: por um lado o momento atual, ou seja, três pontos abaixo da linha de água e a nove do 15º; dez pontos em 16 jogos, exigem uma segunda volta não boa nem ótima, mas fantástica, e em tudo diferente da atual.
Por outro lado, a escassa esperança de melhorias perante esta instabilidade evidente, esta desorganização de cabeça perdida e constantes tiros nos pés.
E foram demasiados nos últimos dois meses, precisamente devido a essa instabilidade e incapacidade em perceber e corrigir o que, de facto, está ou é escasso. Diria até, fazê-lo com seriedade, sem intenções de falsas culpabilizações .
Primeiros sinais mais fortes de desnorte aquando das estranhas dispensas ainda em novembro, ao que se seguiu não a saída de Petit, mas os contornos em que esta aconteceu. Foi mais que uma chicotada psicológica por maus resultados, foi o desacreditar que aquela mentalidade não era a adequada - mesmo tendo em conta as nossas condições - e, começando a não o apoiar, partir do princípio que o mal principal estava no treinador.
Mas virando a agulha para mais tempos mais recentes. Ganhamos, de facto, algum alento depois da saída do Armando. Injustamente derrotados em Arouca (exibição um pouco na sequência da boa primeira parte ante o vitória), razoáveis no Bessa frente ao Estoril (na estreia de Sanchez) e vitória justa na Taça. Depois, de novo, a realidade: três jogos fundamentais para pontuar, zero pontos, nota zero na exibição, zero de algumas melhorias.
E dados novos: algumas vezes acusados por ser uma equipa demasiado defensiva e com pouca imaginação ofensiva (em princípio só porque sim, por mera opção e porque apetece), passamos de 7ª defesa menos batida da Liga para a 5ª pior (sofrendo 9 dos 22 sofridos em apenas 5 jogos); começamos, algo a que não estávamos habituados, a perder 'finais'. A perder força e mentalidade, depois de há muito termos perdido a fortaleza. As tais finais, os jogos em casa contra concorrentes diretos - para ganhar - e os fora contra esse mesmo tipo de adversários - para pontuar. Claro, é feio. Ou é feio querermos o futebol agradável, equilibrado e de posse, ao invés de entrar com unhas e dentes para aquilo que mais precisamos: pontuar e sobreviver.
Nós não fomos buscar o Sanchez, o melhor dez de sempre do futebol mundial, o eterno #37. Não. Fomos contratar um treinador sul-americano, com experiência acumulada nos últimos dez anos no futebol boliviano, dos quais apenas os últimos quatro em clubes, e conhecedor do futebol português até 2004, ano em que se estreou como treinador. Poder-se-á dizer que foi a opção possível, e olhando ao tempo de demora, pelos avanços e recuos, que foi a 347ª escolha. Mas, sem dúvidas, temos que apoiar, e devemos fazê-lo, pelo menos por agora.
E, claro, vamos continuar à espera para ver do que o nosso treinador é capaz, apesar dos sinais não serem os melhores. Percebe-se a tentativa de rapidamente conhecer os jogadores e características da equipa, mas aquela abordagem ao jogo com o Moreirense no Bessa não lembra ao diabo. Não mesmo. É caso para perguntar se nos jogos que Sanchez devorou calhou algum do Boavista.
O principal problema e que já vem do tempo do Petit, continua. As opções, o plantel que é escasso e imensamente desequilibrado, que comparativamente ao do ano passado é melhor defensivamente, igualmente parco em opções minimamente credíveis, e sem metade da vontade em entrar nos eixos.
Não nos enganemos: o caso não está perdido, mas o alarme já disparou. E começou por fazê-lo baixinho para alguns, dando a pensar que um ou outro retoque ou uma mudança de líder seria suficiente. Não é. Vai ser preciso muito mais que um murro na mesa, é preciso desfazê-la em pedaços.
São precisos reforços, mas reforços à séria, daqueles que entram no grupo para realmente aumentar a qualidade e ajudar no imediato a equipa. É preciso blindar, unir, disciplinar, foder-lhes a cabeça ou seja o que for, mas cumprir com eles e pôr o grupo em sentido, com uma missão única e divina como objetivo. É preciso refletirmos e percebermos que estamos todos a puxar para o mesmo lado, e aí pegar no cachecol e gritar até perder a voz, seja a apoiar, seja a criticar. É preciso estar lá na luta.
Até porque não é uma já de si grave e desagradável descida de divisão que está em causa, é obviamente muito mais do que isso.
Força Boavista! Venha o Derby. Até os comemos.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Bora lá, Todos Unidos
Sinceramente, nem sei muito bem por onde começar. Vou fazê-lo pelo fim.
Petit
Reitero o que disse no último post: mais que um "obrigado", Petit. Foram três anos, com passagem pelo inferno e chegada ao céu, muita dedicação, garra e vontade em fazer do nosso Boavista, novamente, um Clube de Primeira, não esquecendo os muitos anos por cá passados a crescer e a fazer-nos crescer. Principal responsável pelo milagre da época passada, em que quase todos - incluíndo alguns de nós - vaticinavam um regresso de terror.
Ponto prévio, a saída de Petit deve-se ao que geralmente se deve o abandono dos treinadores, os resultados. Resultados e a descrença que seria possível melhorar e evoluir a equipa o suficiente, muito embora situações idênticas, não há muito tempo (p.ex.: época passada, por esta altura), não tenham sido suficientes para se colocar em causa o seu trabalho. Claro, não esquecendo, sempre com as enormes condicionantes como pano de fundo. Descrença de quem o rodeia, de quem com ele trabalha, de quem o devia apoiar, a resultarem, aparentemente, num Petit injustiçado e... isolado.
A linha de água continua abaixo de nós, ainda em prova na Taça, mas os sinais de instabilidade são/foram evidentes.
Estranharam-se as 'dispensas' dos quatro jogadores, dois deles dos mais utilizados, a mês e meio da reabertura do mercado. Além disso, o que haveria de diferente acerca de Pouga e Léo, que não foi possível analisar há três meses atrás? Verdade que já antes se tinha estranhado não a dispensa de Ancelmo, mas o retorno depois dessa mesma dispensa. Ajudará a perceber os contornos deste aparente... mal estar?
E digo mal estar também pelas palavras do treinador aquando da saída. "Motivos pessoais" são, geralmente, os motivos que não devem ser revelados para bem do Clube e proteção do próprio treinador. E bem ao Clube é algo que acreditamos que Petit deseje, excetuando, obviamente, por motivos profissionais.
"Gosto muito do Boavista, mas mais de mim próprio", ainda mais enigmático, dando ideia que contestação via adeptos não foi, unicamente, a razão da decisão.
Como diz e bem o nosso novo timoneiro, "tempo, união, coragem e Adeptos", são palavras repetidas mas é o que precisamos em doses industriais nos próximos tempos, tal como no passado recente. Mas não chega, será preciso algo mais: continuar a melhorar o que já se estava a melhorar, corrigir o que está mal, e esperar pelo reforço do plantel. E este 'reforço' pode ser de duas maneiras: extraíndo mais das qualidades dos jogadores atuais, torna-los melhores do que Petit o conseguiu, ou o reforço no mercado em janeiro, tentando minimizar as evidentes reduzidas opções em alguns setores do plantel.
Se Erwin é o homem certo, só o futuro nos dirá. Se é a escolha acertada, é bastante discutível. Prefiro pensar que foi a escolha possível, atendendo ao nosso momento tão... delicado. O que não duvido é que houve vontade em fazer uma escolha.
A Fortaleza
Vou dar um pequeno exemplo: jogo no Bessa, ante o Marítimo, a nossa besta negra. Jogo importante, três pontos fundamentais, ambiente de grande expetativa em redor do desafio. Saída do aquecimento, entrada dos suplentes em campo, naquela que é, habitualmente, a primeira grande ovação. Quem se ouve no estádio? Os dezassete (é verdade, dei-me ao trabalho de os contar) adeptos madeirenses, presentes no topo norte. Dezassete bananas a fazerem-se ouvir. Dezassete, caralho! Mas então é esta a nossa fortaleza? É por isto que fazemos a diferença? Onde estamos? A discutir o quê? Onde está a nossa absoluta dedicação ao Símbolo?
Um, dois, três passes errados, assobios e insultos de quem quer dar o melhor. Cinco minutos decorridos e já o "apoio incondicional" é uma recordação.
Esmagados perante o nosso arqui-rival! Primeira parte como há algum tempo não se via dentro do campo, segunda parte em manobra de inversão. Onde estávamos nós? "Esta merda é para ganhar". Claro que sim, todos sabemos, os próprios jogadores mostraram essa vontade. Josué com a bola nos pés a passar incólume? Pantera, afinal, esquece. Onde estávamos quando foi preciso, a minar as laterais, a empurrar a Equipa, a ser o suplemento vitamínico quando as forças e o crer perdem poder?
Não estávamos. Estávamos chateados, amuados, revoltados com o mau futebol que o Clube com menores recursos da Liga nos pôde oferecer. Descrentes e desconfiados dos nossos rapazes.
Eu até admito, em situações extremas, um divórcio com a Equipa, jogadores e treinador, mas jamais com o Símbolo. Esse está, sempre, acima de tudo. E falhamos. Não fomos os únicos a falhar, mas falhamos. E com estrondo.
O Campeonato
Um lugar e dois pontos acima da linha de água não é uma situação nova. Não perder nenhuma das 'finais' (desafios com concorrentes diretos) também não, sendo que algumas nos esperam nos tempos mais próximos. Temos uma já hoje.
Quando se discute a competitividade da equipa, ou o que podia ou não melhorar, vem ao de cima a composição do nosso meio campo, ou do quanto o mesmo torna a equipa defensiva. Verdade que as reais opções são quatro, portanto não nos podemos esticar muito na forma do miolo, mas ainda assim, uma reflexão que julgo valer a pena:
Sem o duplo pivot defensivo, ganhamos fulgôr ofensivo, capacidade em esticar o nosso jogo e chegar mais vezes ao último terço. Três golos e meio marcados em dois jogos, depois de seis em branco. Por outro lado, expomos mais o nosso último reduto: cinco golos sofridos nos mesmos dois desafios, isto é, tantos quando os encaixados nos seis confrontos anteriores, incluíndo uma deslocação a estarola. É percetível a questão? Para já, cabe a Sanchez encontrar o equilíbrio. Futebol ofensivo, à Boavista, de posse e bonito à vista, são palavras engraçadas e agradáveis, mas não passam de palavras. Quanto muito, de intenções. Isto não está fácil e, antes de mais, temos que aproveitar a onda positiva que um refresh no corpo técnico resulta, quase por definição, nas equipas de futebol.
São quatro finais - hoje, Restelo, Bessa com Moreirense e Madeira - e em nenhuma podemos falhar.
A respeito do onze, é novamente uma incógnita. Mika e os dois centrais habituais terão lugar garantido. Nas laterais, o impedimento de Mesquita abre o lugar a Inkoom, sendo que do lado oposto há a dúvida sobre a disponibilidade de Afonso e Correia. Hackman foi aí opção (e a revelar razoável adaptação) nos últimos dez minutos em Arouca.
No meio campo um dos pontos de maior interesse: Idris, Gabriel, Tenga e Carvalho para três ou quatro posições, veremos como Sanchez encara o desafio. Ainda temos Lima, tentando mostrar o que não conseguiu nos últimos seis jogos da época passada, nesta pré-época, ou mesmo nos primeiros dez desafios da presente. Haja fé!
No ataque, admito que Abner tem-me agradado, mesmo não sendo o tipo de ponta de lança que, em teoria, nos será mais útil. Luisinho deverá ser aposta certa, incógnita total acerca das restantes opções.
Importante é metermos na cabeça que é preciso não parar, mesmo antes da bola começar a rolar. Hoje, para a semana, na seguinte, sempre a apoiar. É o Símbolo que assim o exige, num dos momentos mais delicados e importantes dos últimos tempos. Não podemos, não devemos falhar.
Força Boavista!
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