quarta-feira, 3 de maio de 2017

São 38




Uma pequena retrospetiva do que ficou por dizer neste último mês.

Dois estados de alma distintos que nos acompanharam nestes últimos tempos:
por um lado, o crescimento brutal da Equipa que teve início em outubro, por altura da entrada da nova equipa técnica, culminando no atingir da meta dos 30 pontos, tida como o objetivo principal. Uma das melhores defesas do campeonato, muito bom percurso fora de casa, duas derrotas em doze desafios, consistência, evolução da maioria dos jogadores. Priceless. E não esquecer nem fazermos de esquecidos como os críticos: os argumentos continuam a ser dos menos fortes entre as equipas com os mesmos objetivos que nós, o que engrandece o trabalho desenvolvido.
Por outro lado, os últimos jogos, praticamente desde que alcançamos a tal meta dos 30 pontos, mais ou menos desde o jogo com os nossos vizinhos (na jornada seguinte, fomos a Moreira 'carimbar' os tais trinta).
Inegável que perdemos algum fulgôr, como provam os cinco jogos sem marcar qualquer golo, ou uma única vitória em sete desafios. Mas, mesmo neste hiato de tempo, nem tudo foi mau e, opinião pessoal, muito pouca coisa foi tão mau como a maioria fez crer. Por alguns de nós, e pelos críticos alheios.

Muito se falou de atitude, de férias antecipadas, de falta de profissionalismo. Apontar esses motivos, quase em exclusivo, como fatores determinantes para a quebra de rendimento (mesmo exibicional), é algo que não estou de acordo. Houve, sem dúvida, algum relaxamento. Excesso de confiança? Desleixo? Talvez. Motivos físicos a, finalmente, darem de si? Muito talvez. Pouca margem de manobra no que diz respeito às opções (que 'resolvem' alguns destes problemas)? Outro talvez forte. Ainda assim, nunca em quantidade suficiente para se colocar minimamente em causa o trabalho da equipa técnica e, claro, dos próprios jogadores, realizado nos sete meses anteriores.

Então o que originou essa evidente quebra? Falta de concentração em alguns momentos decisivos, abordagens aos diferentes e exigentes desafios que revelaram algum excesso de confiança e, sobretudo, menor poder de reação (bastante menor) às adversidades, . E estas últimas ainda foram algumas. Parece pouco para explicar o mau momento? Admito que sim, mas tenho plena convicção que foi nestes fatores que residiram os problemas.

E há que falar também nas dificuldades, acrescidas por vezes, porque é de lembrar que não jogamos sozinhos. Nesta série (8 jogos, 6 pontos) por muitos apelidada de negra, reprovável e, admirem-se, para alguns suficiente para se pôr em causa a continuidade do treinador, jogamos contra cinco dos sete primeiros classificados; em dois jogos em casa, jogamos mais de 90 minutos em inferioridade numérica e, em ambos os confrontos (Paços e Rio Ave), acabamos por criar mais oportunidades para vencer os desafios.
Isto, obviamente, sem querer desculpar más exibições, que, não haja dúvidas, também as fizemos. Mas daí até colocar tudo em causa, passando por falta de apoio e acréscimo de pressão sobre tudo e todos, vai uma enorme distancia. E tremendamente injusto.

Por fim, veio o Tondela. As palavras do treinador terão tido a sua influência, as mexidas no onze também, o desejo de reação de todo o grupo igualmente, mas sobretudo foi um desafio em que conseguimos provar o evidente: somos e fomos melhores que o adversário. Mais difícil fazê-lo em Alvalade, em Guimarães ou Estoril, mesmo em casa contra equipas que lutam fortemente pela Europa, como Rio Ave ou Marítimo.

A jogada do 'tiki-taka', que, embora a passividade do adversário, é fantástica, não começou nos pés do Sampaio nem ganhou vida na abertura do Mack. Começou há seis meses, naquela vitória em Vila do Conde (faz amanhã meio ano, precisamente :) ), continuou a ser construída na dupla derrota caseira com o Vitória de Guimarães, por estranho que possa parecer. E isso, toda esse crescimento e evolução, não pode, de maneira alguma, ser esquecido. E sim, tem que ser levado em conta quando se fazem críticas demasiado destrutivas e quando o apoio incondicional é posto em causa.


É para rebentar com o Nacional, muitas contas para pôr em dia com estes bananas II. Manda-los diretamente para a segunda terá um sabor especial. Azar, toca a todos mas, como é habito dizermos, Boavisteiro não esquece, mesmo que mais de uma década tenha passado.


Força Edu!

1 comentário:

  1. Acertado e assertivo, o último parágrafo.
    António Tiago

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